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6.21.2009

Do Público " A última fronteira para os casais é a monogamia"


O vosso serviço público, uma vez que o Público não disponibiliza arquivo ou backlinks.
O artigo abaixo é sobre o livro de Esther Perel, Amor e Desejo na Relação Conjugal

Jornal Público


"A próxima fronteira para os casais é a monogamia"

26.03.2008, Bárbara Simões

Nunca como agora se pediu tanto a uma pessoa numa relação amorosa: afecto, compromisso, respeito, estabilidade, filhos, compreensão, amizade, confiança... E sexo escaldante, claro. Difícil? Nem por isso - dificílimo. A terapeuta Esther Perel, por estes dias em Portugal, é autora de um best-seller sobre o assunto

Está tudo nesta imagem: uma camisa de noite de flanela. É assim que Candace, 30 e poucos anos, se refere ao seu casamento de sete com Jimmy. Quentinho e confortável, simpático mas não excitante. "- O que lhe sei dizer - afirma - é que a bondade dele me faz sentir segura, mas quando penso num homem com quem queira ir para a cama não é segurança que eu procuro.
- Por não ser o quê? - pergunto. - Suficientemente transgressivo? Suficientemente agressivo?- Por não ser suficientemente agressivo."

Candace e Jimmy foram um dos muitos casais que pediram ajuda a Esther Perel e cuja história é contada no livro Amor e Desejo na Relação Conjugal, este mês editado em Portugal pela Editorial Presença. A questão, que a tantos atormentava, intrigou e ao mesmo tempo fascinou esta terapeuta familiar e de casais numa clínica privada do Soho nova-iorquino: "O que é que acontece a estas pessoas que parecem amar-se tanto mas não têm sexo?" Ainda por cima, lembra ao P2 numa entrevista em Lisboa, antes de seguir para o Porto - onde a partir de hoje participa num congresso mundial de terapia familiar -, "esta é a primeira geração que coloca o desejo no centro da vida sexual." Vencida a revolução sexual, conquistada a pílula e, em traços gerais, a igualdade, as pessoas podem fazer o que lhes apetecer. O problema é que lhes apetece pouco, ao fim de algum tempo numa relação. Esta é também, por isso, "a geração que quer querer".E o que Esther Perel (49 anos, casada e mãe de dois filhos) quis foi "entender este dilema dos casais modernos", atentar na diferença entre amor e desejo e "questionar muito do que a psicologia e as revistas femininas nos dizem". A intimidade traduz-se muitas vezes em "sexo domesticado" ; e o erotismo "requer distância, risco e alguma dose de egoísmo", por muito politicamente correcto que seja proclamar os méritos da proximidade e da transparência."Um excesso de fusão erradica a existência independente de dois indivíduos distintos. Deixa de haver uma ponte para transpor, alguém para visitar do outro lado", escreve neste seu primeiro livro a terapeuta, nascida e criada na Bélgica.Os tempos são exigentes. De maneira mais ou menos acentuada, foi-se desmoronando (ou pelo menos ficando cada vez mais longe) toda uma rede que sempre nos tinha amparado, garantido sentido de pertença e evitado que nos sentíssemos sozinhos: família, religião, aldeia, vizinhos, bairro...
Repensar tudo

Assim "transplantados" (é esta a expressão usada), deslocámos tudo para a relação amorosa e pedimos agora a uma única pessoa que nos dê aquilo que toda uma comunidade costumava assegurar. "Isto nunca aconteceu antes", observa Esther Perel. "Eu quero de ti tudo o que antes tinha no casamento - compromisso, respeito, filhos, apoio financeiro - e ainda que sejas o meu melhor amigo, meu confidente e meu amante apaixonado."Pede-se muito mais e por muito mais tempo, uma vez que a esperança média de vida não cessa de bater recordes e a vida é hoje, por regra, mais longa. "É verdadeiramente fascinante." Só fascinante ou também possível? "É possível, mas obriga a repensar toda a estrutura da relação", responde.Repensar, negociar fronteiras e limites - é uma das mensagens que percorrem este Amor e Desejo na Relação Conjugal. A avaliar pelo sucesso do livro, publicado em mais de 15 países, a mensagem toca muita gente. A autora simplifica: "Não digo coisas que as pessoas não saibam. Digo apenas coisas que toda a gente sabe mas não diz."E o que é que Esther Perel diz? Várias coisas (para além da tal ideia de que a intimidade não só não é garantia de uma vida sexual satisfatória como até se dispensa para isso). Por exemplo: quebra de desejo não significa falta de amor; os problemas sexuais não têm necessariamente a ver com problemas na relação ("a cozinha e o quarto são duas histórias diferentes") ; a paixão vai e vem, não tem de ser sempre a descer à medida que a idade avança; neste campo, a espontaneidade é um mito; a infidelidade "às vezes até ajuda a estabilizar um casamento".

Perel esclarece que não "receita" soluções. Deixa sugestões que possam ajudar as pessoas a viver menos conformadas e a não estarem completamente fechadas a outras formas de pensar e de combater uma relação em cristalização. No livro conta que, quando atende um casal pela primeira vez, pergunta sempre como foi que se conheceram e o que é que os atraiu um no outro. E é quando ouve as respostas que consegue "vislumbrar, por entre os escombros, o que um dia tiveram" e gostariam de recuperar. Adele, uma advogada de 38 anos, tem saudades do nó no estômago, "aquela palpitação". Está casada com Alan há sete anos. "Quando nos conhecemos, ofereci-lhe uma pasta pelos anos, uma coisa que ele tinha visto numa montra e que tinha adorado, e enfiei lá dentro dois bilhetes de avião para Paris. Este ano dei-lhe um DVD e comemorámos com uns amigos à volta de um rolo de carne que a mãe dele fez. Não tenho nada contra os rolos de carne, mas foi a isto que chegámos."Como é que se sai disto? Beatrice optou por, durante uns tempos, deixar de morar com John, numa tentativa de recuperar independência e alguma tensão. Candace e Jimmy foram temporariamente proibidos de se tocar (só olhinhos e bilhetes, mais nada). Jackie e Philip foram aconselhados a namoriscar e a criar um e-mail só para trocarem mensagens eróticas. Catherine e o marido cultivam uma fantasia na qual ela é uma prostituta cara. Cada um fixa os seus limites e eles também mudam com os tempos. Hoje, lembra Esther Perel, "temos muito mais modelos com que lidar": famílias monoparentais, homossexuais, segundos casamentos.. . E a monogamia, "a vaca sagrada do ideal romântico", deixou de ser uma imposição e passou a ser uma convicção. "É uma escolha e é uma questão de amor. Mas isto é uma ideia nova..." E em seu entender ainda vai dar muito que falar: "A próxima fronteira, a próxima discussão é a monogamia."

Negociar fronteiras
Por enquanto, observa, "os únicos que neste campo negoceiam abertura são os gays (homens, as lésbicas nem tanto)". No mundo dos casais heterossexuais a exclusividade é "geralmente assumida, não é negociada".
Mas muitos "estão a tentar encontrar uma alternativa" , porque entendem que até nem funcionam mal como casal" e interrogam-se: "Devo deixar tudo isto porque não temos sexo escaldante? O sexo nem é mau, mas de vez em quando gostava de sentir aquela outra coisa... Posso tê-la contigo? Talvez sim, talvez não, talvez não agora..." E optam por "negociar as fronteiras dentro da relação". Onde as colocam já não é a terapeuta que decide. "Digo apenas: este é o tipo de coisas em que precisam de pensar." No mais recente inquérito promovido pela Durex, as mais de 317 mil pessoas ouvidas em 41 países tinham em média relações sexuais 103 vezes por ano. Os portugueses ficavam ligeiramente acima da média (108). Os gregos (138) lideravam a tabela, os japoneses (45) ocupavam a última posição. Esther Perel recusa-se a quantificar o que é um casamento sem sexo. Para além da diminuição da frequência, preocupa-a o tédio. E algumas "certezas" que se instalaram. Eddie era visto pelas mulheres como alguém que temia compromissos. Está casado com Noriko há 12 anos, têm dois filhos. Quando se conheceram, ela quase não falava inglês e ele não percebia uma palavra de japonês.
"Acho que foi por não podermos falar que tudo isto se tornou possível. A Noriko e eu tivemos de arranjar outras maneiras de demonstrar quanto nos queríamos. Cozinhávamos muito um para o outro, dávamos banho um ao outro. Eu lavava-lhe a cabeça. Íamos a exposições de arte. Não era que não comunicássemos; só não falávamos." Mais um mito para deitar abaixo.

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10.20.2008

Jornal de Notícias: Poliamor nova forma de relacao

A famigerada peca sobre poliamor saiu no Jornal de Noticias, por Helena Norte (19/Out/2008):

Poliamor, uma nova forma de relação:
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1031151

Amores Múltiplos, sem tabus (Histórias de portugueses que assumem o fim da exclusividade e vivem relações abertas com vários parceiros. Sem fidelidade e sem enganos):
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1031148

Relações em "V" e em triângulo:
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1031178

comentários mais tarde...

da vossa "Ana"/Antidote

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9.09.2008

Máxima, Outubro. Entrevista a Antidote

Na Máxima deste mês saiu uma entrevista a "yours trully". Nesta entrevista fala-se de vivência poliamorosa, de activismo poliamor e LGBT, de perspectivas, de sonhos e utopias.

A entrevista não está disponível online, ou seja, quem quiser ler tem de comprar mesmo a "Máxima".

Esta entrevista foi feita já há algum tempo, muita das coisas ditas já não são reais, como quem lê este blog o sabe. As pessoas já não são as mesmas, certas atitudes e regras são outras entretanto, a lista poly_portugal ganhou entretanto uma forte vertente politica dentro de um subgrupo (ver actividades nas Marchas do Orgulho LGBT de Lisboa e Porto), e já não há tantas certezas de uma série de coisas...

No entanto, mesmo com algum tempo pelo meio e com tanta mudança na minha vida, leio a entrevista e continuo a rever-me nela e a sentir que a mensagem mais poderosa não se perdeu, antes pelo contrario, continua lá.

A jornalista, a Isabel Freire, trabalha muito bem, preocupa-se realmente em transpor o que as pessoas entrevistadas dizem em vez de colar o que lhe apetece dizer a uma pessoa que por acaso até foi entrevistada, tal como fizeram alguns dos outros jornalistas com quem já trabalhei/trabalhamos.

Entendo que a peca tem uma qualidade muito acima da média. É opinião, a minha, de quem escreve aqui como amadora e já leu demasiadas peças de mau ou medíocre jornalismo sobre poliamor e não só.

enjoy!

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7.13.2008

Revista ADN "Amores múltiplos": Artigo sobre poly

"El poliamor, basado en mantener más de una relación al mismo tiempo, aboga por las parejas abiertas, sin infidelidades, mentiras ni celos "

http://www.adn.es/impresa/lavida/20080619/NWS-2699-poliamor-relaciones.html

Artigo simples, que aborda os conceitos básicos apenas, mas bem.

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6.30.2008

Conversas sobre Poliamor n'A Bixana


fica aqui o artigo que resume o que se passou nas "Conversas sobre Poliamor" de dia 5 de Junho, e que foi publicado n'a Bixana (zine das Panteras Rosa)

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As "1as conversas sobre poliamor" aconteceram na quinta-feira dia, 5 de Junho, na cooperativa cultural Crew Hassan, co-organisadas pelas panteras-rosa e poly-portugal. Sérgio (panteras-rosa) e Mónica (poly-portugal) introduziram e comentaram o conceito de poliamor, responderam a perguntas e tomaram parte na discussao animada, moderada pelo Joao Carlos, que se seguiu.

O que é poliamor.
Uma definicao possível é substituicao, em relacoes (em sentido lato), do mandamento da monogamia pelo da sinceridade (do indivíduo consigo próprio e com outros), podendo isto abrir caminho a formas diversas, e por enquanto menos habituais de relacionamentos, eventualmente com várias pessoas simultaneamente.

Motivacao
Estas conversas, como evento co-organisado, já estavam em preparacao há algum tempo, desde a 1a Marcha do Orgulho do Porto em 2006 (em cuja organisacao o poly-portugal participou), pela vocacao libertária e de contestacao de modelos únicos comuns a panteras e poly-portugal. Os recentes acontecimentos nas organisacoes das Marchas de Lisboa e Porto, devido precisamente a discussoes em torno do tema poliamor, tornaram estas "Conversas sobre Poliamor" ainda mais pertinentes.

Antecendentes
Ja houve e continuam a haver encontros mais ou menos regulares em torno de poliamor, em Lisboa e Porto, mas têem sido encontros de auto-ajuda e partilha de expêriencias entre pessoas em situacao semelhante, organisados por, e para o grupo poly-portugal e seus simpatizantes. Esta vertente de auto-ajuda e discussao é muito importante, pois sendo o poliamor um modo de vida em que nao ha papeis pré-determinados, as solucoes para eventuais problemas nao obedecem a scripts pre definidos, quase embedded no código social, como no caso das relacoes monogâmicas. Por outro lado, sectores maioritários da sociedade nem sempre vê com bons olhos uma vida nao monogâmica, o que tem efeitos negativos óbvios sobre quem pratique ou simpatise com este modo de vida (pressao mononormativa). As conversas aqui descritas, procuraram ser uma sessao de esclarecimento para activistas e público em geral.

Polyactivismo
O poliamor é um modo de vida válido e merecedor de respeito.
A actividade dos grupos poliamor conta geralmente com tres aspectos. O primeiro é a auto-ajuda (criação de redes de contactos, encontros, troca de esperiências, descoberta de identidade), o segundo a divulgação da possibilidade real de o viver quer junto de outras pessoas que com ele se identificam quer com outros, e o terceiro é a influência política na sociedade através de colaboração e negociação com organisações antidiscriminacao.
A nível internacional há muitos grupos, organisados com e sem ajuda da internet, e muitos eles estao ligados entre si. Encontros como a 1a Confêrencia Internacional sobre Poliamor e Mononormatividade em Hamburgo, em 2005, ou o Acampamento Poliamor de Verao na Alemanha procuram criar espacos de discussao, entreajuda, e definir a contra-cultura dos próximos anos.

O grupo poly-portugal
Existe há já mais de 3 anos e comecou como grupo de auto-ajuda e discussao. Alguns dos seus mais de 70 membros ocupam-se tambem com refleccao e intervencao (poly-activismo). e procuram passar a mensagem junto de outros sectores da sociedade de que o poliamor é um modo vida válido e digno de respeito.

As 1as conversas sobre poliamor
Estiveram presentes cerca de 20 pessoas, entre panteras, poly-portugal e outros.
Comecou-se por fazer uma introducao ao conceito, suas origens e significado, suas implicacoes numa sociedade que por um lado se define ou gosta de se apresentar como igualitária e justa mas cujos motores, por outro lado, eternisam e cristalisam modelos de comportamento e privilégios que muitas vezes nao reflectem de todo o modo de vida e pensamento dos seus cidadaos.
Pela limitacao do tempo, nao foi possivel aprofundar nenhum tema, mas foram muitos abordados e esbocaram-se possiveis continuacoes das conversas.
Falou-se de ditadura da escolha (ter de deixar uma pessoa por se comecar a gostar de outra), de poly-closets (pessoas com mais que um parceiro/a que teem receeio das represálias), falou-se de como a monogamia como modelo emocional em si é tao válido como outro qualquer, mas como modelo único, hegemónico, imposto e abencoado pelo Estado deve ser contestado. Falou-se de ciumes, da sua desconstrucao, da sua evitabilidade e inevitabilidade e de como em alguma parte vêm da percepcao do parceiro como "coisa" possuída; falou-se do reclamar orgulhosos de palavras previamente insultuosas, como galdéria ou vadia (slut culture, schlampenkultur) como bandeiras de um movimento que nao se envergonha da sua vida, falou-se dos papeis, formatacoes, que se colam a nós em relacoes que já veem com script incluído (marido muda o óleo ao carro e nao a mulher, a butch faz café á femme, quem tem mais dinheiro é quem fala com o advogado..), e como poliamor baralha e volta a dar todos esses papeis que deixam de fazer sentido; falou-se da diferenca entre poliamor e poligamia, e de eventuais sobreposicoes que uma pode ter em relacao á outra. Falou-se do papel do machismo na sociedade e como isso baralha a percepcao da mulher, das relacoes, e das minorias. Falou-se das diferencas, se é que as há, entre amizade e amor, se precisamos de tais distincoes (ou seja, se há mesmo estados quânticos para relacoes, ou se será possível um continuum emocional em que indivíduos criativos se deslocam). Falou-se, por fim, da bencao do Estado e do papel do casamento (testamentos, assistencia hospitalar, privilégios tributários). Falou se em familias extendidads, no papel das familias babyboomers a cunhar a ideia da família mononuclear "moderna", e falou-se em co-educacao, e em comunas e experiências sociológicas.
A jeito de conclusao apressada devido ao limite de tempo, sumarisou-se que os direitos têem de ser individuais, e que direitos associados ao casamento, que têm sido vistos e vendidos como um direito, nao passam de privilégios destinados às relações que cabem no modelo reconhecido pelo estado, e criam condicoes prefenciais apenas áqueles que o praticam, não podendo por isso ser democráticos. O que não implica que o movimento lgbt não deva hoje lutar pelo alargamento a
tod@s desses direitos e/ou privilégios, numa situação em que existe um apartheid legal que restringe o acesso aos mesmos em função da orientação sexual.
Acrescentou-se que tal ideologia, e outras, sao reforcadas apesar de cada vez mais pessoas viverem contra o paradigma.
Ficou a promessa de se repetirem eventos semelhantes, talvez noutros locais e com outros temas mais especificos.

Apelo á participacao das marchas do orgulho
Apelou-se á participacao nas Marchas do Orgulho de Lisboa e Porto. Quer pela natureza anti- discriminatoria de qualquer marcha do olrgulho, que diz respeito a qualquer pessoa que nao se reveja numa sociedade que impoe ou encoraja modelos unicos, quer pelo facto que especialmente a marcha do orgulho do porto abracou o tema poliamor e diversidade familiar e o explicita no seu manifesto, é importante participar nas Marchas.


Recursos poliamor em Portugal:
- Grupo poly-portugal:
http://www.groups.yahoo.com/groups/poly-portugal
- Portal poliamor em Portugal:
http://www.poliamor.pt.to/
- Blog Our Laundry List:
http://www.laundrylst.blogspot.com/

Outras referências
- http://en.wikipedia.org/ (poliamor/polyamory)

- "Breaking the barriers to desire", K. Lano and C. Parry (ed.).Five Leaves Publications
- http://www.diepolytanten.de.tc/ (em alemao, mas com Informacao sobre encontro poliamor de verao para mulheres e transgénero)
-
http://www.graswurzel.net/243/schlampagne.shtml (em alemao, movimento "galdério")


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2.14.2008

S. Valentim II

Mas para quem tem, impreterivelmente, que se meter numa (seca) celebracao marcada como o dia de S. Valentim, está aqui uma boa leitura, incluindo a sugestao de como o festejar:

... de vermelho vestido, sugestao da nossa galdéria de servico, Dossie Easton.

http://www.sfbg.com/entry.php?entry_id=5585&catid=4&volume_id=317&issue_id=337&volume_num=42&issue_num=18

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1.31.2008

Artigo sobre poliamor no "La Vanguardia"


Mais um artigo cheio de erros científicos, má investigacao jornalistica e carregadinho de mononormatividade. A cereja no topo do bolo para mim é a jornalista referir-se ás pessoas poliamorosas como "eles" partindo provavelmente do princípio que "eles" sao seres tao alienados, provavelmente tao depravados, que nem sequer estao perto da probabilidade de pertencerem ao público leitor daquele jornal.

Está carregadinho de condescendência e tentativas de demonstrar a falência teoricamente inerente ao poliamor..

http://www.forosx.com/phpbb2/viewtopic_print.php?t=8866&start=0

Amigos leitores... se querem saber o que poliamor nao é, ou raramente é, ou nao necessariamente é, leiam esta obra prima. Pérolas selecionadas:

"Son personas muy seguras que tienen muy claro que las relaciones esporádicas con otra persona son sólo una diversión." ... Claro, nao existem pessoas poliamorosas que sejam inseguras.. somos todos uns cínicos autoconfiantes, vivendo em gigantescos barrís de Diógenes, a levar virgens inocentes ao castigoa cada passo... e claro que toda a gente sabe se uma relacao é exporádica ou nao quando a comeca... e tem de ser obrigatoriamente uma diversao...


"Para Norbert Bilbeny, catedrático de Ética, se trata de relaciones muy complicadas, minoritarias y bastante inverosímiles". .... Este senhor devia sair mais á noite, conhecer mais gente do que a que orbita á sua volta, em vez de dizer que é inverosímel simplesmente aquilo que nao conhece.. Aqui, a nossa heroica jornalista foi buscar um especialista instantâneo para justificar qualquer coisa que lhe apeteceu defender...

'“Este tipo de relación abierta lleva a una cierta inestabilidad”, dice Bilbeny' .... Poliamor NAO É necessariamente uma relacao aberta, minha senhora!! Geralmente e inclusivamente, relacao aberta colide de facto com o conceito de poliamor!

E claro, demora pouquissimos paragrafos a chegar ao ponto óbvio: o sexo. Porque relacoes implicam na cabeca de certas pessoas (infelizmente a maioria) o sexo, e essas mesmas pessoas imaginam o sexo como uma "obrigacao" dentro da relacao, ou um indicador de qualidade... tipo "o meu corpo tem de pertencer a quem amo, para que faca o que lhe aprouver"... "Seguramente más de uno se estará preguntando cómo se organizan y con quién duermen los polienamorados." sim, estao-se a perguntar, sem dúvida, provavelmente com a baba a escorrer dos queixos e olhos arregalados como ovos estrelados...

Esta é brilhante: "Evidentemente los polis no son celosos"... Bem, ainda bem que esta senhora me assegura que isto que ás vezes me passa pela cabeca nao sao ciúmes, porque se nao ia-me sentir muito mal.. Amigos! O poliamor nao salva dos ciúmes! Pode ajudar a desconstruir, a analisar, a relativisar.. mas nao salva ninguém dos ciúmes!!

"El esquema que acostumbran a reproducir estos individuos es el siguiente: existe una relación primaria" ... Claro, nem lhes passa pela cabeca os trios, as comunas, as familias estendidas, as amizades coloridas, as n-relacoes primárias... e para além da dicotomia homem-mulher.. nao, isso é demasiado complicado!!... e se este é o esquema mais habitual, entao eu estou na companhia de pessoas muito pouco habituais!!!

Finalmente: “Si los polienamorados acaban convirtiéndose en familia con hijos, se corre el riesgo de no poder garantizar una estabilidad al niño" ...Realmente, na nossa sociedade em que os casados já sao uma minoria, e oas criancas teem geralmente 3 ou 4 figuras parentais (o que nao é mau nem bom), a estabilidade está super ameacada pelo poliamor!! Sinceramente nao vejo diferenca entre os meus filhos virem a brincar com e a ser educados por mim e as minhas namoradas, ou a minha avó que foi educada pela mae dela e uma rede intricada de tias e vizinhas como era regra antanho.


No fundo o que escrevi nao é uma rant contra os que sao contra o poliamor. é uma rant contra mau jornalismo, e pouco sério ainda por cima.



alguém mais como eu?


(onde estao os sais ENO?)



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11.15.2007

Jogos Humanos, BD de Paulo Patrício e Rui Ricardo


"Jogos Humanos" é uma verdadeira história poliamorosa, do princípio ao fim. o argumento é de Paulo Patrício e os desenhos de Rui Ricardo.

Nao há muito que dizer. Até começa com um casalinho heterossexual chatérrimo sentado num banco de jardim, provavelmente como quase toda a gente já fez algum dia.

Percam o amor ao dinheiro, comprem e leiam.

Talvez possa acrescentar afinal alguma coisa. Este livrinho acompanhou me desde o principio da minha "aventura" poliamorosa, há uns anitos valentes, principalmente na altura em que eu achei que ia dar com os burrinhos na água, que ia ficar sozinha à pala de fazer tanta experiência e tanto-pôr me a mim própria e aos que me amavam nos limites dos limites da paciência e capacidade de aguentar barcos.

sobre Paulo Patrício:
http://maisbd.mundofantasma.com/autores.php?autor=Paulo+Patr%EDcio
http://www.paulopatricio.com
http://lambiek.net/artists/p/patricio_paulo.htm


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8.17.2007

Pensamento do dia: porque ninguém percebe o que poliamor é..


A frase não é minha, foi o comentário de uma amiga minha como resposta ao meu desabafo "porque é que ninguém consegue (tentar) perceber o que é poliamor além dos que lá estão metidos até ás orelhas?":


"Só uns poucos perceberão o que é poliamor, porque a verdade é bastante insípida quando comparada com as fantasias delirantes que eles têm acerca disso… e depois perdem o interesse em saber mais…" (G.E.)



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6.06.2007

wake up call



Recebi isto via mailing list do poliamor portugues.

Depois da conferencia em Hamburgo em 2005 e toda a atencao mediatica que se seguiu, muita gente descobriu que o poliamor é um topico em oportunidades de investigacao e teses de licenciatura e doutoramento.

É bom que se investigue e só posso estar contente. Mas nao posso deixar de sentir uma ponta de ironia amarga por todos aqueles que desconheciam de todo o poliamor antes de tantos praticantes, nao academicos, terem saido do seu armário.

A conferencia em Hamburgo nao teve mais de 200 participantes (ver varios posts da altura neste blog):

http://laundrylst.blogspot.com/2006/04/international-conference-on-polyamory.html#links
http://laundrylst.blogspot.com/2006/03/lesppress-report-on-1st-international.html#links

Vá… toca a pegar no teclado/esferografica, toca a trabalhar e escrevinhar umas coisicas.


N.E.: O trabalho abaixo já saiu como livro.

Call for contributions
Understanding Non-Monogamies
Edited by: Dr. Meg Barker & Dr. Darren Langdridge
Contact:Dr. Meg Barker, Psychology Department, Faculty of Arts and Human Sciences,London South Bank University, 103 Borough Road, London, SE1 0AA. Email: barkermj@lsbu.ac.uk Dr. Darren Langdridge, Faculty of Social Sciences, The Open University,Walton Hall, Milton Keynes, MK7 6AA. Email: d.langdridge@open.ac.uk

Most psychological and social scientific work on intimate relationships hasassumed a monogamous structure, or has considered anything other thanmonogamy in the context of 'infidelity'. Openly non-monogamous patterns of relating have been largely excluded from research and theory (Barker, 2007).Pieper and Bauer (2005) termed this exclusion 'mono-normativity', and suchprivileging of the monogamous couple can be seen as part of wider heteronormative discourses which explicitly or implicitly present the'opposite-sex' dyad as the 'natural', 'normal' or 'ideal' way of being.

There is little recognition of the growing numbers of 'opposite-sex' couples who are involved in swinging, polyamory, or some other form of open non-monogamy (e.g. McDonald, 2007), or of the significant numbers of those in gay, bisexual, and to some extent, lesbian communities, who are involved in openly non-monogamous relationships (e.g. Adam, 2006; Klesse, 2005; Musen& Stelboum, 1999). Calls for various forms of relationship recognition for same-sex couples have been seen, by some, as part of a continued marginalisation of those who practice their relationship in less 'traditional' ways, with Michael Warner, and others, arguing that such drives towards normalisation reify dominant and 'damaging hierarchies of respectability' (1999, p.74).

In recent years there has been a growing interest in exploring various patterns of intimacy which involve open non-monogamy (e.g. Adam, 2004;Barker, 2004; Jackson & Scott, 2004). This has culminated recently in an international conference on mono-normativity (Pieper & Bauer, 2005) and a special issue of the international journal Sexualities on polyamory: 'a form of relationship where it is possible, valid and worthwhile to maintain (usually long-term) intimate and sexual relationships with multiple partners simultaneously' (Haritaworn, Lin & Klesse, 2006, p.515). Research on the topic has captured public attention with a flood of newspaper coverage in 2005 following the presentation of Ritchie & Barker's research on the language of polyamory (see Ritchie & Barker, 2006). Open non-monogamy could be seen as a burgeoning 'sexual story', with over a million google hits for the topic of polyamory alone, and a growing number of 'self-help' stylebooks on the topic (e.g. Anapol, 1997; Easton & Liszt, 1997; Taormino, forthcoming 2007).The proposed book seeks to provide further discussion and debate about open non-monogamous relationships.

We are keen to invite empirical and theoretical pieces considering the various non-monogamous patterns inexistence today. We welcome empirical and theoretical work concerned with the history and cultural basis of various forms of non-monogamy, experiencesof non-monogamous living, psychological understandings of relationship patterns, language and emotion, and the discursive construction of mono-normativity. We are keen to invite submissions that address issues of race, class and disability, as well as sexuality and gender. We also wish to include political and activist writing, as well as pieces from community representatives. We are not seeking work that pathologises open non-monogamyor focuses on 'infidelity'. Nor are we looking for anthropological studieson polygamy and polyandry.

We hope to include contributions from academics and activists from as wide a range of countries as possible, especially those traditionally under-represented in academic and activist writing in the English language.

Prospective authors are invited to contact the editors at the earliestpossible opportunity to discuss potential submissions.

The closing date for chapter abstracts is 31st August 2007 and (provisionally) for completed chapters 31st March 2008 (electronic submission preferred).

References
Adam, B. D. (2004). Care, Intimacy and Same-Sex Partnership in the 21stCentury. Current Sociology, 52(2), 265–279
Adam, B. D. (2006). Relationship Innovation in Male Couples. Sexualities,9(1), 5-26.
Anapol, D. M. (1997). Polyamory: The New Love Without Limits. California,US: IntiNet Resource Centre.
Barker, M. (2004). This is my partner, and this is my… partner's partner: Constructing a polyamorous identity in a monogamous world. Journal of Constructivist Psychology, 18, 75-88.
Barker, M. (2007). Heteronormativity and the exclusion of bisexuality in psychology. In V. Clarke and E. Peel (Eds.) Out In Psychology: Lesbian, gay,bisexual and trans perspectives. pp. 86-118 Chichester: Wiley.
Easton, D. and Liszt, C. A. (1997). The Ethical Slut. California, US:Greenery Press.
Jackson, S. and Scott, S. (2004). The personal is still political:heterosexuality, feminism and monogamy. Feminism & Psychology, 14 (1) 151-157.
Klesse, C. (2005). Bisexual Women, Non-Monogamy and Differentialist Anti-Promiscuity Discourses. Sexualities, 8(4), 445-464.
McDonald, D. (in press). Swings and roundabouts: management of jealousy in heterosexual 'swinging' couples. British Journal of Social Psychology.
Munsen, M. and Stelboum, J. P. (Eds.) (1999). The Lesbian Polyamory Reader.NY: Harrington Park Press.
Pieper, M. & Bauer, R. (2005). Call for Papers: International Conference on Polyamory and Mono-normativity. Research Centre for Feminist, Gender & QueerStudies, University of Hamburg, November 5 th/6th 2005.
Ritchie, A. & Barker, M. (2006). 'There aren't words for what we do or how we feel so we have to make them up': Constructing polyamorous languages in aculture of compulsory monogamy. Sexualities, 9(5), 584 - 601.
Taormino, T. (forthcoming, 2007). Opening up: A Guide to Polyamory. Cleis PressWarner, M. (1999). The Trouble with Normal: Sex, Politics and Social Theory.Minneapolis: University of Minnesota Press.


3.12.2007

revista Krake #2: Goya, devaneios


Uma pequena contrbuicao minha para a revista Krake. A oferta de cerveja grátis para quem ainda se lembrasse acabou.
A revista Krake é uma fanzine com periodicidade indefinida que compila textos e artes várias de interesse para "mulheres que nao estao de acordo com a natureza", a bem dizer, para a mulher poliamorosoa e indomável. Compila cancoes, poemas, experiencias, ensaios e muito mas mesmo muito autohumor. Se querem saber como extrair o máximo rendimento da agricultura polibiologica, ou duma oficina politecnica, é aqui que devem procurar. O número dois vai sair no fim do corrente mês e pode ser pedido através do link acima.




2.22.2007

comentario ao "murcon", ou manifesto poly draft

(Obrigada á L. pela tip)

Fui espreitar o post de Julio Machado Vaz a proposito do livro Mito da Monogamia

http://murcon.blogspot.com/2007/02/monogmico-por-cansao.html


E acabei por lá deixar um comentario, que bem pode ser um manifesto poli (seria, se eu soubesse escrever com talento e verve!)
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Ha aqui um problema de linguagem.

Monogamia tem querido dizer que nao se abandona a pessoa com quem publicamente se tem uma relacao para nos envolvermos fisica ou/e emocionalmente com outros. Depois há a monogamia em série, em que para nao termos o sentimento de culpa da "traicao" abandonamos sucessivamente parceiros antigos quando nos fascinamos com um novo.

Depois, ha outras opcoes de vida, como quando decidimos substituir o primado da monogamia pelo da sinceridade:

http://laundrylst.blogspot.com/2005/01/o-dia-em-que-atirei-monogamia-s.html#links
http://laundrylst.blogspot.com/2006/04/international-conference-on-polyamory.html#links

(todo o blog laundrylst.blogspot.com é dedicado ao poliamor e suas variantes)

Porque é que uma pessoa tem de ser tudo para mim? Amante, namorado, educador dos meus filhos, cumplice? Isso é sobrehumano… porque nao hei de estar com pessoas cujas facetas sao as melhores no seu campo? Porque nao hei de gostar de duas pessoas (sim, a minha historia) sem dramas nem ciumes? É possivel, e é assim que vivo há uns anitos (e outros que conheco), mas nao encaixa no modelo normativo de sociedade que temos.

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1.06.2007

co-adopção a três


Os dois textos foram tirados sem edicao do portal Portugal Gay.


http://www.portugalgay.pt/news/index.asp?uid=040107A

Notícias CANADÁ: Um pai e duas mães
Quinta-feira, 4 Janeiro 2007 Tribunal canadiano reconhece direitos de filiação de criança de cinco anos a três pessoas

Pela primeira vez, um tribunal canadiano reconheceu oficialmente que um rapaz de cinco anos pode ter um pai e duas mães - um casal de lésbicas - suscitando inquietação por parte das organizações de defesa da família dita tradicional.

Num acórdão proferido terça-feira ao final do dia, o Tribunal de Recurso da Província do Ontário decidiu que uma canadiana que vivia maritalmente com a mãe da criança devia também ser reconhecida como sua mãe e, portanto, como o terceiro elemento parental da criança. Uma instância inferior recusara-lhe esse estatuto, por considerar que a legislação da província relativa à família reconhece apenas uma só mãe, não cabendo ao tribunal modificá-la. A mulher, originária do Ontário, explicara o seu pedido fazendo valer que o nascimento tinha sido planeado com a sua parceira homossexual que carregou no ventre a criança depois de uma inseminação artificial e que esta a considera também como mãe.

As duas mulheres, cuja identidade não foi divulgada, decidiram que o pai biológico devia permanecer na vida da criança e levaram-no a reconhecer a sua paternidade, o que impedia que a mãe não-biológica pudesse adoptar o bebé. A queixosa requereu o usufruto dos mesmos direitos que os outros pais e os seus advogados sustentaram a sua defesa na lei canadiana que autorizou em 2005 os casamentos entre cônjuges do mesmo sexo. Nos seus considerandos, os juízes do Tribunal de Recurso notam que as duas mulheres "viviam juntas numa união estável desde 1990 e que em 1999 tinham decidido fundar uma família com a ajuda do seu amigo X" que foi o dador de esperma. Defenderam que a legislação local sobre a filiação e que tem 30 anos estava agora ultrapassada e ia, neste caso preciso, contra "o melhor interesse da criança". "Não há dúvida de que a legislação não prevê a possibilidade de declarações de filiação de duas mulheres. Mas é o produto das condições sociais e dos conhecimentos médicos da época", escreveram os juízes.

Os argumentos contra e a favor
Várias organizações de defesa dos direitos da família tradicional denunciaram este acórdão. "Os ataques contra a célula familiar vão acabar por destruir a nossa sociedade", declarou Mary Ellen Douglas da Campanha pela Vida, perguntando- se onde se vai fixar o limite "sobre as declarações de parentesco múltiplas". Por seu lado, Joseph Bem-Ami do Instituto para os valores canadianos denunciou "um activismo judicial", lembrando que dezenas de decisões sobre crianças são adoptadas diariamente no Canadá, "sem que seja necessário mudar a definição da família". Uma organização de defesa dos direitos dos homossexuais, Egale Canada, saudou a decisão do tribunal, afirmando que ela reconhece a realidade da existência de casais lésbicos. Para Nicole LaViolette, professora de Direito na Universidade de Otava, a decisão do Tribunal de Recurso constitui um precedente porque é a primeira vez que um tribunal de Ontário "reconhece direitos de filiação a três pessoas: duas declarações de maternidade e uma de paternidade" . Todavia, é um precedente limitado na medida em que o tribunal teve o cuidado de precisar que se pronunciava sobre um caso particular, declarou. "As decisões relativas a uma criança fazem-se caso a caso e não é algo que se vá aplicar a muitas pessoas", sublinha. Para LaViolette, pode-se imaginar a mesma decisão no caso de um casal heterossexual que, por não poder ter filhos, recorresse a uma mãe de aluguer.


E a reaccao (reaccionaria) portuguesa:


http://www.portugalgay.pt/news/index.asp?uid=050107A

PORTUGAL: Director do Centro de Direito de Família afirma-se contra co-adopção por 3 pessoas


Sexta-feira, 5 Janeiro 2007



Segundo a agência Lusa, o Director do Centro de Direito de Família Guilherme de Oliveira, classificou a recente decisão de um tribunal Canadiano de determinar a co-adopção por 3 pessoas de "estranha" face à legislação portuguesa, e mesmo europeia, que, segundo ele, aponta como "os pais e mães jurídicos" de uma criança "os pais e mães biológicos".

"Seria um passo difícil a dar se, além de uma mãe e um pai biológicos, uma criança tivesse uma mãe ou pai afectivos", frisou, ressalvando que "não haveria unanimidade" numa alteração do direito de filiação português com essa finalidade.

O especialista, que coordena o Observatório Permanente da Adopção, sustentou que, mesmo que, afectivamente, "possa ser bom" uma criança ter duas mães ou pais, "não seria desejável, por princípio de precaução".

"É capaz de existir o risco de discriminação da criança que é pioneira, de a expor ao sofrimento", nomeadamente entre colegas da escola, apontou.

Felizmente para a criança canadiana, os juristas do canadá com muito mais experiência de facto nestas situações num país onde a co-adopção por pessoas do mesmo sexo é uma realidade há anos são de opinião contrária ao jurista português.

PortugalGay. PT (Portugal)


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7.27.2006

Artigo da NewScientist: the polyamourists


(tip do Vasco)

Na New Scientist de Julho (NS, 7/Jul/06, #2559 pp.44) saiu um artigo sobre o assunto que nos faz estar aqui todos caidínhos a ler (não é jardinagem). É um artigo de divulgação, ligeirinho, daqueles que podemos deixar à beira de uns amigos ao café, assim como quem não quer a coisa, para lhes sondar a opinião sem nos comprometermos.

Este artigo não fala do poliamor duma maneira extensiva ou detalhada, mas parte da vivência duma "família", e das suas regras como ponto de partida para explicar os princípios gerais do poliamor. nao aprofunda, é um artigo exploratório, penso eu, que sonda as reacções de quem o lê. Curiosamente, por ser um artigo um pouco mais ligeiro, certas ideias ganham realce quando noutro tipo de artigos têm tendência para se perder. Gostei de ver, escrito preto no branco, que as relações poli são simplesmente realistas (em oposição à tendência de as criticar como utópicas), pois retiram a pressão (que as relações monogâmicas necessariamente têm) que há em encontrar alguém que nos preencha em todos ou quase todos os aspectos, e que nas relações poliamorosas cada pessoa pode explorar (para não dizer descobrir) diferentes aspectos de si própria realçados ou catalisados por diferentes pessoas. A segunda ideia que acaba por ficar retida, é a de que a constelação em que esta "família" vive é apenas uma de muitas. Mostram nos o seu esquema de Langdon, mostram nos um pouco do seu código de conduta, Mas é realçado que é importantíssimo criar regras consensuais. Existem modelos, certo, para quem já leu sobre as experiências de outras "constelações". Mas cada um sabe o que é bom para si e qual o grau de segurança e de experimentação que está disposto a levar a cabo.

O link para a versão (incompleta) on-line:

http://www.newscientist.com/channel/sex/love/mg19125591.800-love-unlimited-the-polyamorists.html

Quem quiser ler este artigo na totalidade, pode, alem da versão para assinantes da NS, encontra-lo na zona de ficheiros do grupo PolyPortugal.

Obrigada por lerem.

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11.23.2005

Kiss, Kiss, Poly's lips...

Este blogue está ás moscas. Mas achei por bem voltar a escrever sobre o tema que me ocupa, quer intelectualmente, quer na minha vida de todos os dias: Polyamory (poliamor em português).

Viver Polyamory é viver sem a associação automática e implícita de amor a monogamia. Como isso se pôe depois em prática ou não, com mais ou menos sucesso, é um desafio à criatividade de cada um@. A partir do momento em que se acredita nessa ideia, cada relação tem total liberdade de encontrar as soluções que melhor se lhe ajustam para crescer (ou falhar miseravelmente).

A primeira vez que a ideia me passou pela cabeça foi por alturas de 94. Graças à Internet e a alguma literatura descobri que havia mais gente no mundo a pensar, a sentir e a agir assim. Não estava sozinha (uau!!). Entre 94 e o momento presente tive oportunidade de passar da teoria à prática. Aliás, nem sequer tive outro remédio. Houve coisas que correram bem, houve coisas que correram mal e houve coisas que correram terrivelmente mal. Mas não senti que o prefixo "poli" fosse o factor desestabilizante.

Durante os últimos anos não tive muita vontade de falar acerca disto, porque a maior parte das reacções foram muito pouco encorajadoras ou mesmo hostis. Acabei por me isolar e por me esconder em tudo o que dizia respeito a essa parte da minha vida. Mas ultimamente descobri, quase por acaso, que toda essa nossa comunidade invisível que andava por ai em clusters distribuídos pelo mundo começou a sair da casca. Há duas semanas foi a
primeira Conferência Internacional de Polyamory em Hamburgo. Este domingo o tema (mais particularmente a cena "poly" nos USA) foi capa do jornal "the Guardian". Ver também a referência de sempre, www.polyamory.org (mas este link já é velhinho).

Naturalmente estes últimos acontecimentos, este sair para a ribalta, encoraja-me a falar da minha própria experiência. Fiz uma pesquisa, e vi que em Portugal há umas coisitas, mas parecem ser sites para contactos que não inspiram grande confiança, e não para discussão ou suporte.

Por isso, e fica aqui o desafio: gostaria de discutir isto com quem se interessar pelo tema, e/ou que tenham agora ou tenham tido experiências semelhantes. Venham daí os vossos comentários. Alguém sabe se existe um grupo de discussão? senao existe pode passar a existir! Eu sei que vocês andam aí! Digam coisas para este email: antidote[arroba]imensis[ponto]net.

(Kiss Kiss Poly´s Lips: Cantar ao som da melodia de Kiss Kiss Molly´s lips)

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