Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012

A review from Arse Elektronika

A review from Arse Elektronika (by Ann Antidote)
(complete text to be found in the Krake 2012)
Arse Elektronika is a compilation of texts and presentations from the conference with the same name, organized by Vienna-based collective Monochrom. “We may not forget that mankind is a sexual and tool-using species. And that’s why Monochrom’s conference Arse Elektronika deals with sex, technology and the future. As bio-hacking, sexually enhanced bodies, genetic utopias and plethora of gender have long been the focus of literature, science fiction and, increasingly, pornography, this anthology sees us explore the possibilities that fictional and authentic bodies have to offer. ” reads the manifest.

One grey day in November I found an envelope containing this book with both “the Krake” and my name on it, due to an avalanche of chances. Browsing this book in a hurry I recognized electronic diagrams and lines of code, quite familiar from my previous life as an engineer, I caught words like sex, gender, hacking, control theory, feminist pornography, kink, body extensions. I had immediate flashbacks of one of my favorite books, “The Cities of the Red Night” by William Burroughs, and it was not before long that I found, selbstverständlich, his name, his imaginary and even his writing style quite present all over this book. “Ok, I just have to write about it”, I thought.

At a first glimpse, Arse Elektronika appears to be a book that demands you are an engineer or a geek in order to understand it. It isn't, it is a book that asks more or less politely from you that you believe that you don't have to be engineer to understand its main topic - the interconnections between technology, humanism and therefore our sexual boundaries, our identity boundaries, their reflection in social matrix, and possibilities to extend those - or be inspired by it, to be challenged by it.

If I had to explain in a nutshell what is inside this book, I would start by listing examples on how technology, not only recently, has changed our bodies, our sexuality and therefore our society. There are people out there living with artificial limbs, with more or less neuronal control; people who modify their body to accommodate it to their gender identity via surgery and/or hormonal intake; saying tender words to our absent loved ones - like we do now on the telephone or on skype - would be unthinkable some centuries ago. In these almost every day life examples, we see how technology was used to solve a problem or fill a hole, and how our bodies, emotions and society integrated it. Now, if we use this as a starting point, what if we all sit together and try to think what other possibilities are out there, and what could they do to our life, our sexuality, and our concept of humanity? Would you like to have an embedded LCD display on your arm showing you -real time- your lover´s heart, beating? Would you build a DIY set for having remote, intercontinental, sex with one of your lovers, transmitting most of seeing, sensing, hearing sensations? What about computer controlled electrical sexual titillation? And most of us used the internet to find polyamorous like-minded peers, right? Would you like to add an extra pair of arms to your torso? What about Krake-like tentacles? And how would society accommodate this? Would it be more variety-friendly? Would this press hetero-sexism out of the picture? Would it still be regarded as human? Ethical?

Arse Elektronika is an exploratory book which will leave questions unanswered, for the interested reader to look further for the answers. It will eventually inspire you and show you the principles on how to build the mentioned DIY remote sex set or the so-called pussy pad, but it is not a “how to” manual. The manual, the actual set, and the identities and societies you will be living in with it will have to be constructed by you.

Bibliography:

Terça-feira, 25 de Outubro de 2011

Entrevista para a A-radio

A A-radio é o canal de radio anarquista da Radio Orange, baseada em Viena.

Estive em St. Polten, nos Queer Feminist Network meetings, onde mostrei o filme "Férias em Vale Galdérias" juntamente com o meu companheiro de conspiracao, Roderick. Fomos entrevistados para a A-radio, que tentou retratar com fidelidade o que foi esta semana em St. Pölten.

http://www.a-radio.net/2011/1316

A introducao é em alemao, mas a entrevista p.p.d. é em inglês. A nossa entrevista é seguida de uma entrevista a Sadie Lune, sobre as workshops que deu, sobre a sua visao sex-positive do mundo e da grande família queer.

Quinta-feira, 7 de Julho de 2011

Nuclear: olhar à nossa volta

Com fukushima de repente relançou-se estremunhadamente a discussão sobre o nuclear, e de repente houve acordares dolorosos e buscas de informação apressadas. Ou de repente ficou descoberta a careca de que nos estavam a vender produtos e energia com a etiqueta "verde", por ser redutora de emissões de carbono, que na verdade tinham uma contribuição do nuclear. Sim, estavam-nos a vender o nuclear como energia verde, mas poucos se aperceberam disso. Houve activistas a apoiar produtos "carbon correct" sem saber que havia nuclear "dentro".

Tenho aqui em cima da secretária uma série de panfletos de vários grupos políticos anti-nuclear, uns mais interventivos que outros. Um deles limita se a informar acerca de que organismos estão mais ou menos comprometidos no apoio ao nuclear, um pouco como "tomem lá esta informação e façam dela o que quiserem". Lista endereços desde construtores de reatores nucleares, passando pelos organismos políticos que decidem e apoiam a sua implementação ou os responsáveis pela gestão (leia-se exportação atabalhoada) do lixo atómico.

Um dos organismos que me deixou a pensar foi o WiN, Women in Nuclear. é uma associação mundial de mulheres que trabalham na industria nuclear (Exclui investigação cientifica, e medicina portanto). São mais de 2000 mulheres no mundo inteiro. Se fizermos a habitual continha que mulheres a trabalhar na industria são menos de 15%, isto dá-nos várias dezenas de milhares de pessoas a trabalhar na industria do nuclear.

Se são tantos, quer dizer que eles andam aí, à nossa volta. Como é que não damos por isso? De certeza que conheço alguém que pertence a este grupo. Há todo um mundo do qual nada sabemos e que decide coisas por nós. E que se calhar bebe cafés connosco e nos dá umas palmadinhas nas costas e até são uns gajos porreiros..

hmmm.

Quinta-feira, 30 de Junho de 2011

24/7 The passion of life, o filme

Não sei se é bom, mau ou assim assim, até porque só estreia dia 24.7 (Oh! que original!). Chama-se "24/7 the passion of life"

Pelo flier que tenho aqui em cima da mesa, parece ser mais uma tentativa de fazer um filme comercial com BDSM em todos os pontos do seu catálogo. Deixa-me, ver, a hora está tardia para ler isto em detalhe, mas palavras que me saltam aos olhos: Domina-Studio, Swingerclub, Stripteasebar, visitados e guiados por uma socióloga que tropeça na filha de um dono de hotel... Hmmm.. isto para mim não começa da melhor maneira, mas vou seguir e quando souber mais digo-vos. Ou vocês dizem a mim, vai dar ao mesmo. De qualquer maneira, ficamos todos avisados e fiquemos atentos.

Terça-feira, 31 de Maio de 2011

Manifestação contra a repressão do trabalho sexual

um pouco por todo lado começa a aparecer trabalho acerca da penalizacao da prostituição e/ou trabalho sexual (vários termos que nem sempre se sobrepoem) , e uma tentativa de chamar os bois pelos nomes e separar diversos assuntos.

Em Franca temos já dia 2 de Junho, quinta feira, a manifestação contra a repressão do trabalho sexual. O trigger é a lei francesa vigente que penaliza os clientes. A prostituição em si não é crime, mas sim o uso da prostituição. Enquanto que se pode argumentar que há situações que acontecem em contexto do trabalho sexual que são para ser combatidas, não é proibir ou penalizar todas as situações desse contesto que se vai nem resolver os tais problemas nem criar uma situação justa. Nao é proibindo a solicitação que se vai acabar com a prostituicao forcada (ou mesmo o trabalho sexual de todo) ou com situações de fragilidade extremas.

Manifestation contre la répression du travail du sexe

Thursday, June 2 · 2:00pm - 6:00pm

Nous demandons l'abolition de la LSI et du délit de racolage passif, qui nous criminalisent, nous stigmatisent, nous précarisent et nous mettent en danger. Nous refusons catégoriquement la pénalisation de nos clients. Payer pour du sexe n'est pas un crime. Laissez nous travailler! Faisons nous entendre! Travailleurs et travailleuses du sexe, ainsi que ceux et celles qui nous soutiennent, sortons du placard et marchons pour nos droits!
contact@strass-syndicat.org

Org: STRASS Syndicat du TRAvail Sexuel




Sexta-feira, 27 de Maio de 2011

perigos inusitados duma vida kinky

Há inúmeros bons artigos, pela Internet fora e não só, acerca dos perigos relacionados com o SM e como os minimizar. Já falámos aqui de regras para as festas, de negociação, falaremos em breve de checklists.

Mas inusitadamente...

Apanhei a primeira carraça da minha vida numa festa kinky num jardim... o que é ainda mais improvável dado que passei os últimos 10 anos da minha vida a fazer todo o tipo e mais algum de atividades outdoor. Enfim. Improbabilidades.


Fiquem portanto com a sugestão para este Verão, kinky outdoor sim, muito boa ideia, mas levar um estojo de primeiros socorros, repelente de insetos e uma pinçazinha.

Segunda-feira, 23 de Maio de 2011

Fetish4all, Augusta Vindelicorum

Este fim de semana fiz 2x600km para ir a uma festa de anos. Acho que não vale a pena explicar como era importante para mim estar presente, ninguém faz 1200km assim sem mais nem menos (a não ser que não tenha vida).

A dita festa foi nas instalações do fetish4all e achei por bem hoje escrever sobre esta associação, porque acho que o trabalho que fazem tem um carácter muito especial.

O fetish4all é uma associação recreativa, não é um clube. Dentro das suas limitações bastante fortes acabaram por ser desenvolvidas características únicas que o tornam muito especial e atraente na sua vocação. As suas instalações são antigas estufas de criação de plantas, abandonadas há muitos anos e em estado de ruína até há poucos anos. Os terrenos, por razoes históricas, das quais eu quero saber o menos possível, são de momento invendáveis e pagam uma renda muito baixa. Os seus organizadores são pessoas dos mais diversos walk-of-life, desde académicos a colarinhos-azuis, queers ou não, e aí por diante...

um grupo de pessoas resolveu pegar na coisa para poder ter um espaço para as suas atividades ligadas ao BDSM. Nem toda a gente gosta de fazer tudo em casa, alem de que é bom ter um sitio para conhecer kindred-spirits. Nesta cidade, Augusburg, com menos de 300.00 habitantes, não havia nada em termos de clubes ou eventos SM, e na cidade mais próxima, Munique, além de ter uma cena muito pequena e mais orientada mais para o fetish que para o BDSM ppd, os preços habituais que o BDSM não-queer cobra são simplesmente estratosféricos e sem oferecer nada de especial que os justifique. A riquesa dos Fugger foi há muito tempo... Sendo assim, fundaram uma associação, à qual qualquer pessoa pode pertencer pagando uma joia anual de 100 Euros. Esse dinheiro paga a renda do terreno e as obras de melhoramento da casa e dos terrenos. Em troca, pode-se usar as instalações, para as quais há um conjunto de regras de utilização e co-responsabilização.

Aos poucos, o jardim foi limpo das silvas que lá cresceram nos últimos 60 anos, e a casa ganhou um telhado por onde a chuva já não entra. Mais tarde uma das estufas recebeu algum equipamento SM, todo muito DIY, sem luxos mas sem descurar a segurança. Há dois anos alguém trouxe uma máquina de lavar. No outono, alguém trouxe um frigorífico... No fim desde inverno construiu-se um laguinho no jardim onde as rãs coaxam ao por do sol. No mês passado foi acrescentado um ponto de suspensão para bondage. As outras estufas, ainda arruinadas, podem ser visitadas e utilizadas, e têm um charme de lost-place.

Devido ao carácter DIY e ao facto de muito do terreno ainda estar arruinado e por reabilitar, é valida a regra "use at your own risk", a organização não se responsabiliza por acidentes. Mas na verdade, na Alemanha, qualquer clube SM tem esta regra.

Talvez pelo facto de a cidade ser pequena (260.000), e precisamente a cena SM ser minúscula, a coesão, mais do que desejável, é uma questão de sobrevivência, e o trabalho de equipa entre pessoas da cena lesbian-queer e da cena mainstream é simplesmente de louvar. Torna a coisa completamente única. De repente uma série de coisas que caracteriza a cena BDSM mainstream (a decoração tipo dungeon, o dress code obrigatório, a musica mais ou menos "gótica ou nem por isso", ou a ausência de regras acerca de limpeza, safe sex ou acerca do consumo de álcool) são discutidas em vez de serem cegamente quotidianas. Há um cross over bastante interessante. os landmarks dos eventos SM queer aparecem num contexto que se reconhece como mainstream: luvas de safer sex, desinfetante, pessoas vestidas simplesmente como lhes apetece...

Para alem de se poder usar as instalações, há festas organizadas, há workshops, e há "dias de porta aberta" em que a associação se apresenta ao resto da população. O próximo é 18.6.2011...

é possível usar as instalações com o estatuto de membro temporário pagando uma joia simbólica. E se alguém quiser contribuir, donativos são mais do que bem-vindos... (http://www.fetish4all.de/node/8)

Por mim, que vivo numa cidade em que há de tudo no que diz respeito a SM (inclusivé uma atitude amistosa), apreciei muito o trabalho que vi e a unicidade da coisa. Achei que mesmo nesta cidade em que há tudo não há um sitio onde posso fazer uma suspensão em bondage numa ruína de uma estufa, ou de fazer simplesmente uma play com a luz rosa do entardecer e ao som de rãs a coaxar. E isto é impagável.

os habituais links que vos preparei com amor e carinho com que me podem ajudar a ter tempo para escrever (o mais insignificante clickzinho ajuda):