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10.16.2010

Oh, whistle, and I will come to you, my lad!

Ameacei começar e continuar a falar de trios há quase um ano....e na verdade este texto tem também quase um ano (sou vaga de propósito acerca das datas para proteger a identidade das pessoas a que diz respeito)



"Continuo por aqui muito contente com o meu trio, uma das componentes da minha vida emocional raramente aborrecida. Estava relutante em falar disto porque ainda não definimos a coisa, e até porque precisamente o não ter definido a coisa com elas me estava a fazer comichão, a mim, académica empedernida. Até que tive uma epifânia, por voz de uma delas, a mais prática e mais "novata" nestas andanças não monogamicas, a propósito do sentimento que tem acerca de ter uma neta que é, para os mais técnicos de vós, a neta da ex-namorada: "Eu não quero saber o que é que vocês lhe chamam ou mesmo eu cá por dentro lhe chamo, mas o que me interessa é o que eu faço ou que esperam que eu faço. Estou me a borrifar como se chama a relação que tenho com ela. Eu só sei que a minha neta precisa de mim, apita, assobia, ri ou chora, e eu estou lá no mesmo instante". E sim, se calhar não é preciso ir buscar o arsenal de nomes e definições.. Somos amigas? Somos amantes? Queremos ser amantes? Queremos ser amigas? o que é que isso interessa se se calhar até temos nomes iguais para práticas diferentes ou nomes diferentes práticas? se calhar a coisa é toda simplificada por concordarmos no que queremos fazer juntas e no que queremos dar umas às outras. E o resto fica para discutir ociosamente num dia de chuva preguiçosamente passado em casa.

E para quem tudo isto é muito pessoal, fica mais um livrinho mais ou menos indiscreto acerca de trios. Para quem leu o seu Jack Kerouac "On the Road" e tem olho para especular para além das aparências, o livro Off the Road: Twenty Years with Cassady, Kerouac and Ginsberg by Carolyn Cassady não trará surpresas. Trocando por miúdos, a mulher de Neal, e amante de Jack, conta a sua versão dos acontecimentos que deram origem a "on the Road" e da sua vida com o seu marido - o modelo para a personagem Dean Moriartry. Por um lado ela revela claramente o que se passa entre Jack e Neal, mas apenas sugere ambiguamente uma relação física entre os dois homens."

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7.12.2010

Digest: o que ando a aprontar (to be continued)

Resolvi lentamente voltar às lides organizativas. Fiz cerca de dois anos de pausa. Após a co-organização da marcha do orgulho no Porto, e de muitos encontros poly em Portugal e na Alemanha, e muita outra tralha mais, precisei, por motivos de saúde, de uma pausa. Agora lentamente começo a esticar os músculos organizativos e apetece-me começar a meter o bedelho nisto e naquilo.

Comecei me a interessar, via "a minha vida poly", por constelações familiares alternativas, e pela co-educação. E a partir de certo ponto, desvinculei o tema poly do tema da co-educação e comecei a interessar-me por constelações alternativas em volta ou dirigidas à "gente miúda", ou em que isto seja priorizado em relação às relações entre a "gente graúda" (aka "adultos").

Falei-vos do campo "quem vive com quem" que lançou uma série de discussões e criou massa crítica...
http://laundrylst.blogspot.com/2010/06/campo-quem-vive-com-quem.html


e falei-vos do encontro que se seguiu, em Berlim, no fim de Janeiro...
http://laundrylst.blogspot.com/2010/02/uma-sessao-de-aconselhamento.html

Deste ultimo encontro, que foi bastante grande, houve algumas pessoas que se interessaram pelo tema da parentalidade alternativa em si, e menos pelas questões ligadas a famílias "tradicionais", mesmo que constituídas por pares do mesmo género. E uns quantos de nós juntaram-se, e estamos a tentar começar o encontro regular "queer mit kind" (
queer com miúdos).

Estamos ainda a escrever o manifesto, mas posso-vos deixar uns lamirés (E prometo voltar a escrever com mais cuidado sobre isto assim que tiver novidades).

"
Somos o grupo "queers com miúdos" (Aka parentalidades*), e somos um grupo de adultos, de background queer e de esquerda, que procuram criar um encontro para discussão e eventual intervenção na sociedade, acerca de modelos de educação alternativos, sua aplicação na sociedade, sua aceitação, bem como investigação das possibilidades de relações com os outros adultos envolvidos na educação de uma criança. Procuramos para isso outros queers radicais que desejem assumir parentalidade(s) numa perspectiva *concreta* e de longo prazo.."

Falta-me arranjar uma tradução gender-neutral de
parentalidades*. Sugestões?

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6.08.2010

"e as crianças, senhor?": Campo "quem vive com quem"

Mais um evento que não é directamente poly mas bastante poly relevante.
Trata-se do acampamento "Quem vive com quem" (Who lives with who, why and how), que trata simplesmente de abordar os temas e definições acerca de família e vida privada, nunca esquecendo que por muito privada que seja, não deixa de ser prementemente político. Nomeadamente, quando se toca no tema "crianças", mesmo em sectores revolucionários, geralmente vem associado todos os termos habituais como "família nuclear", "pais", "família de referência" e outras soluções ou constelações são geralmente consciente ou inconscientemente ignoradas.

Para quem pensa noutras constelações, ou já passou do pensamento à prática, este é um sitio para partilha de experiências e conspiração de utopias. Possíveis, claro.

25.07-01.08.2010, perto de Berlim.

http://werlebtmitwem.blogsport.de/camp-2010/english/


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2.22.2010

Um "bébe com seis cabecas" ou um "bébé com seis pais"?

Este fim de semana viu várias calamidades naturais e humanas, como por exemplo as enxurradas na Madeira ou a manifestação pela familia tradicional com slogans brilhantes do calibre de "A natureza diz nao" ou "Gosto tanto dos meus avós" (Alguém vai ter de me explicar esta..) e a presença sempre lustrosa da extrema direita. Sim, os tempos estão de feição a quem acha que é democrático permitir uma manifestação de pessoas que acham que se devem limitar os direitos a outras pessoas, ou julgar ou emitir opiniões sobre a vida privada de outrem. A condizer com isto, podia aparecer um título no jornal a condizer com tantos portentos e sinais certos de Apocalipse, como "Bébé com seis cabeças". Mas não, nada disso, aparece antes "Bébé com seis pais" e parece coisa mais agradável ao nosso palato poly:

(fonte: TimeOut, tip da underscore)

Um bebé com seis pais

http://timeout.sapo.pt/images_Site/space.gif
Já ouviu falar da família tradicional? Pois esqueça tudo. Bruno Horta explica porquê.


Que acontece a um casal quando decide ter filhos? Desiste do lado divertido da vida? É nessa altura que entra realmente na idade adulta? E se esse casal for constituído por duas lésbicas e partilhar a intimidade com um amigo gay, que será o pai biológico da criança?

Atenção: na peça Com o Bebé Somos Sete, que a companhia Escola de Mulheres apresenta até ao fim do mês no Clube Estefânia, o facto de o casal ser lésbico e polígamo não é sequer um tema. É apenas um dado adquirido. Os temas, analisa a encenadora, Marta Lapa, são outros: “Fala, de forma muito bonita, sobre homoparentalidade e pergunta o que é a normalidade nas relações e qual o caminho a seguir pelas pessoas, quaisquer pessoas, quando estão na eminência da paternidade.”

O texto original (And Baby Makes Seven) foi escrito em 1984 pela dramaturga americana Paula Vogel e estreado nesse ano em Nova Iorque. Vogel é presença constante nas produções da Escola de Mulheres, que já apresentou cinco peças da sua autoria, contando com esta. “É uma escritora de temas interventivos, ou fracturantes, como se queira chamar, uma escritora brilhante, que consegue disparar para vários lados ao mesmo”, explica Marta Lapa.

As três personagens que vemos em palco são, na verdade, seis. Anna, Peter e Ruth (Cristina Carvalhal, Margarida Gonçalves e Sérgio Praia) são adultos mas albergam neles alter-egos infantis, que os dominam por completo. Raramente têm conversas sérias. Passam a vida a inventar situações imaginárias para as suas personagens e brincam uns com os outros como crianças. O que não impede que vão deixando cair, aqui e ali, potentes frases adultas, obviamente políticas. “Vocês não podem estar contra a verdade”, diz uma delas, no meio de uma discussão. “Podemos, sim senhor, isto é uma democracia”, respondem-lhe.

No fundo, são três adultos, em triângulo amoroso, que não querem deixar de ser crianças. Mas desejam um filho e têm medo que a criança os obrigue a desistir do lado divertido e infantil em que vivem.

Nesta fábula, ou tragicomédia, como lhe chama a encenadora, é ainda aflorado o tema da sida, talvez devido ao contexto da época em que foi escrita – o início da epidemia nos EUA. A peça é apresentada numa altura em que o casamento e a adopção gays estão na ordem do dia. Mas isso, no dizer da encenadora, “é apenas uma feliz coincidência”. “Já tínhamos pensado nesta produção há mais de um ano, quando não se sabia se esta temática estaria em discussão na sociedade portuguesa”, esclarece.

Com o Bebé Somos Sete, de Paula Vogel. Clube Estefânia, R Alexandre Braga, 24. Qui-Sáb, 21.30; Dom, 16.00. Bilhetes: 10 euros.

terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

Timeout

2.15.2010

uma sessao de aconselhamento


Saquei isto dum flier dum encontro regular sobre familias queer e crianças a que fui recentemente. O encontro destina-se a tentar criar massa critica para aconselhamento, apoio e desenrascanso para famílias não mainstream, seja pela orientação sexual ou de género dxs educadores (ou pessoas envolvidas), quer pelo papel emocional não necessariamente de cônjuge de vários educadores. Ou seja, este encontro cobre necessariamente (E demograficamente era a maioria) famílias com n pessoas, em que n, o numero de educadores ou pessoas envolvidas com as crianças, é maior que 2 e não necessariamente um numero inteiro.

Como devem calcular, questões como educação, procurações, custodias, podem ser complicadas de gerir, quando mais que duas pessoas, e fora de um quadro legal do género dum casamento, se envolvem na educação de uma criança. Logo faz todo o sentido criar uma rede destas. Só a parte jurídica é um pesadelo hiper-realista.

A fonte é www.ka-comix.de


Tradução:
"Bom dia! Apresento-lhe a minha companheira, estxs aqui partilham comigo o apartamento, e são co-mães, apresento também a minha mulher, a minha ex (Agora a minha melhor amiga) e os dois futuros papás!" "Precisamos duma pequena consulta de aconselhamento acerca de direito familiar, nomeadamente acerca da custódia da criança (não demoramos muito, seria o acrescento meu)"


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1.25.2010

trios, mais um livro e uma história na primeira pessoa..

Ameacei comecar e continuar a falar de trios há cerca de duas semanas....


Continuo por aqui muito contente com o meu trio, uma das componentes da minha vida emocional raramente aborrecida. Estava relutante em falar disto porque ainda não definimos a coisa, e até porque precisamente o não ter definido a coisa com elas me estava a fazer comichão, a mim, académica empedernida. Até que tive uma epifânia, por voz de uma delas, a mais prática e mais "novata" nestas andanças não monogamicas, a propósito do sentimento que tem acerca de ter uma neta que é a neta da ex-namorada: "Eu não quero saber o que é que vocês lhe chamam ou mesmo eu cá por dentro lhe chamo, mas o que me interessa é o que eu faço ou que esperam que eu faço. Estou me a borrifar como se chama a relação que tenho com ela. Eu só sei que a minha neta precisa de mim, apita, assobia, ri ou chora, e eu estou lá no mesmo instante".

E sim, se calhar não é preciso ir buscar o arsenal de nomes e definições.. Somos amigas? Somos amantes? Queremos ser amantes? Queremos ser amigas? o que é que isso interessa se se calhar até temos nomes iguais para práticas diferentes ou nomes diferentes práticas? se calhar a coisa é toda simplificada por concordarmos no que queremos fazer juntas e no que queremos dar umas às outras. E o resto fica para discutir ociosamente num dia de chuva preguiçosamente passado em casa.

E para quem tudo isto é muito pessoal, fica mais um livrinho mais ou menos indiscreto acerca de trios. Para quem leu o seu Jack Kerouac "On the Road" e tem olho para especular para além das aparências, o livro Off the Road: Twenty Years with Cassady, Kerouac and Ginsberg by Carolyn Cassady nao trará surpresas. Trocando por miúdos, a mulher de Neal, e amante de Jack, conta a sua versão dos acontecimentos que deram origem a "on the Road" e da sua vida com o seu marido - o modelo para a personagem Dean Moriartry. Por um lado ela revela claramente o que se passa entre Jack e Neal, mas apenas sugere ambiguamente uma relação física entre os dois homens.

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7.18.2009

Research: LGBT/Q families/parents in radical socio-political contexts

Divulgo, porque poly relevante e poly on topic:

(entrem em contacto através do site abaixo indicado, quer para receberem o abstract quer para saberem mais, ou mesmo para participarem)


Hello,
I'm doing research, together with 2 other people, about "LGBT/Q families/parents in radical/autonomous socio-political contexts". We are seeking participants who are part of alternative political (radical and libertarian groups), social (squats, communes) and/or
cultural (polyamory, queer, S/M) contexts. We are interested in non-ordinary (or non nuclear family) households which are containing at least one LGBT/Q person with/and children/child. We would like to ask them about their experiences in everyday life, about their visions (utopian, political, social ones) and their relationships towards radical contexts and wider society.

Because of purpose of this research (Conference on LGBT families in Ljubljana, October) we would prefere participants from "new" European countries (e.g. Poland) or other Eastern countries, but it's not neccessary. Imperative will be interesting biography/story.

Bacuese of the geographical distance we'll not be able to do all interviews face to face, but we woould appreciate if participants would take some time and answer us per e-mail...

I'm also sending you are (working) abstract...

So if anyone knows some person/s who can be inetersting for us, please forward this e-mail and feel free to contact us. We would be very gratefull!

solidarity greetings,
Mate

www.masa-hr.org



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7.11.2009

Manifesto da 4a Marcha do Orgulho LGBT Porto

Sábado, 11 de Julho15 horasPraça da República
:: Manifesto da Marcha do Orgulho LGBT no Porto 2009 ::

Há 40 anos, no bar Stonewall Inn, em Nova Iorque, pessoas homossexuais, bissexuais e transgéneras revoltaram-se e pela primeira vez reagiram e defenderam-se dos sistemáticos actos de agressão e opressão das forças policiais. Foi o início da luta pelos direitos das pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais/Transgéneras (LGBT). No ano seguinte, realizou-se a primeira Marcha do Orgulho LGBT – orgulho pela coragem de resistir.

No Porto, a 1ª Marcha do Orgulho LGBT foi impulsionada pelo brutal assassinato de Gisberta Salce Júnior, uma mulher transexual. Estávamos em 2006 e pedíamos “um presente sem violência, um futuro sem diferença”. 2007 foi o Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos. As uniões de facto foram finalmente reconhecidas no Código Penal, sem distinguir casais de pessoas do mesmo sexo e casais de pessoas de sexo diferente. Por outro lado, apesar de muito se ter falado na necessidade de pôr termo à discriminação das mulheres no trabalho, nada se disse, por exemplo, sobre a dificuldade que transexuais e transgéneros têm em conseguir um emprego. Exigimos a inclusão da identidade de género no artigo 13º da Constituição da República Portuguesa e uma Lei de Identidade de Género Porque a igualdade de direitos não é adiável ou negociável, exigimos a cidadania plena para todas e todos.

Ano após ano, lembramos que o Estado tem a obrigação de se empenhar activamente na luta contra o preconceito. Porque a educação é fundamental, exigimos acções de formação anti-discriminação nas escolas, nos tribunais, nos estabelecimentos de saúde, nas esquadras. Em todos os pilares da democracia. Em 2008 congratulámo-nos com as medidas tomadas no âmbito da educação para uma saúde responsável, mas lamentámos o facto de a educação continuar a ter como base um modelo heteronormativo, que não corresponde à pluralidade das práticas familiares do Portugal do século XXI.

Na linha de todos os alertas e reivindicações que temos vindo a fazer, hoje pedimos a todas e todos que façam connosco uma reflexão sobre uma temática transversal e central de todas as sociedades: a FAMÍLIA.

Os argumentos em defesa do que é normal e tradicional são recorrentes quando se fala de famílias que não obedecem ao paradigma 1 homem +1 mulher = filhos. Mas o que é "normal"?
No Império Romano havia escravatura. Era normal. Diversas formas de escravatura são ainda consideradas normais em vários locais do mundo. No entanto, Portugal foi um dos primeiros países a abolir a escravatura, no século XVIII. A pena de morte também é histórica e ainda se aplica em diversos países. Portugal foi o terceiro país a abolir a Pena Capital, em finais do século XIX.

Avancemos para meados do século XX e para as coisas normais do mundo ocidental. O casamento inter-racial era proibido em muitos países, sob a justificação de que iria desvirtuar a instituição do casamento e porque a seguir teríamos o incesto e a bestialidade. Era normal obrigar os canhotos e escrever com a mão direita. Era normal os surdos não terem uma língua própria. Era normal os negros serem obrigados a viajar na parte de trás dos autocarros. Era normal uma mulher primeiro ser propriedade do pai para depois ser propriedade do marido. Era normal as mulheres não poderem votar nem usar calças de ganga. Era normal dizer-se que o preservativo e a pílula iam acabar com a família. Era normal haver filhos em todos os casamentos. Era normal o casamento ser para toda a vida mesmo que as pessoas fossem infelizes.

O normal é o que a maior parte das pessoas faz, ou acredita que se faz, num determinado momento. Não quer dizer que as práticas minoritárias estejam erradas. Aliás, o normal muda com os tempos...

Não se pode negar a diversidade de modelos familiares existente.

Um lar pode ter como núcleo um relacionamento monogâmico entre um homem e uma mulher, entre dois homens, ou entre duas mulheres. Mas também há relacionamentos amorosos responsáveis entre mais de duas pessoas. Assim como há famílias cuja base é a amizade, e não o amor, ou o sangue. Todas estas famílias existem. Umas têm filhos, biológicos ou adoptados, outras não.

O problema é que algumas destas famílias não são reconhecidas pelo Estado, ou são tratadas como famílias de segunda.

Há menos de 100 anos, o casamento normal seria a união entre duas pessoas com a mesma cor de pele, a mesma religião, do mesmo estrato social e de sexo diferente. Permitiu-se a anormalidade dos casamentos inter-raciais, a modernice de casar por amor, a leviandade de não se pensar nos interesses religiosos ou patrimoniais das famílias. Permitiu-se o amor. O casamento passou assim a ser o coroar de uma relação, o querermos que seja “para sempre” (pelo menos até ao dia do divórcio). As pessoas com orientações afectivas ou sexuais diferentes da maioria também cresceram neste país, e é normal que vejam no casamento civil a legitimação e dignificação do amor que sentem por outra pessoa.

E é disso que falamos: de amor.

Nem todos temos o desejo de encontrar a alma gémea, casar e ter filhos. Mas quem tem esse sonho deve ter igualdade de acesso ao casamento civil. Todos devemos ter o direito de escolher o modelo de família com que mais nos identifiquemos, e o estado tem de dar as mesmas oportunidades a todos e todas.

É urgente que o Estado reconheça o direito à igualdade para todas as pessoas, para todas as famílias. É necessário que ninguém seja discriminado. Somos uma sociedade diversa. Sejamos verdadeiramente inclusivos.Por tudo isto marchamos e afirmamos:

“Na felicidade e na dor, o que faz a família é o amor!”


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7.07.2009

Dois homens educam uma criança não estando juntos

Há quem ache que é preciso um casal, dois adultos em relação amorosa para educar uma criança.

Que tal duas pessoas, neste caso específico, dois homens, que são amigos, não interessa para o caso, mas são heterossexuais, e nem sequer grandes amigos, mas que decidiram educar uma criança juntos?

porque é que isto é poly? porque sai fora das categorias de relação esperadas entre as pessoas.

"que relação tem com esse senhor?"
"é o pai da minha filha"
"ah, é seu namorado"
"não, nem de perto nem de longe"

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5.07.2009

Love you two

Um romance acerca de bi e poly.

Love You Two é o primeiro romance de Maria Pallotta-Chiarolli. Uma adolescente descobre, por acidente, que a mae é poly: tem um namorado para além do marido, e todos sao abertos e francos e ninguém morre por causa disso. ..


5.04.2009

Recurso para pais poly

Enquanto muita gente ainda se perguntam se o modo de vida poly é fazível, ou possível em termos práticos, outras pessoas limitam-se a vivê-lo.

Algumas, não poucas, têm filhos e não abdicam do seu modo de vida poly. No entanto, há sem dúvida uma série de pontos que tornam a sua vida diferente do mainstream, e onde precisam e/ou querem partilhar com outros. Sem dúvida que uma vida poly, ou com interesse por, terá impacto na maneira como vêem ou passam à prática a educação dos seus filhos.

No yahoo há uma lista de discussão e auto-suporte para "pais poly":

http://groups.yahoo.com/group/LovingMorePolyparent/

A última vez que vi, tinha cerca de 170 membros.

5.09.2008

I've Got Five Moms And Three Dads


Continuando a série de músicas poly ou polypertinentes..

Tom Hunter, "I've Got Five Moms And Three Dads",
http://www.peteralsop.com/EbenezersMakeOver.htm#FiveMoms

We all live in a big old house
8 adults, 6 kids and one pet mouse
2 dogs, 3 cats and a parakeet
We got a great big garden and we never eat meat
My room’s upstairs and down the hall
It’s the one with the crayons all over the wall
3 other kids share the room with me
We’re just one big crazy family
And I’ve got 5 moms and 3 dads
It may sound strange, but it ain’t so bad
When you get tired of one, you can go find another
It’s a whole lot better than one dad and mother.

It’s not as confusing as it might be
At least I know which mom and dad had me
But some of the adults wonder if it’s okay
To go on raising their kids this way
I keep saying everything’s just fine
‘Cause mostly we have a pretty good time
It’s hard to explain just what you missed
If you’ve never had a home like this
Where I’ve got (Chorus)

I suppose some day when I’m all grown up
They’ll take a survey to see if I’m screwed up
Asking all of us hippie kids
What we think of what our parents did
I’ll have to ask which parents they mean
I’ve got a whole lot more than most kids I’ve seen
And if we haven’t solved all the problems yet
At least we’ve come up with a whole new set!
‘Cause I’ve got (Chorus)

So come on by and visit us
We’re the house with the black VW bus
There’s a swing out front and a beat up car
And a beer sign from some western bar
Sunday is our potluck night
Whatever you can bring, it’ll be alright
There’ll be games and songs and food and jokes
I’ll introduce you to all my folks,
I’ve got (Chorus)


Written by Tom Hunter, ©1982, Long Sleeve Records.

12.01.2007

Criancas biológicas de três progenitores


(imagem palmada por ser tão boa de www.juliopereira.pt)


De acordo com este artigo, usando técnicas de clonagem avançadas, daqui por 10 anos seria possível que três progenitores possam contribuir com material biológico para o nascimento de uma mesma criança.

Ergo, é possível que um trio de um homem e duas mulheres tenha uma criança biológica (por enquanto e por imperativos técnicos parece ser limitativo o ovo ter sido fertilizado de modo "convencional", mas os "espertos" que se pronunciem, que isso para mim são detalhes). Nao me vou debruçar se é correcto ou não, deixo isso á discrição dos leitores.

Os detalhes técnicos, científicos, assim como as acesas discussões legal e ética podem ser lidos aqui:

http://news.independent.co.uk/sci_tech/article3172139.ece

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2.12.2007

A super mulher nao é feita de papelão

(obrigada á PV pela ideia, mais uma vez numa altura em que nao consigo ir á procura de outras histórias)

Nada nos parece mais mainstream e conservador que a personagem da Super Mulher (Wonder Woman). Parece o típico produto dos anos reaccionários, uma heroina sexy, de busto e pernas elegantes destinada a agradar a um público consumidor alvo predominantemente masculino (eram os anos em que os consumidores de comics eram... bem... geeks a sério...). Enquando o Super Homem e o Homem Aranha teem direito a cobrir o seu pudor com fatos (justos) de corpo inteiro (o Super Homem tem mesmo direito a vestir cuecas sobre as calcas, hábito de gosto duvidoso, mas eficiente a cubrir a sua frágil pudenda), a pobre Wonder Woman tem apenas direito, mesmo durante os duros Invernos novayorquinos a cobrir o mínimo que o decoro nao cede, num bikini metálico, apenas coberta por uma capa e a sua sexy cabeleira abundante.

Nao sei se alguma vez os criadores de Wonder Woman se detiveram com tais consideracoes. Mas por trás da Wonder Woman, heroina de papel, está uma história de poliamor de carne e osso e nada ficcional.
Os criadores da heroina de BD são Elizabeth Holloway Marston (1893-1993) e o seu marido William Moulton Marston.



nao tem nada a ver com a Super Mulher, mas estas Chicks on Speed sao Super Mulheres IMHO

Com uma formacao em Psicologia e Direito e alguma carreira académica, Elizabeth Marston criou e modelou Wonder Woman juntamente com o seu marido, William. A personagem foi parcialmente baseada em si mesma. As restantes características foram inspiradas em Olive Byrne, a qual viveu com o casal Marston numa relação poliamorosa. Elizabeth e William tiveram duas crianças, e William e Olive mais duas, que foram adoptadas 'de facto' por William e Elizabeth. Após a morte de William, as duas mulheres continuaram a viver juntas e a educar as quatro criancas até á morte de Olive.




excerto do QI, programa apresentado pelo Stephen Fry:

QI, BBC4, 10 Nov 2006, about half-way in:
Jonathan Ross: Can I tell you about Wonder Woman? Wonder Woman's creator was William Moulton Marston ...

Stephen Fry: Absolutely.

Ross: ... who wrote under the pen-name of Charles Moulton, and who was in a polygamous and indeed polyamorous relationship with the woman who co-created Wonder Woman, and another lezzer on the side.

Fry: Absolutely right! *applause* Yep!

Fry: You're right, he married his wife Elizabeth , 22 years of age, and then carried on this affair with Olive.

Ross: And I think they moved in together, didn't they?

Fry: They all moved in together, he had two children by each, and then when he died, Olive and Elizabeth stayed together right up until the death of Olive in the eighties.

Ross: I think it's rather a beautiful story.

Fry: It is a lovely story.

1.11.2007

Tamera, Comunidade

O trailer do documentario sobre tamera que passou recentemente.


http://video.google.com/videoplay?docid=5419780693224412447

para as perguntas que houver, há muita bibliografia e artigos a querer sair. é só dizerem!

Tamera é um biotopo de sociologia experimental, em outras palavras, uma comuna. Está situada no Concelho de Odemira (Alentejo).

O objectivo a longo prazo do projecto tamera é a paz mundial.

Nao é possível atingir essa mesma paz enquanto as pessoas estiverem em guerra umas com as outras e consigo próprias. As relacoes amorosas mais frequentes na nossa sociedade sao muitas vezes terrenos em que é levada a cabo uma autêntica guerra de trincheiras.

Tamera faz engenharia social experimental, no sentido que testam um modelo com algumas dezenas de pessoas esperando influenciar pelo exemplo o resto do mundo. As criancas sao a grande esperanca, pois sao educadas com ênfase muito especial nessa paz dentro do próprio indíviduo e com o mundo.

No ponto especial das relacoes amorosas, tamera espera desconstruir o ciúme e o sentimento de posse que lhe estao associados e tenta demonstrar o absurdo inerente. Separa sexualidade de amor (referencia "Eros redeemed", Dieter Kuehn)

Citando (muito obrigada NT!!!) do documentário:
"Sim, eu penso que o amor nada tem a ver com posse. O amor tem a ver com dar, com oferecer. E naturalmente também com receber. Mas o amor é, na sua essência, livre. O amor é uma força completamente livre que não se deixa prender atrás de muros. Nós vimos de uma cultura onde a sexualidade só é permitida no casamento. E muita da violência vem do Eros aprisionado. Fomos obrigados a colocar este tema no centro porque, quando se vive em comunidade é claro que o tema do Eros está muito presente. Parceria e amor livre não se excluem, pelo contrário, condicionam-se.Se eu realmente aprendo a dizer sim à sexualidade, se o meu parceiro chega a casa e conta-me que se encontrou com uma mulher, que ela era linda e foi para a cama com ela, se então a namorada (neste caso eu), não reajo com pancada, mas pergunto "O que foi que viveste? Como foi? Conta-me..." Então surge uma base de confiança totalmente diferente entre homem e mulher. Podemos ser verdadeiros." "O amor numa família convencional não funciona duradouramente. Podemos ver isto empiricamente. Uma família convencional é um espaço demasiado pequeno, para aquilo que se liberta no amor. E isto também tem efeito na educação das crianças, que sofrem porque não encontram confiança nos pais, no mundo dos adultos. Portanto a comunidade é uma resposta, talvez a resposta mais importante.""Se as crianças realmente crescerem em comunidade, não dependendo apenas do pai e da mãe, mas se elas tiverem, desde o princípio, um campo de maior confiança, podem desenvolver-se muito mais rapidamente e não têm de entrar em todos os conflitos psicológicos que mais tarde dificilmente curamos com terapia."

1.06.2007

co-adopção a três


Os dois textos foram tirados sem edicao do portal Portugal Gay.


http://www.portugalgay.pt/news/index.asp?uid=040107A

Notícias CANADÁ: Um pai e duas mães
Quinta-feira, 4 Janeiro 2007 Tribunal canadiano reconhece direitos de filiação de criança de cinco anos a três pessoas

Pela primeira vez, um tribunal canadiano reconheceu oficialmente que um rapaz de cinco anos pode ter um pai e duas mães - um casal de lésbicas - suscitando inquietação por parte das organizações de defesa da família dita tradicional.

Num acórdão proferido terça-feira ao final do dia, o Tribunal de Recurso da Província do Ontário decidiu que uma canadiana que vivia maritalmente com a mãe da criança devia também ser reconhecida como sua mãe e, portanto, como o terceiro elemento parental da criança. Uma instância inferior recusara-lhe esse estatuto, por considerar que a legislação da província relativa à família reconhece apenas uma só mãe, não cabendo ao tribunal modificá-la. A mulher, originária do Ontário, explicara o seu pedido fazendo valer que o nascimento tinha sido planeado com a sua parceira homossexual que carregou no ventre a criança depois de uma inseminação artificial e que esta a considera também como mãe.

As duas mulheres, cuja identidade não foi divulgada, decidiram que o pai biológico devia permanecer na vida da criança e levaram-no a reconhecer a sua paternidade, o que impedia que a mãe não-biológica pudesse adoptar o bebé. A queixosa requereu o usufruto dos mesmos direitos que os outros pais e os seus advogados sustentaram a sua defesa na lei canadiana que autorizou em 2005 os casamentos entre cônjuges do mesmo sexo. Nos seus considerandos, os juízes do Tribunal de Recurso notam que as duas mulheres "viviam juntas numa união estável desde 1990 e que em 1999 tinham decidido fundar uma família com a ajuda do seu amigo X" que foi o dador de esperma. Defenderam que a legislação local sobre a filiação e que tem 30 anos estava agora ultrapassada e ia, neste caso preciso, contra "o melhor interesse da criança". "Não há dúvida de que a legislação não prevê a possibilidade de declarações de filiação de duas mulheres. Mas é o produto das condições sociais e dos conhecimentos médicos da época", escreveram os juízes.

Os argumentos contra e a favor
Várias organizações de defesa dos direitos da família tradicional denunciaram este acórdão. "Os ataques contra a célula familiar vão acabar por destruir a nossa sociedade", declarou Mary Ellen Douglas da Campanha pela Vida, perguntando- se onde se vai fixar o limite "sobre as declarações de parentesco múltiplas". Por seu lado, Joseph Bem-Ami do Instituto para os valores canadianos denunciou "um activismo judicial", lembrando que dezenas de decisões sobre crianças são adoptadas diariamente no Canadá, "sem que seja necessário mudar a definição da família". Uma organização de defesa dos direitos dos homossexuais, Egale Canada, saudou a decisão do tribunal, afirmando que ela reconhece a realidade da existência de casais lésbicos. Para Nicole LaViolette, professora de Direito na Universidade de Otava, a decisão do Tribunal de Recurso constitui um precedente porque é a primeira vez que um tribunal de Ontário "reconhece direitos de filiação a três pessoas: duas declarações de maternidade e uma de paternidade" . Todavia, é um precedente limitado na medida em que o tribunal teve o cuidado de precisar que se pronunciava sobre um caso particular, declarou. "As decisões relativas a uma criança fazem-se caso a caso e não é algo que se vá aplicar a muitas pessoas", sublinha. Para LaViolette, pode-se imaginar a mesma decisão no caso de um casal heterossexual que, por não poder ter filhos, recorresse a uma mãe de aluguer.


E a reaccao (reaccionaria) portuguesa:


http://www.portugalgay.pt/news/index.asp?uid=050107A

PORTUGAL: Director do Centro de Direito de Família afirma-se contra co-adopção por 3 pessoas


Sexta-feira, 5 Janeiro 2007



Segundo a agência Lusa, o Director do Centro de Direito de Família Guilherme de Oliveira, classificou a recente decisão de um tribunal Canadiano de determinar a co-adopção por 3 pessoas de "estranha" face à legislação portuguesa, e mesmo europeia, que, segundo ele, aponta como "os pais e mães jurídicos" de uma criança "os pais e mães biológicos".

"Seria um passo difícil a dar se, além de uma mãe e um pai biológicos, uma criança tivesse uma mãe ou pai afectivos", frisou, ressalvando que "não haveria unanimidade" numa alteração do direito de filiação português com essa finalidade.

O especialista, que coordena o Observatório Permanente da Adopção, sustentou que, mesmo que, afectivamente, "possa ser bom" uma criança ter duas mães ou pais, "não seria desejável, por princípio de precaução".

"É capaz de existir o risco de discriminação da criança que é pioneira, de a expor ao sofrimento", nomeadamente entre colegas da escola, apontou.

Felizmente para a criança canadiana, os juristas do canadá com muito mais experiência de facto nestas situações num país onde a co-adopção por pessoas do mesmo sexo é uma realidade há anos são de opinião contrária ao jurista português.

PortugalGay. PT (Portugal)


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12.22.2006

Sugestao de Natal: Else-Marie and her seven daddies


Para quem acha que um estilo de vida poliamoroso é algo que se deve levar ás escondidas e de preferencia que as criancas nao fiquem a saber, é melhor parar de ler AQUI e JÁ.

Para os outros, fica esta sugestao deliciosa de um livro para criancas com temática poliamorosa: Else-Marie and her seven daddies. Aproveitem o natal para oferecer alguma coisa finalmente inteligente a alguém. Este livro por exemplo.

Else Marie tem sete pais em vez de um. E quando descobre que eles a vao buscar á escola, apercebe se de repente de que a sua vida, que até entao lhe parecia tao normal, nao é como a dos outros meninos.

Lindo. Era isto que eu estava a precisar de ter (empowerment) antes de enfrentar o Natal.

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2.08.2006

Comunidade Oneida

Do JP, com abraços veganos:

"Mais um exemplo de uma experiencia relacionada com alternativas ao amor convencional, a comunidade oneida :
http://www2.udec.cl/~ramartin/oneida.htm "

Para quem nao está nas lides, acrescento eu o óbvio:
www.tamera.org

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12.15.2005

Encontro no Fim do Mundo: os Moso

(Ou mais um post sobre não-monogamia)

Um documentário a ver, se possível: "
Un monde sans pére ni mari: chez les Moso", (Eric Blavier, Thomas Lavarechy).

Na verdade não vi o documentário. Ouvi os comentários em segunda mão e desencadeei uma busca na net. Não vou escrever tudo aqui para vos deixar o prazer da descoberta e da investigação.

Os Moso são um povo que vive na China, junto ao Tibete, nas margens do lago Lughu. São 30.000 pessoas que tem visto as suas tradições bastante antigas mais ou menos preservadas.

Em poucas palavras, a sociedade Moso é matriarcal. As mulheres têm o papel predominante na sociedade e querem, podem e executam todas as tarefas. O poder e a influência passam da mãe para a filha que ela considera mais inteligente.

A mulher ao chegar à idade adulta adquire o direito de escolher amantes que recebe em casa dentro de um esquema que preserva a discrição mas que não tem nada de clandestino. As crianças que nascem destes enlaces são criadas dentro da família, ás quais o pai biológico não pertence. Pares que se amam encontram se discretamente mas em liberdade e sem compromisso. Por outras palavras, não usam do conceito de monogamia.

Não existe palavra para marido nem para pai, o que não quer dizer que os homens não participem da educação das crianças ou da sociedade em geral. Simplesmente desaparece completamente a ideia do pai biológico com direitos sobre a prole e a ideia de patriarca.
Adicionalmente, não há crime nesta sociedade, que não é tão pequena como isso. Ainda menos há crime passional. O ciúme é considerado uma doença infantil, que aparece muito pouco e, que ao contrário de entre nós, ocidentais, quando aparece não é encorajada.

O que vos mostro aqui não é o modelo que eu quero seguir, ou a sociedade utópica dos meus sonhos. É apenas mais um modelo dissidente daquele em que crescemos e nos habituamos a pensar que é o único possível. Quero apenas mostrar que em termos de relações, se não tentamos seguir o modelo monogâmico e patriarcal ocidental em que crescemos, há provavelmente tantas soluções como pessoas. Este é apenas um dos modelos possíveis. Não é o que eu escolheria, embora me pareça melhor do que é mainstream entre nós.

Link para o documentário: "
Encontro no fim do Mundo, o povo Moso", (Eric Blavier, Thomas Lavarechy).

Link para um artigo que
comenta o documentário.

Link para o resumo do romance "
Leaving Mother Lake": para quem não quer seguir a documentação mais sociológica, está aqui um romance à volta de uma jovem Moso que deixa a sua vila para seguir uma carreira como cantora e se confronta com a cultura chinesa: Leaving Mother Lake

e um link para o livro Quest for Harmony: The Moso Traditions of Sexual Union and Family Life

E finalmente um
artigo cientifico sobre adopção e casais convencionais à luz da sociologia dos Moso.

(Agradeço a K. a dica, mesmo quando não apoia a ideia de poliamory, mas me apoia a mim, e aproveito e agradeço um ano fantástico!)

boa leitura!

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