10.25.2011

Entrevista para a A-radio

A A-radio é o canal de radio anarquista da Radio Orange, baseada em Viena.

Estive em St. Polten, nos Queer Feminist Network meetings, onde mostrei o filme "Férias em Vale Galdérias" juntamente com o meu companheiro de conspiracao, Roderick. Fomos entrevistados para a A-radio, que tentou retratar com fidelidade o que foi esta semana em St. Pölten.

http://www.a-radio.net/2011/1316

A introducao é em alemao, mas a entrevista p.p.d. é em inglês. A nossa entrevista é seguida de uma entrevista a Sadie Lune, sobre as workshops que deu, sobre a sua visao sex-positive do mundo e da grande família queer.

7.07.2011

Nuclear: olhar à nossa volta

Com fukushima de repente relançou-se estremunhadamente a discussão sobre o nuclear, e de repente houve acordares dolorosos e buscas de informação apressadas. Ou de repente ficou descoberta a careca de que nos estavam a vender produtos e energia com a etiqueta "verde", por ser redutora de emissões de carbono, que na verdade tinham uma contribuição do nuclear. Sim, estavam-nos a vender o nuclear como energia verde, mas poucos se aperceberam disso. Houve activistas a apoiar produtos "carbon correct" sem saber que havia nuclear "dentro".

Tenho aqui em cima da secretária uma série de panfletos de vários grupos políticos anti-nuclear, uns mais interventivos que outros. Um deles limita se a informar acerca de que organismos estão mais ou menos comprometidos no apoio ao nuclear, um pouco como "tomem lá esta informação e façam dela o que quiserem". Lista endereços desde construtores de reatores nucleares, passando pelos organismos políticos que decidem e apoiam a sua implementação ou os responsáveis pela gestão (leia-se exportação atabalhoada) do lixo atómico.

Um dos organismos que me deixou a pensar foi o WiN, Women in Nuclear. é uma associação mundial de mulheres que trabalham na industria nuclear (Exclui investigação cientifica, e medicina portanto). São mais de 2000 mulheres no mundo inteiro. Se fizermos a habitual continha que mulheres a trabalhar na industria são menos de 15%, isto dá-nos várias dezenas de milhares de pessoas a trabalhar na industria do nuclear.

Se são tantos, quer dizer que eles andam aí, à nossa volta. Como é que não damos por isso? De certeza que conheço alguém que pertence a este grupo. Há todo um mundo do qual nada sabemos e que decide coisas por nós. E que se calhar bebe cafés connosco e nos dá umas palmadinhas nas costas e até são uns gajos porreiros..

hmmm.

6.30.2011

24/7 The passion of life, o filme

Não sei se é bom, mau ou assim assim, até porque só estreia dia 24.7 (Oh! que original!). Chama-se "24/7 the passion of life"

Pelo flier que tenho aqui em cima da mesa, parece ser mais uma tentativa de fazer um filme comercial com BDSM em todos os pontos do seu catálogo. Deixa-me, ver, a hora está tardia para ler isto em detalhe, mas palavras que me saltam aos olhos: Domina-Studio, Swingerclub, Stripteasebar, visitados e guiados por uma socióloga que tropeça na filha de um dono de hotel... Hmmm.. isto para mim não começa da melhor maneira, mas vou seguir e quando souber mais digo-vos. Ou vocês dizem a mim, vai dar ao mesmo. De qualquer maneira, ficamos todos avisados e fiquemos atentos.

5.31.2011

Manifestação contra a repressão do trabalho sexual

um pouco por todo lado começa a aparecer trabalho acerca da penalizacao da prostituição e/ou trabalho sexual (vários termos que nem sempre se sobrepoem) , e uma tentativa de chamar os bois pelos nomes e separar diversos assuntos.

Em Franca temos já dia 2 de Junho, quinta feira, a manifestação contra a repressão do trabalho sexual. O trigger é a lei francesa vigente que penaliza os clientes. A prostituição em si não é crime, mas sim o uso da prostituição. Enquanto que se pode argumentar que há situações que acontecem em contexto do trabalho sexual que são para ser combatidas, não é proibir ou penalizar todas as situações desse contesto que se vai nem resolver os tais problemas nem criar uma situação justa. Nao é proibindo a solicitação que se vai acabar com a prostituicao forcada (ou mesmo o trabalho sexual de todo) ou com situações de fragilidade extremas.

Manifestation contre la répression du travail du sexe

Thursday, June 2 · 2:00pm - 6:00pm

Nous demandons l'abolition de la LSI et du délit de racolage passif, qui nous criminalisent, nous stigmatisent, nous précarisent et nous mettent en danger. Nous refusons catégoriquement la pénalisation de nos clients. Payer pour du sexe n'est pas un crime. Laissez nous travailler! Faisons nous entendre! Travailleurs et travailleuses du sexe, ainsi que ceux et celles qui nous soutiennent, sortons du placard et marchons pour nos droits!
contact@strass-syndicat.org

Org: STRASS Syndicat du TRAvail Sexuel




5.27.2011

perigos inusitados duma vida kinky

Há inúmeros bons artigos, pela Internet fora e não só, acerca dos perigos relacionados com o SM e como os minimizar. Já falámos aqui de regras para as festas, de negociação, falaremos em breve de checklists.

Mas inusitadamente...

Apanhei a primeira carraça da minha vida numa festa kinky num jardim... o que é ainda mais improvável dado que passei os últimos 10 anos da minha vida a fazer todo o tipo e mais algum de atividades outdoor. Enfim. Improbabilidades.


Fiquem portanto com a sugestão para este Verão, kinky outdoor sim, muito boa ideia, mas levar um estojo de primeiros socorros, repelente de insetos e uma pinçazinha.

5.23.2011

Fetish4all, Augusta Vindelicorum

Este fim de semana fiz 2x600km para ir a uma festa de anos. Acho que não vale a pena explicar como era importante para mim estar presente, ninguém faz 1200km assim sem mais nem menos (a não ser que não tenha vida).

A dita festa foi nas instalações do fetish4all e achei por bem hoje escrever sobre esta associação, porque acho que o trabalho que fazem tem um carácter muito especial.

O fetish4all é uma associação recreativa, não é um clube. Dentro das suas limitações bastante fortes acabaram por ser desenvolvidas características únicas que o tornam muito especial e atraente na sua vocação. As suas instalações são antigas estufas de criação de plantas, abandonadas há muitos anos e em estado de ruína até há poucos anos. Os terrenos, por razoes históricas, das quais eu quero saber o menos possível, são de momento invendáveis e pagam uma renda muito baixa. Os seus organizadores são pessoas dos mais diversos walk-of-life, desde académicos a colarinhos-azuis, queers ou não, e aí por diante...

um grupo de pessoas resolveu pegar na coisa para poder ter um espaço para as suas atividades ligadas ao BDSM. Nem toda a gente gosta de fazer tudo em casa, alem de que é bom ter um sitio para conhecer kindred-spirits. Nesta cidade, Augusburg, com menos de 300.00 habitantes, não havia nada em termos de clubes ou eventos SM, e na cidade mais próxima, Munique, além de ter uma cena muito pequena e mais orientada mais para o fetish que para o BDSM ppd, os preços habituais que o BDSM não-queer cobra são simplesmente estratosféricos e sem oferecer nada de especial que os justifique. A riquesa dos Fugger foi há muito tempo... Sendo assim, fundaram uma associação, à qual qualquer pessoa pode pertencer pagando uma joia anual de 100 Euros. Esse dinheiro paga a renda do terreno e as obras de melhoramento da casa e dos terrenos. Em troca, pode-se usar as instalações, para as quais há um conjunto de regras de utilização e co-responsabilização.

Aos poucos, o jardim foi limpo das silvas que lá cresceram nos últimos 60 anos, e a casa ganhou um telhado por onde a chuva já não entra. Mais tarde uma das estufas recebeu algum equipamento SM, todo muito DIY, sem luxos mas sem descurar a segurança. Há dois anos alguém trouxe uma máquina de lavar. No outono, alguém trouxe um frigorífico... No fim desde inverno construiu-se um laguinho no jardim onde as rãs coaxam ao por do sol. No mês passado foi acrescentado um ponto de suspensão para bondage. As outras estufas, ainda arruinadas, podem ser visitadas e utilizadas, e têm um charme de lost-place.

Devido ao carácter DIY e ao facto de muito do terreno ainda estar arruinado e por reabilitar, é valida a regra "use at your own risk", a organização não se responsabiliza por acidentes. Mas na verdade, na Alemanha, qualquer clube SM tem esta regra.

Talvez pelo facto de a cidade ser pequena (260.000), e precisamente a cena SM ser minúscula, a coesão, mais do que desejável, é uma questão de sobrevivência, e o trabalho de equipa entre pessoas da cena lesbian-queer e da cena mainstream é simplesmente de louvar. Torna a coisa completamente única. De repente uma série de coisas que caracteriza a cena BDSM mainstream (a decoração tipo dungeon, o dress code obrigatório, a musica mais ou menos "gótica ou nem por isso", ou a ausência de regras acerca de limpeza, safe sex ou acerca do consumo de álcool) são discutidas em vez de serem cegamente quotidianas. Há um cross over bastante interessante. os landmarks dos eventos SM queer aparecem num contexto que se reconhece como mainstream: luvas de safer sex, desinfetante, pessoas vestidas simplesmente como lhes apetece...

Para alem de se poder usar as instalações, há festas organizadas, há workshops, e há "dias de porta aberta" em que a associação se apresenta ao resto da população. O próximo é 18.6.2011...

é possível usar as instalações com o estatuto de membro temporário pagando uma joia simbólica. E se alguém quiser contribuir, donativos são mais do que bem-vindos... (http://www.fetish4all.de/node/8)

Por mim, que vivo numa cidade em que há de tudo no que diz respeito a SM (inclusivé uma atitude amistosa), apreciei muito o trabalho que vi e a unicidade da coisa. Achei que mesmo nesta cidade em que há tudo não há um sitio onde posso fazer uma suspensão em bondage numa ruína de uma estufa, ou de fazer simplesmente uma play com a luz rosa do entardecer e ao som de rãs a coaxar. E isto é impagável.

os habituais links que vos preparei com amor e carinho com que me podem ajudar a ter tempo para escrever (o mais insignificante clickzinho ajuda):

5.16.2011

não é não

E continuando na sequencia do post anterior, a questão que está subjacente a isto tudo é que não é toda a gente que entende que não é não, e que se não é consensual é violência. Iliteracia? diria que é algo muito mais subterrâneo e perigoso.

De qualquer maneira, com ou sem Slut Walk , a UMAR resolveu e muito bem organizar uma ação de protesto a propósito do acórdão de tribunal que absolve um psiquiatra acusado de violar a sua paciente.

não se trata de se fazer comentários de conversa de café, em que este acha que sim e este acha que não, à moda do futebol, em que todos seriam melhores treinadores do que quem o faz ao vivo e a cores. Não se trata de começar a contestar com uma manifestação qualquer julgamento sempre que a decisão não agrada. Trata-se de pegar nas próprias frases que estão documentadas no acórdão, acerca de atos provados, e perceber que algo se perdeu durante este julgamento, e chamar a atenção quer de quem tem o assunto entre mãos, quer do cidadão (des)atento e convidar as pensar e intervir na "coisa" (sendo a "coisa" um assunto tão pouco importante como "apenas" em que sociedade é que queremos viver)

Aqui o link para a noticia no JN, e para o texto completo da UMAR.


A UMAR fala de criação de uma lista negra de profissionais de saúde. A compilação de listas de medicxs ou LG friendly ou Trans friendly ou feministas etc é prática habitual por aqui no Norte da Europa, e embora não resolva o problema de "porque é que continua a haver profissionais que fazem coisas - discriminação - contra o código deontológico", resolve o problema de todos aqueles, ativistas ou não, que simplesmente precisam de um médico sem esperar pelo acórdão de tribunal por acao de discriminação. A criação de uma lista negra implica por outro lado, para se evitar processos por difamação, injustiças e outros sarilhos, que seja verificada e objetiva, ou seja, que seja mantida por alguém. Não tenho a certeza que seja a solução mais construtiva, mas provavelmente tem o efeito grandioso de criar uma discussão e de essa discussão finalmente cair à rua.

Desejo que haja ações não só de intervenção, a chamar a atenção dos responsáveis pela Justiça e pela educação por Direitos Humanos e educação sexual nas escolas. Desejo que alguem pergunte à Ordem dos Médicos a sua posição neste caso. Desejo que os profissionais de Direito aprendam Direito, e que as pessoas acordem para este problema e que não olhem para o lado e digam que não lhes diz respeito.

Por outro lado andam alegremente pelo FB a divulgar o retrato robot do acusado, o que me põe bastante de mau humor, porque entendo o ativismo como uma luta pela implementação de regras justas ou pela aplicação cuidadosa das regras já existentes. e se usamos justiça por conta própria, desacreditamos a luta em que supostamente acreditamos. Isto não é agit-prop, isto é apenas uma caça às bruxas. Por muito que não goste do que aquele senhor tem às costas, ou que não me apeteça fazer-lhe festinhas,não acho que a luta contra a violência e o abuso passe por um tipo de justiça popular, que não me parece uma coisa desejável ou agradável de ver à solta nas ruas internéticas.

Fuming.

a habitual lista de livros de "leitura complementar para este assunto" e outras cenas:












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5.15.2011

Transcreens

YOU and US = TranScreen

É já em Junho. Vem aí o TranScreen, o festival de cinema Trans, em Amsterdam.
Vai ser "o" ponto de convergência de filmes e arte sobre e com o tema trans.

http://transcreen.wordpress.com/about/english/

We are trans, We love film, We are queer
We are friends, We love art, We are weird
We are groundbreaking, We are freaks, We are out
We are invisible, We are black, We are proud
We are perfomers, We are transsexuals, We party
We are transformers, We are seniors, We are history
We are transvestites, We are fluid, We are complex
We are differently abled, We are cute, We have sex
We are stories, We are alive, We are men
We are intersex, We are ‘normal’, now and then
We are creative, We are single, We are rare
We are provocative, We are femme, We are aware
We are so much more than this
and we are YOU
YOU + US = TranScreen





5.13.2011

Slut Walk

Sex is something people do together, Sex is not something you do to someone else Nem que fosse pelo título, teríamos de falar da Slut Walk. Mas não será só pelo título. Apareceu por aí argumento do costume. "Se te vestisses como uma senhora e nao como uma puta, nao te punhas a jeito para ser violada". E da boca da polícia. E isto tudo, como se fosse ok violar putas, que é outro argumento que nao percebo. Alguém se lembra do famoso acordao de tribunal (se nao me engano no Algarve) num processo de violacao de duas turistas "que devem ficar cientes daqui para a frente que estao a pisar a coutada do macho latino"? Como se uma vida liberal ou roupa ou simplesmente o facto de se sair à rua desculpasse o ultrapassar de qualquer fronteira e o desrespeito de qualquer forma de consenso (ou falta expressa dele) E resumindo e baralhando, a tao batida frase desta vez caiu mal e está a criar ondas de choque sob a forma de uma "Slut Walk", como movimento que procura denunciar a desculpabilizacao da violacao e ao mesmo tempo a culpabilizacao de tudo o que é sex positive... Comecou em Toronto (http://www.slutwalktoronto.com/), alastrou a Londres, e espalha-se alegremente pelo resto da Europa.. Toca a encher as ruas com mulheres vestidas com os trajes que os policias parecem achar que sao a desculpa para uma violacao automática e imediata. Fala-se de cerca de 5000 pessoas.

http://www.slutwalktoronto.com/

reportagem: http://www.youtube.com/watch?v=3vOCnZOcr8w

Thousands of scantily-clad women to march in London as 'SlutWalk' protest reaches UK

e um bom artigo, concorde-se com os argumentos apresentados ou nao, acerca de SlutWalk e feminismo...
We’re Sluts, Not Feminists. Wherein my relationship with Slutwalk gets rocky

E quem quiser saber mais, uma seleção de livros pertinentes para o tema (E uma ocasião para ajudarem este blog):


5.07.2011

9th International Women's SM Conference

Para quem perdeu Berlim na Páscoa, que tal como Braga na mesma altura também tem muitxs flagelantes, há ainda Manchester, que vale bem uma missa.

9th International Women's SM Conference

Para xs mais distraidxs, a conferência é aberta a mulheres e a todos os trans que acham que pertencem à cena lésbica.

Este ano nao vou poder lá estar, com grande pena minha. Gostei muito do ano passado, quer como consumidorx, quer como moderadorx de workshops. Se alguem que leia este blog for, gostava de saber como foi.


Pausa para a nossa publicidade, sempre com conteudo relevante para o artigo:






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5.03.2011

Trabalho Sexual Voluntário

Neste blogue, não com muita insistência, mas com consistência, escreve-se sobre trabalho sexual (voluntário, para quem anda mais distraído e deu agora um pulo brutal na cadeira). Quando este blogue comecou, em 2005, esse tema era para mim apenas mais um domínio (mas um bem grandinho) em que cada um tem o direito de tomar as suas decisões, e que nem Estado nem vizinhas tem o direito de julgar o modo de vida ou a pessoa que o exerce. De modo que peguei nessa briga por solidariedade.


Em 2006, a primeira marcha do Orgulho LGBT do Porto, de cuja organização eu fiz parte, e com o lema Um presente sem violência, um futuro sem diferença tematizou a fragilidade e a defesa dos direitos dos trabalhadores sexuais num manifesto que não foi livre de discórdia.

"uma política social de assistência a grupos marginalizados – incluindo imigrantes, pessoas com HIV, sem-abrigo, utilizadores de drogas e trabalhadores do sexo – em vez de uma política de exclusão."

Entre 2005 e este ano, fui reparando como amigxs e conhecidxs me foram revelando mais ou menos confidencialmente que eram trabalhadores sexuais, ou que consideravam experimentar. Notei os ventos da mudança dentro e fora duma cena queer de inspiração feminista. A prostituição deixou de ser necessariamente o dormir (literalmente) com o inimigo e o apoiar de um sistema patriarcal que se quer combater, mas sim uma escolha válida, uma forma de luta, de exercício de liberdade individual, uma maneira de ganhar dinheiro, ou uma forma tão valida como outra de alegria e realização (Sim, também há..).

Em Janeiro deste ano, dois autorxs deste blogue apresentaram uma performance no Hurenball, e talvez tenha havido mais motores para essa participação para alem dos óbvios vaidade, ambição artística, e solidariedade com amigxs e com o trabalho sexual em geral. Também desde Janeiro que estou mais concentrada em trabalhar na vertente performance e artística do que na escrita, como se nota no "vazio e pouco mais" deste blogue.

Esta semana resolvi voltar a escrever e o detonador foi isto:

Sobre a tomada de posição da CGTP contra direitos sociais para quem presta serviços sexuais

Fui investigar, e apesar de não encontrar o texto original (Existe?) com a tomada de posição oficial da CGTP, encontrei este, bastante descritivo:

CGTP repudia campanha do preservativo, por aceitar prostituição como profissão


Hmm. Pode-se combater cada um dos argumentos ponto a ponto. Temos pelo menos dois pontos independentes que merecem uma massagem. Um é " a contestação da campanha do preservativo tal como ela foi apresentada (figuras estereotipadas, com mulher-puta-de-rua homem-cliente etc)" e o outro "a aceitação ou não da prostituição voluntária como forma de trabalho"

Na verdade acho que a campanha publicitaria que foi contestada é bastante contestável. Não há necessidade de perpetuar o cliché da prostituição como feminina e de rua. A campanha peca não só por falta de imaginação mas por falta de sensibilidade a temas de género. Não sei por outro lado se vale a pena por outro lado bloquear a coisa por aí. Não sei mesmo.

Mas onde a coisa dói mesmo é na não aceitação da missão própria - defesa do trabalhador. O não aceitar da prostituição como forma de trabalho, parece poder desresponsabilizar a CGTP do seu papel de defensora dos direitos de TODXS os trabalhadores. mesmo eu pondo me no lugar deles, em que não, o trabalho sexual voluntario não é uma forma legitima de trabalho, não me parece que isso tire a questão de cima da mesa, em que há trabalhadorxs com necessidades graves e prementes.

Lenha para a fogueira:
http://aeiou.expresso.pt/1-de-maio-trabalho-sexual-e-trabalho=f579943
http://panterasrosa.blogspot.com/2011/05/panteras-rosa-e-plataforma-trabalho.html
http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/germany/1482371/If-you-dont-take-a-job-as-a-prostitute-we-can-stop-your-benefits.html

Mas enfim, importante é, a discussão rola, e quero chamar a vossa atenção para participarem nela, com todos os vossos argumentos.

Aqui o link para a muito bem redigida Carta Aberta - O MOVIMENTO SINDICAL E O TRABALHO SEXUAL EM TEMPO DE CRISE (Panteras Rosa)

E para quem se interessa ou começa a interessar pela possibilidade real de trabalho sexual voluntário, deixo-vos o link para o Sex Worker Open University:
http://www.sexworkeropenuniversity.com

Deixo-vos tambem algumas propostas pertinentes para o tema:


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4.11.2011

Schlampenau goes Lisbon

Exibição do documentário "Vacations in Slutglen".

15.04.2011 (15h) Lisboa.
Sala de Video da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Org: Letras fora do Armário.





“unnatural women need rest and to spend time with other sluts, away from the heteronormativity, exchanging experiences, discussing utopias or developing a new relationship culture.”

Passagem do documentário sobre um acampamento de verão na Alemanha para feministas poliamorosas.

Vamos poder contar com a presença de um dos realizadores!



Duração do filme: cerca de 20 min.

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1.24.2011

Trabalho é trabalho, trabalho sexual incluido.



A associação Hydra, fundada em 1980 por algumas mulheres corajosas, completa 30 anos. Para quem não sabe, a Associação Hydra bate-se pelos direitos e interesses dxs trabalhadorxs sexuais e é baseada em Berlim. Alem de todo o trabalho político e de divulgação do trabalho sexual como merecedor de respeito, a Hydra oferece serviços de aconselhamento a vários níveis ( fiscal, legal, médico, psicológico e profissional) não só a trabalhadorxs sexuais mas também aos seus clientes, familiares, amigos, ou profissionais que lidem com a prostituição no contexto do seu trabalho (policias, advogados, médicos..). Temas como prevenção de doenças, a situação especial de prostitutxs com background migrante ou prevenção de violência são cobertos. A sede possui uma biblioteca especializada, aberta não só a membros.

E sim, completa 30 anos. Razão mais que suficiente para festejar, com o Hurenball, o "Baile das Putas". Festejemos então todos os que achamos, por este ou aquele ou nenhum motivo, que devemos festejar também.

Próximo Sábado, 29 de Janeiro de 2011, 21h, KitKatClub, em Berlim

conta com a participação numa performance de alguém que contribui para este blog ("nuvens").

Poster:
http://www.hydra-berlin.de/fileadmin/users/main/pdf/Plakat_Hurenball.jpg

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1.18.2011

Conteúdos que incitem à discriminação sexual é punido por lei

Isto pode interessar, directa ou indirectamente, à malta que vive ou pensa viver poly.

Divulgar conteúdos que incitem à discriminação sexual é punido por lei com pena que pode chegar aos cinco anos de prisão.

Os comentários relativos ao homicídio de Carlos Castro têm-se multiplicado, tanto nas edições online de jornais e revistas como nas redes sociais. Poucos dias depois da violenta morte do jornalista, uma utilizadora do Facebook criou um grupo chamado "Eu apoio Renato Seabra, matar gays não devia ser crime". Segundo o advogado Arrobas da Silva, a haver violação da lei, "deve ser o Ministério Público a promover uma acção penal. Parece-me, pela descrição, que deverá ser um crime público ou semipúblico", explica o causídico. Este tipo de crime contra a identidade cultural e a integridade pessoal está contemplado no artigo 240.º do Código Penal português e pode resultar numa pena de prisão de seis meses a cinco anos. "Eu creio que a pena se aplica a quem cria e a quem adere. Pode haver depois uma graduação de responsabilidades, mais para quem tem a direcção", explica o jurista. Arrobas da Silva afirma também que dado o fenómeno recente das redes sociais urge uma reformulação da lei que contemple este tipo de casos: "Há 20 anos, por exemplo, havia pessoas que praticavam burlas informáticas e, como não estava previsto no Código Penal, não era crime. Houve que acrescentar à tipicidade do Código Penal novos crimes." Sobre a necessidade da criação de uma entidade reguladora para situações como incitamento à homofobia, o advogado acrescenta que a situação deverá ser avaliada pelas instâncias competentes. "Se houver um crescendo de sentimentos - mais do que comentários - desta natureza, pode ser que haja necessidade no futuro de criar uma entidade reguladora. Neste caso, seria de bom tom o Ministério Público comentar estas situações, que constituem crime de incentivo à homofobia", afirma Arrobas da Silva.

Contactado pelo DN, o presidente da ILGA Portugal explica, a propósito de a maioria dos comentários colocados no Facebook e no ciberespaço serem feitos por homens, que "a homofobia está ligada ao sexismo. Há uma relação quase umbilical entre género e sexualidade". Paulo Côrte Real explica ainda que, segundo dados do Eurobarómetro, "a discriminação segundo a orientação sexual é a que tem maior prevalência em Portugal. Isto é um problema mundial mas temos um grande trabalho a fazer, apesar de, no ano passado, termos dado passos importantes nesse sentido".


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1.10.2011

Imprensa cor de rosa, vermelha-sangue e cor de lama...

Imprensa cor de rosa, vermelha-sangue e cor de lama... e não só a imprensa, mas a politica, ou a rua...

Simplesmente, e também como pessoa poly, mete me **nojo** toda a especulação cusca e toda exploração politica da morte do Carlos Castro... uns dizem que foi violência domestica, outros vingança, outros tráfego de influencias... uns dizem que isto é a prova de que os gays são pessoas piores que as outras... outros dizem que isto prova que os gays sao pessoas iguais às outras.. outros dizem que isto prova precisamente que os gays são melhores.. outros dizem que não tem nada a ver com orientação sexual, outros que têm... uns vêm uma história cheia de sordidez, outros uma versão maravilhosamente recauchutada do conto de fadas da actualidade.... e por fim, e resumindo, toca a especular com o que é que fazia aquelas pessoas mexer, o que é que as motivação, de repente toda a tragédia que as engoliu passou a ser uma coisa política para ser usada politicamente, ou simplesmente dissecada por quem não tem mais nada que fazer...

algumas pérolas...
http://www.ionline.pt/conteudo/97636-carlos-castro-assassinio-do-cronista-nao-abalou-mundo-lgbt
http://www.publico.pt/Sociedade/renato-seabra-tera-confessado-homicidio-de-carlos-castro_1474438

relembro que no "rectângulo" e regiões adjacentes, morrem por ano centenas de pessoas, na maioria mulheres, vitimas da violência domestica. Não fazem parangonas, nem politica, nem baixa conversa no cabeleireiro, imprensa cor de rosa ou sanguinária, ou mesmo no mais baixo da cadeia alimentar, o facebook...

Definitivamente... Não têm mais nada que fazer? não tendes agendas politicas próprias e válidas por si mesmo? A vida privada das pessoas não vos diz respeito! Ide especular sobre as vossas vidas, que bem precisam, Antas e Dantas desta Terra...

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1.09.2011

Para discursos catastrofistas, vote Morrisey



Pois, já toda a gente sabe que o Sr. Cavaco Silva nunca deixou de ser chato, mas pior ainda, não deixou de ser chato de maneira bastante previsível e de se tornar a sua própria caricatura ao fazer o que toda a gente espera dele, com a precisão e regularidade de um relógio suíço.

Mensagem do Presidente da República à Assembleia da República a propósito da não promulgação do diploma que cria o procedimento de mudança de sexo e de nome próprio no registo civil (no Público):
http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/mensagem-de-cavaco-silva-a-assembleia-da-republica_1473912?all=1

Dentro dos argumentos apresentados, algumas pérolas que merecem ser salientadas: desde trans fraudulentos à cata de benefícios fiscais até possíveis erros de diagnósticos dos especialistas ou até mesmo da própria pessoa....

"Nos termos do regime que o Decreto nº 68/XI se propunha estabelecer, as pessoas que detêm... perturbação de identidade de género encontram-se desprotegidas relativamente a um eventual erro de diagnóstico ou à própria reponderação da sua decisão de mudança de sexo – a qual, segundo a opinião de especialistas, pode ocorrer nos estádios iniciais da referida perturbação."

Será que especialistas deveriam avaliar - a titulo preventivo - a identidade de género de toda a população, não vão os indivíduos - toda a população portuguesa, não só os que requerem por exemplo a mudança do nome do BI - estarem todos enganados???as pessoas têm demasiada liberdade, e precisam é de especialistas para avaliar o que é melhor para si próprixs. gostava de ver o oblivious cidadão do grande bigode a ter a sua identidade de género a ser avaliada. não vá ele ter-se enganado. Você é um homem? tem a certeza? quem é que lhe disse? veja já, temos de avaliar isso... Porque é que essa teoria do engano não é valida nas duas direcções??? Imaginem equipas de especialistas a bater à porta das pessoas - lembram-se dos senhores da taxa de televisão? - para averiguar a identidade de género de toda a família e ver se não haverá um transexualismo para aí enterrado no quintal, juntamente com a primeira televisão a cores, escondido com o rabo de fora...


Aqui o link para a noticia comentada no "19", e com o sumário das reacções das várias associações LGBT e outros... http://dezanove.pt/118479.html

A frase "O transexualismo é uma perturbação" é tão incorrecta, quer gramaticalmente quer em significado (transexualismo significa apologia da transexualidade se eu não estou enganada, não é outra palavra para transsexualidade que nem sequer é a palavra que se aplica aqui)

Tudo isto dentro dum leitmotiv de "o fim do mundo está aí", é tudo uma desgraça pegada e vem aí pelo menos o fim do mundo em cuecas, e temos que nos proteger com as armas e os barões assinalados...


O texto seguinte, da Eduarda no blog transfofa, responde aos argumentos um a um, sde maneira séria e sem descurar detalhes http://transfofa.blogspot.com/2011/01/no-dia-06-de-janeiro-de-2011-talvez.html

O comentário/comunicado das panteras rosa resume a urgência da coisa: http://panterasrosa.blogspot.com/2011/01/veto-presidencial-as-vidas-trans-nao.html



Mas eu, que não sou uma pessoa tão séria, sinceramente, digo, se os discursos catastrofistas e pessimistas cativam votos, bem, então votemos antes no seu doppelgänger, o Morrisey... São fisicamente parecidos, são ambos conservadores, são catastrofistas e umbiguistas... só que o Morrisey ao menos faz umas canções fixes, é uma bicha com piada e não se mete por aí além na política...

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1.03.2011

Os tomates são mais poly que as bolas de futebol...

...porque as relações são mais como uma salada, do que como um jogo de futebol.

Uma relação é como uma salada porque se podem pôr os ingredientes que se quiserem, podem comer-se todos juntos, com várias combinações, um de cada vez, se podem deixar ingredientes na borda do prato sem comer, picados, inteiros, aos cubos, com tempero, sem tempero, com vários temperos... Enquanto que um jogo de futebol tem as mesmas regras, o mesmo número de jogadorxs em todo o lado. Joga-se de maneira diferente, é certo. Mas com um jogo de futebol tem-se sempre uma ideia do que se vai encontrar. Já uma salada...

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Three (o filme)



Mais um filme vagamente poly, desta vez um filme declaradamente mainstream. Mas mesmo assim muito envergonhadito. Falo-vos de "Three", de Tom Tykwer, talvez conhecido pelo filme "O Perfume".

A história conta-se em muito menos que as duas horas do filme duram: Simon e Hanna, um casal vagamente moderno, caucasiano, assalariado, bem alimentado e burguês q.b., chega aos 20 anos de relação com as habituais renúncias, opções, não-opções e temas no seu currículo. Cada um deles, ao princípio sem que o outro saiba, envolve-se e apaixona-se por Adam. E a partir de certa altura, sem que tenham outro remédio, ficam todos a saber. Aqui está a descrição oficial em Inglês: http://www.drei.x-verleih.de/en/Info

Correndo o risco de estragar o barato a muita gente, digo vos que o filme varia um pouco dos filmes que abordam a questão poly, e não acaba num Apocalipse nuclear em que todos os não-monogamos morrem de morte macaca, mas acaba supostamente bem.

O filme vê se bem, as personagens são muito limpinhas e perfeitas, sem mácula, mas suficientemente sólidas para que o filme se salve. Sim, porque para além das personagens o filme tem pouco para oferecer. Como disse, a história conta-se em dois minutos, e é sempre bastante previsível o que se vai passar a seguir. Mesmo assim, o filme tem contornos pedagógicos de "vamos explicar a não monogamia ás crianças, com os passinhos todos, que é para ninguém perder o pé num conceito tão complicado".

Vi o filme em constelação poly e talvez por isso há pormenores que são imperdoáveis. Que aconteceria ao status quo, se cada um dos protagonistas não tivesse sido apanhado com a boca na botija? diria que continuariam alegremente a enganar-se de modo muito pouco consensual. Há o cansado sexo a definir relações. Há reencontros em que muito pouca gente luta para que eles aconteçam. Enfim. Perguntá-mo-nos se finalmente o poly e o sexo entre homens chegou oficialmente ao mainstream, em que já não choca ninguém e por isso se pode fazer um sucesso de bilheteira.

Os actores trabalham bem e como disse, o facto de as personagens terem conteúdo, salva o filme. Fait divers, o filme é também uma auto-glorificação de todos os clichés acerca de Berlim, o que torna o filme bastante penoso, pelo menos para quem vive cá e sabe de que é que a cidade é feita (e sabe que a tal glorificação é uma manifestação extrema de saloíce).

Quem quiser ver o trailer, está aqui, mas alguém se esqueceu das legendas em inglês. Provavelmente em breve num youtube perto de si...:

http://www.drei.x-verleih.de/en/Trailer

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1.01.2011

bondage sem aquecimento é fogo...

Lembrem-me, amiguinhos: a próxima vez que eu der uma aula de bondage, de ligar o aquecimento da sala pelo menos 5 horas antes... Especialmente se estiverem graus negativos lá fora e eu estiver interessada que os participantes me paguem e falem comigo depois...