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10.09.2010

não, não cantarás!

Não digo que é uma frase politicamente correcta, educativa, ou encorajadora. Simplesmente uma frase que me saiu, a propósito de alguém que defende a monogamia com pequenas falhas higiénicas:

"Gaja, tu não és monogâmica. Quando muito tu és mas é ciumenta".

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8.19.2009

Mostra e Conta I: Regras e Valores


Quer aqui quer no polyportugal tenho evitado histórias pessoais, mas ando a chegar à conclusão que é exagero meu. Vou tentar começar uma série de "mostra e conta", em que me vou basear no arquivo de entrevistas que dei ou conversas que tive no skype e nerdices semelhantes.

O texto que se segue é uma adaptação das respostas às perguntas "Que regras é que tenho na minha constelação actual, e quais as regras e valores mais importantes" e "como se gere o tempo e o ciume". Para quem não está completamente por dentro, há em meios poly a crença (sim, crença) muito espalhada que as relações poly funcionam bem quando há um bom e sólido sistema de regras, associado com a comunicação como um valor universal über alles, por isso é uma pergunta inevitável e pertinente. Eu começo a distanciar-me disto, embora continue a recomendá-lo.

Tive muitas relações com regras, principalmente no principio desta aventura (aka a minha vida poly, há quase vinte anos). As regras ajudam porque definem o domínio, o espaço, muitas vezes maior do que pensamos, onde somos livres. Criam uma ideia em primeira aproximação (um pouco errónea) de segurança que ajuda a criar as bases para uma segurança de facto, à posteriori. Mas também pode acontecer que as regras podem estar mal definidas, por exemplo porque as pessoas conhecem mal as suas próprias necessidades necessidades, ou dos parceiros, ou porque numa altura precisam mais de segurança do que noutras, etc.

Neste momento, e porque muita coisa está a mudar na minha vida e na de todos os componentes da minha constelação (incluindo os componentes de segunda geração, ou seja, os amores-genros, os amores dos meus amores), mandámos a maior parte das regras pela janela porque simplesmente não estavam a trazer nenhum acréscimo de segurança ou bem-estar. A única regra neste momento é falar uns com os outros e avisar por exemplo se há ou vai haver "mouro na costa". Mantivemos esta regra não por ser uma "boa regra universal" mas porque no nosso caso particular não somos imunes a ciume, e embora queiramos ser livres e que os outros sejam livres, não queremos surpresas ou ter que ver certas coisas acontecer à frente do nariz, pelo menos em certas situações de fragilidade. Fazemos regras pragmáticas para certas situações e janelas temporais e deixa-mo-nos de regras gerais, neste momento não faz sentido. Claro que a regra de falar muito no meu caso é ridícula pois é automático, eu não seria capaz de ter uma relação onde não se falasse, é algo da minha natureza fala-barato e que me é fundamental. Há claro regras no que diz respeito a fazer espaço para ver-mo-nos, acerca de saúde (Sexual e não só), acerca de dinheiro, férias, escolha do desenho de um apartamento e distribuição dos moveis na casa (São poly friendly? geram privacidade? tornam processos e decisões transparentes), coisas práticas e comezinhas mas que estruturam muito.

Dito tudo isto, onde quero chegar, é que o valor supremo para mim é a confiança, mais do que a comunicação. Como explicarei mais abaixo, para mim a comunicação é uma óptima (das muitas existentes) maneira de atingir confiança e respeito. Outros funcionarão de outra maneira. Por outras palavras, vejo a comunicação como ferramenta para a confiança e não como fim em si.

Ilustrando com o exemplo da gestão do ciume e do escasso tempo, vemos ad nauseam em discussões electrónicas a defesa da comunicação mas IMHO no geral o truque subjacente é criar confiança e ou evitar situações que são fragilizantes para outra pessoa. Se isso é feito através de diálogo, através de regras detalhadíssimas, ou de regras gerais, ou simplesmente de "eu não quero ver nem saber o que fazes mas tens a minha bênção" é uma questão pessoal. Não funcionamos todos da mesma maneira, não criamos confiança todos da mesma maneira, nao somos felizes da mesma maneira. Para finalizar, e à laia de comentário, o "respeito" anda de mãos dadas com esta confiança. Se se respeita alguém, é ainda possível magoar alguém, via mal entendidos ou boas intenções daquelas que sobrelotam o Inferno, etc mas é bastante menos improvável do que magoar simplesmente porque, não havendo respeito, ser completamente igual ao litro se algo magoa ou não.. No caso do tempo, acho que o respeito toma o mesmo papel. Nao faz sentido definir ou regular quando é que se está com alguém se se calhar não se quer isso sempre ou o método oblitera ao objectivo. Mas o respeito, e em particular o saber que aquela pessoa está comigo quando está porque naquele momento quer, é para mim determinante. Posso assim, a titulo de exemplo e exagerando um pouco, estar numa relação em que, por exemplo, vejo a pessoa 5 min numa semana e estar felicíssima e completa, enquanto que passar todo o dia com alguém que não me trata dessa maneira é um exercício estéril de organização e manipulação do tempo...

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3.23.2009

Vicky Cristina Barcelona

Um pouco fora de época já, e ainda nem sequer o vi, tempus fugit

Mas "polies" e "nao polies" que o viram dizem que o filme, principalmente os diálogos sao mais do que poly q.b..
Nao se pode dizer que a(s) relacao/oes que o filme retrata sao poly, ou pelo menos eu tenho dificuldade em dizer que ha um real triângulo em desenvolvimento, mas as aproximacoes sao suficientes para que os diálogos se tornem pertinentes.

Vicky Cristina Barcelona


Duas amigas a passar férias em Espanha interessam-se pelo mesmo homem, um pintor, sem saber que a ex mulher dele, com quem ele tem uma relacao turbulenta, está prestes a fazer uma rentrée...

resumo (com spoilers):
http://www.imdb.com/title/tt0497465/synopsis

6.26.2008

Filme: Futurama, The Beast with a Billion Backs


Tem poly lá dentro, e poly-humor também:

Futurama, the beast with a billion Backs



"and Fry starts a new relationship with a girl named Colleen. However, it is not long before he realizes that Colleen has four other boyfriends all at once. Fry is unable to accept how she can't settle for one man and breaks up with her"


"Yivo admits that mating with everyone in the universe was its original intention, but explains that it is now truly in love with them"


"Everyone laments how they will never know love or happiness with Yivo again. Bender assures them that what they experienced was not love, as love doesn't share itself with the world, or so he claims. Bender shares his love with Fry and Leela by giving them a big hug, which strangles them."
Para quem se pergunta de onde poderá vir o nome, "Million Backs", na obra que consagrou o CIÚME na literatura, o Othello, de Shakespeare, Iago, esse grande chato, usa, com maldade, e para provocar raiva e ciúme, a metáfora "eles estarao neste momento fazer o animal de duas costas", para se referir a Desdémona fazendo amor com o Mouro de Veneza (I am one, sir, that comes to tell you your daughter and the Moor are now making the beast with two backs).
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1.02.2008

Quando há que dizer: o poliamor talvez nao seja para mim...

Devia comecar o ano com um post optimista, mas o vento nao está de feicao, por isso aguentem-se!
Já se discutiu sobejamente aqui o tipo e frequência de reaccoes que as pessoas teem quando confrontadas com a ideia de poliamor. Nao me refiro a ter conhecido uma carinha laroca e ter de lhe fazer o meu come out poly, mas á situacao de estar a conversar despreocupadamente com alguém, e apanhar com as reaccoes que ja se sabe... nao muito más mas também nada de especialmente empático.

Sendo este blog um pouco um blog de informacao e divulgacao (nao no sentido de converter toda a gente a um modo de vida poliamoroso, mas no sentido de demonstrar que o poliamor é um modo de vida válido e merecedor de respeito) eu se calhar nao devia trazer este tema. Mas "eles andem aí...".

Há pessoas que tentam ter um modo de vida poliamoroso. Definem-se poliamorosas. Teem n+1 namorados, por ex. E conseguem estabelecer um equilíbrio, inclusivamente ao longo de vários anos, para que ninguem tenha ciúmes, ninguem se sinta mal, conseguem que a coisa funcione. Mas... Mas simplesmente nao aguentam quando uma das suas namoradas tem alguém...

Situacao engracada, porque pensamos estar a lidar com uma pessoa poliamorosa, com quem comunicamos em "lingua" poly, com background poly, mas na verdade estamos em "no man´s land". Ainda por cima sem ter especial cuidado em eliminar malentendidos porque achamos que tudo vai ser mais fácil "ah, porque ela é poly, que fixe!".

Tenho vivido recentemente isso.... Interessei-me há coisa de uns meses (enquadramento temporal propositadamente nebuloso para proteger a identidade das pessoas em questao) por duas pessoas poly, numa relacao poly... A relacao entre elas existe ha mais de uma dezena de anos. Chegámos mesmo ao ponto de discutir de modo ligeiro, meio a sério meio a brincar, mas com um brilhosinho nos olhos, a óbvia utopia possível mas óbvia que se entrevia á nossa frente. Mas de um momento para o outro, descambou, precisamente porque uma delas teve ciúmes, uns ciúmes completamente absurdos tendo em conta a situacao. E quem teve ciúmes foi precisamente quem tem uma segunda namorada, ha coisa de anos.

Agora o que teria entre maos seria, se eu o permitisse, uma telenovela mexicana, mas nao me apetece. Nao vou entrar em pormenores sobre o que está a passar porque a historia está a correr ainda, e há muita gente para quem este blog nao é anónimo :-). Só digo: vou eventualmente lutar por aquilo que me apetece (Que já nao é nenhuma utopia possivel, mas uma história pragmática e cautelosa com uma das personagens)... nao me vou retirar da situacao para evitar os ciúmes desnecessários de alguém. E quando a poeira tiver assentado um pouco mais sobre esta história, partilharei os detalhes escabrosos aqui.

Este blog tem falta de alguma audiência, por isso telenovelas mexicanas, cenas escabrosas e escandalosas, situacoes rocambolescas podem talvez ajudar a aumentá-las!

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9.10.2007

rita lee: "desculpe o auê", sobre ciumes

Rita Lee: Desculpe o Auê

Desculpe o auê, eu não queria magoar você
Foi ciúme, sim, fiz greve de fome, guerrilhas, motim
Perdi a cabeça, esqueça

Desculpe o auê, eu não queria magoar você
Foi ciúme, sim, fiz greve de fome, guerrilhas, motim
Perdi a cabeça, esqueça

Da próxima vez eu me mando, que se dane o meu jeito inseguro
Nosso amor vale tanto, por você vou roubar os anéis de Saturno


Quem quiser tocar pode sacar a tablatura daqui:
http://cifraclub.terra.com.br/cifras/rita-lee/desculpe-aue-zgww.html

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5.31.2007

A Design for Living


"A Design for Living"....


traduzido em portugues como "uma mulher para dois"

alguem se lembra?
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3 adultos acabam a viver juntos, e a ser felizes, e sem que o filme tenha um final moralista!!!
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Este filme é de 1933. 1933!!!! nao se passem, ok??
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5.08.2007

Sobre o ciúme




três tristes tigres

A alegria de estar cansada
(regina guimaraes, ana deus e paula sousa, 1992)

A luz que adia o limite
Chama-se ciúme.
Muitos confundem-na com a sombra
Porque nunca andaram com a sombra ao colo
Nem conhecem a leveza dos fardos.

O meu fardo rasgou-se
E tudo se espalhou á minha volta.
Por isso nada do que digo tem conteudo
E as palavras sao sementes de discórdia.

A sombra avanca
ou sou eu que recuo.
A luz é guarda roupa
O contrário dela é pouca luz
e nao nudez.

Com o ciúme as contas nao batem certas.
Quem sou eu para falar de mim?




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10.17.2006

Incompatibilidade social: flirt, e relacao romântica a dois/duas

Recentemente foi enviada para a lista PolyPortugal a seguinte peca:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2006/09/060926_flerte_dg.shtml

segundo esta, o flirt apimenta as relações, e mais uma série de lugares comuns em estilo jornalista "boulevard". Mas o que me chamou a atenção, é que, do modo como está escrito, deduz-se que a convenção social não espera que o tal flirt seja um comportamento correcto numa relação monogâmica.

Bem, mais uma vez fiquei chocada, porque embora não seja uma pessoa que goste de flirts e jogos, não percebo onde está aqui o factor "magoar/engano/etc". Talvez alguém me possa explicar? Mas enfim, talvez eu esteja tão "corrompida" que já não consiga entender a psicologia das "relações românticas a dois/duas".

Apressadamente, ainda de férias, divirtam-se!

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1.06.2006

"Bem Aventurada Infidelidade", um livro

Obrigada á Nina pela sugestão :-)


"Bem-aventurada infidelidade", de Paule Salomon, 2003

"No século XXI a fidelidade talvez não seja já uma virtude, fonte de felicidade e estabilidade, mas sim um medo a abrir-se aos outros, a autorizar-se o desejo e a afirmação de si mesmo. E a infidelidade, ou poli-fidelidade, pode ser concebida não como um factor que perturba a
paz conjugal, mas sim como fidelidade a nós próprios. Em
Bem-aventurada infidelidade Paule Salomon explora, em inúmeros exemplos extraídos da sua experiência como terapeuta, esse obscuro e secreto continente do íntimo e da paixão, do desejo e do ciúme."

ver: http://www.paulesalomon.org

Edição francesa: Bienheureuse Infidélité, Paule Salomon, Editions
Albin Michel, Collection Essais, 2003, 260 p., 18.90€

Edição espanhola: Bienaventurada Infidelidad, Paule Salomon, Editorial
Obelisco, Colección Nueva Consciencia, 2005, 256 p., 11€

12.15.2005

Encontro no Fim do Mundo: os Moso

(Ou mais um post sobre não-monogamia)

Um documentário a ver, se possível: "
Un monde sans pére ni mari: chez les Moso", (Eric Blavier, Thomas Lavarechy).

Na verdade não vi o documentário. Ouvi os comentários em segunda mão e desencadeei uma busca na net. Não vou escrever tudo aqui para vos deixar o prazer da descoberta e da investigação.

Os Moso são um povo que vive na China, junto ao Tibete, nas margens do lago Lughu. São 30.000 pessoas que tem visto as suas tradições bastante antigas mais ou menos preservadas.

Em poucas palavras, a sociedade Moso é matriarcal. As mulheres têm o papel predominante na sociedade e querem, podem e executam todas as tarefas. O poder e a influência passam da mãe para a filha que ela considera mais inteligente.

A mulher ao chegar à idade adulta adquire o direito de escolher amantes que recebe em casa dentro de um esquema que preserva a discrição mas que não tem nada de clandestino. As crianças que nascem destes enlaces são criadas dentro da família, ás quais o pai biológico não pertence. Pares que se amam encontram se discretamente mas em liberdade e sem compromisso. Por outras palavras, não usam do conceito de monogamia.

Não existe palavra para marido nem para pai, o que não quer dizer que os homens não participem da educação das crianças ou da sociedade em geral. Simplesmente desaparece completamente a ideia do pai biológico com direitos sobre a prole e a ideia de patriarca.
Adicionalmente, não há crime nesta sociedade, que não é tão pequena como isso. Ainda menos há crime passional. O ciúme é considerado uma doença infantil, que aparece muito pouco e, que ao contrário de entre nós, ocidentais, quando aparece não é encorajada.

O que vos mostro aqui não é o modelo que eu quero seguir, ou a sociedade utópica dos meus sonhos. É apenas mais um modelo dissidente daquele em que crescemos e nos habituamos a pensar que é o único possível. Quero apenas mostrar que em termos de relações, se não tentamos seguir o modelo monogâmico e patriarcal ocidental em que crescemos, há provavelmente tantas soluções como pessoas. Este é apenas um dos modelos possíveis. Não é o que eu escolheria, embora me pareça melhor do que é mainstream entre nós.

Link para o documentário: "
Encontro no fim do Mundo, o povo Moso", (Eric Blavier, Thomas Lavarechy).

Link para um artigo que
comenta o documentário.

Link para o resumo do romance "
Leaving Mother Lake": para quem não quer seguir a documentação mais sociológica, está aqui um romance à volta de uma jovem Moso que deixa a sua vila para seguir uma carreira como cantora e se confronta com a cultura chinesa: Leaving Mother Lake

e um link para o livro Quest for Harmony: The Moso Traditions of Sexual Union and Family Life

E finalmente um
artigo cientifico sobre adopção e casais convencionais à luz da sociologia dos Moso.

(Agradeço a K. a dica, mesmo quando não apoia a ideia de poliamory, mas me apoia a mim, e aproveito e agradeço um ano fantástico!)

boa leitura!

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