1.01.2015

facebook: uma reflexão acerca da suspensão de contas de ativistas LGBT e não só

Abaixo a cópia de um mail que mandei para várias mailing lists de ativismo LGBT e relacionados em Portugal:

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Carxs amigxs, colegxs e ativistas,

A minha conta de facebook, Ann Antidote, que uso/ei como pseudónimo para atividades artísticas e políticas foi suspensa na primeira semana de Dezembro pelo facebook por eu não usar o meu nome “verdadeiro”.


Não quero aqui discutir as políticas do facebook, em última instância a utilização de um pseudónimo é -sem discussão - uma violação dos Termos de Serviço e em que termos isso pode ou deve ou seria defensável é uma discussão separada que eu não quero começar aqui (e estou a tê-la em muitos outros lados).

Abaixo deste email, que quero manter mais ou menos curtinho (ou quase) e to the point, juntei alguns links e informações acerca desta questão e suas implicações. Estou também em contacto com várias pessoas ativistas – LGBT e nao só – afetadas e jornalistas e politicxs, uma vez que a informação encontrada na net, leia-se cuspida pelos agregadores de noticias, nao reflete a realidade e sugere que tudo está resolvido com um pedido de desculpas do facebook à comunidade LGBT. Não está. Contas continuam a ser suspensas e o facebook exige a apresentação de documentos oficiais para provar identidades.. Quem quiser saber mais pode ler os links abaixo e/ou pode-me contactar por PM.

O que quero trazer aqui são meia dúzia de pontos para refletir, acerca de como o usamos ou queremos usar, não apenas como pessoas privadas, mas como ativistas dentro de um contexto de grupos de trabalho. Nos últimos anos observei como as mailing lists – estas para as quais estou a escrever, e outras noutras línguas e noutros contextos – foram cada vez menos usadas (umas mais outras menos) e como algumas discussões começaram a tomar lugar quase exclusivamente via facebook. Houve grupos e coletivos que praticamente deixaram de ter qualquer outra expressão, e outros não existem de todo fora do facebook.
Outro aspecto preocupante é  a monitorização de conteúdos ou a impossibilidade de encriptar conteúdos, que para muitos de nós pode não ser problemática (na onda do “não tenho nada a esconder”: que acaba por ser uma expressao de privilégio), mas a partir do momento em que algunxs ativistas e/ou pessoas a eles ligadxs podem não ter papéis, licença de residência, privilégio de nacionalidade, ou mesmo uma ficha na policia não – pelas mais diversas razões - muito imaculada torna-se muito problemático (e independentemente de se concordar com estes ou aqueles métodos que colidam com as autoridades, é preciso reconhecer essa diversidade, essa diferença em privilégio – e essa fragilidade – dentro da comunidade activista e/ou LGBT).
Finalmente, todas as discussões em que participei, todos os comentários meus no facebook desapareceram, como se eu nunca tivesse existido nestes últimos 6 anos. Nao tenho maneira de documentar discussões e decisões em que participei, ou de rebater coisas – algumas com implicações políticas, coletivas ou mesmo financeiras – que tenham sido ou continuem a ser discutidas. É problemático para mim, e é problemático para o contexto em que outros responderam ou comentaram, ou para a  documentação e/ou visibilidade do trabalho deste ou aquele grupo de trabalho.

Os pontos que eu quero trazer são:

1) - faz definitivamente sentido usar o facebook como meio suplementar (Adicional) de informação, organização e mobilização. É uma ferramenta poderosa. Mas não pode ser o único meio, é necessário manter outros canais abertos. Isto é um apelo à disciplina individual e coletiva. Mantenham toda a gente no barco, não só os vossos amigos diretos.
2) - Ter cuidado com o que se partilha e como. Há informação que mesmo por email deveria ser encriptada. Facebook, Whatsup e Instagram não são seguros. Os yahoogroups que foram usados também têm alguns buracos mas estão anos-luz do que os primeiros fazem sistematicamente ou podem fazer.
3) - Dizer que usar o facebook como assembleia para tomar decisões é má ideia é o corolário de (1) e deveria ser desnecessário, mas digo-o mesmo assim.
4) – Pensar na acessibilidade como privilegio e como podemos usar a tecnologia com muitas das suas vantagens sem criar com isso desvantagem ou exclusão daqueles que não têm acesso a ela (ou seja, como não reproduzir estruturas de privilégio que como ativistas LGBT supostamente tentamos combater).
5) -  Há imensas coisas fixes e úteis que podemos fazer como ativistas sentados ao PC: divulgar, denunciar, escrever a governantes, a jornalistas, desencadear acões legais. Pôr likes é divertido e social mas não é uma delas.

A um nível pessoal: estou a pensar se quero usar de todo o facebook, mesmo com todas estas precauções e mesmo que me devolvam acesso à minha conta (neste momento nem consigo sequer apagar os meus dados). Não confio neles, e eles deram-me razão para não confiar.  Dar-lhes o meu ID digitalizado está fora de questão, não tanto por mim, mas por uma questão de princípio e pelo manancial de informação agregada (acerca de pessoas com quem trabalho em situações precárias, ou vários projetos) que disponibiliza a uma série de pessoas e organismos que eu nem sei quem são (As pessoas a quem o facebook vende a informação agregada).

Feel free to forward this email a quem dele puder precisar.


–-----------------------------------------------------------------------------------
Uma compilação de informação acerca deste tema e outros relacionados..

Drag Stars, Facebook's "Fake Name" Controversy and the Rise of Ello
http://www.papermag.com/2014/12/facebook_ello_sister_roma.php

Chris Cox: I want to apologize to the affected community of drag queens...
https://www.facebook.com/chris.cox/posts/10101301777354543

Facebook's 'Real Name' Policy Can Cause Real-World Harm for the LGBTQ Community https://www.eff.org/deeplinks/2014/09/facebooks-real-name-policy-can-cause-real-world-harm-lgbtq-community


Drag Queens aren't the only people affected by facebooks' real name policy
http://www.businessinsider.com/drag-queens-arent-the-only-people-affected-by-facebooks-real-name-policy-2014-9

Facebook won't back down from requiring drag queens to use their real names
http://www.businessinsider.com/facebook-wont-back-down-from-requiring-drag-queens-to-use-real-names-2014-9#ixzz3NBuJaEx7

Status de 7.12.2014:

Zuckerberg reiterates: You have to use your real name on Facebook http://venturebeat.com/2014/12/11/zuckerberg-reiterates-you-have-to-use-your-real-name-on-facebook/ 

2014: The Year Facebook Started To Figure Out How It Hurts People http://sfist.com/2014/12/29/2014_the_year_facebook_started_to_f.php

 The single vigilante behind Facebook's real name crackdown http://www.dailydot.com/technology/realnamepolice-facebook-real-names-policy/


Real name police
http://realnamepolice.tumblr.com/

Ello embraces facebook users irked by real name demands
http://www.dailydot.com/technology/ello-facebook-real-names-policy/

Private email monitoring at facebook
http://www.computerweekly.com/news/2240211943/Facebook-faces-lawsuit-over-monitoring-private-messages

Police Can Create Fake Instagram Accounts To Investigate Suspects
http://techcrunch.com/2014/12/24/police-can-create-fake-instagram-accounts-to-investigate-suspects/

10.20.2014

Queer comercial events asking to perform for free

Got yet another invitation to perform for free in a comercial and so-called-queer event. People: queer means resistance to any form of discrimination AND exploitation. You can't call a party queer, sell tickets and hectoliters of beer and ask people to perform for free!

An event organiser asked me recently to perform for free in a comercial queer party. I would get drinks for free and the chance to promote my event in their website. Below a translation to english of my answer.

"Thank you for your (relative) interest in my work. In case you want to know more, feel free to ask.

I like and really enjoy to perform for free in non-comercial community-oriented events. In events which are either comercial and/or admissions costs money and/or drinks are sold I want to be paid, even if is not a fortune, or even a symbolic contribution. (Question: are the DJs, bartenders and sound technicians also working for free?)

Thanks for your offer of publicity of my work in your webpage, but I am already relatively known in the circles of interest that connect to the themes of my work.

Bottomline, I dont think it is fair or even "queer" not to pay people who contribute to a comercial party (be it the bartenders, performers or DJs). Maybe you dont have to pay,  because you dont know how much revenue you are making, but you can propose a participation on the revenue? Queer means for me (And for a great majority of people) resistance to any form of discrimination AND exploitation, and that means being consistent and fair to people who contribute to a comercial event.

Let's stay in contact for eventuel future events, I am open to reasonable offers regarding performances, bondage or video art, and now you know where to find me.

best regards, etc.."

9.17.2012

Fitas: sex-positive

Fitas sex-positive, by Ann Antidote e Daniel Cardoso.
Um artigo escrito a pensar em publicacao integral, acerca de filmes DIY, guerrilla film making, festivais de cinema depravados, e outras coisas. 

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------

A ideia por detrás de se ser sex positive não é a de se converter todo o mundo num imenso bacanal em que pacatos cidadãos se magoem com risco de vida (e da dignidade) ao escorregar no lubrificante. Tal como o ativismo LGBT não pretende converter o globo numa legião tebana. A ideia - infelizmente pouco ventilada - por trás de uma postura sex positive, entre outras, é que todos os modos de vida conscientes e consensuais merecem respeito. Já dizia a avó: "não tenho nada a ver com o que as pessoas fazem umas com as outras lá na casa delas". E é assim mesmo.

Muitos perguntam o porquê de ser agora, este crescimento do sex positive, da pós-pornografia, da pornografia feminista - de todos estes temas que, antes, nem atrás de portas se sussurravam. Há várias razões, mas uma delas é muito simples: uma série de coisas deixaram de ser proibidas. Há uns anos ainda se podia ir para a cadeia por foder com a pessoa do género errado, ou no sítio errado, ou simplesmente por mostrar demasiado exuberantemente uma identidade ou uma preferência. Coisas como a homossexualidade ou o BDSM foram até há relativamente pouco tempo (ou ainda não deixaram de ser, em países mesmo aqui perto) fortemente criminalizados e penalizados (apesar de reconhecermos que estão ainda em voga práticas mais subtis e indirectas de criminalização e penalização).

Claro que o crescimento da internet, e a possibilidade de cada pessoa escolher, até certo ponto, com que produtos culturais desejam interagir, em vez de ficarem sujeitos aos distribuidores de cinema da cidade onde vivem, mudou hábitos e criou circuitos alternativos de criação e distribuição de filmes. Por sua vez, esta mudança de hábitos criou espaços e mentalidades recetivas a produções DIY (faça-você-mesmo) e sem orçamentos que tornam o fazer de filmes (e a sua distribuição e reprodução) acessíveis a qualquer pessoa com um computador e uma câmara básica (tendência essa que, de resto, teve a sua pré-história com a tecnologia VHS e as câmaras pessoais).

Com isto explodiram nos últimos anos os ciclos de cinema especializados, e também os ciclos de cinema de temática sex positive e/ou sexualidades identidades não normativas. Temos em Berlim o PFF (Porn Film Festival), temos o TranScreen em Amesterdão (ainda a aceitar submissões!), temos o Fetisch Film Festival (FFF) em Kiel, temos o San Francisco Trans Film Festival, o Sex Worker Film Fest em Hamburgo, os Feminist Porn Awards no Canadá ou mesmo o Sydney Underground Film Festival na Austrália - só para citar uns quantos.

Passa-nos ao lado? Não: os mesmos mecanismos que mudaram a criação e distribuição de filmes, tornaram todo este circuito uma pequena aldeia global. Berlim e Amesterdão estão ali mesmo ao lado, Kiel ao virar da esquina, a Austrália um pouco mais longe... E se essas distâncias podem criar uma sensação de deslocamento para quem não está a viver nos sítios em questão, a mediação tecnológica vem dar a certeza que não é preciso "ir para fora", para se conseguir fazer bom trabalho e ser-se reconhecido por isso.

Tudo isto para dizer que também há a presença de pessoas portuguesas nos festivais estrangeiros, em várias categorias. Nós próprixs estaremos lá. A Ann Antidote tem um workshop no PFF de Berlim - onde Daniel Cardoso vai ter a estreia mundial da sua curta "Herm::aphrodite" e que arranca no fim de Outubro - e vai ver duas curtas suas serem exibidas no FFF de Kiel: "Vacations in SlutMeadow" e "Remember Gay Love Story", já este mês.

Sabem o que faz lá falta, porém? É que vocês, leitoras e leitores, peguem nas máquinas fotográficas, de filmar, nas webcams, nos brinquedos sexuais, nas amigas e amigos (e/ou em vocês mesmas e mesmos) e arrisquem, experimentem, façam. Mostrem ao mundo que somos diversas pessoas a viver num mundo diverso.

Daniel Cardoso – http://danielscardoso.net/


8.17.2012

Placing the Safe on Safe-places: on the screening of Save the Place at Entzaubert 2012, part 2

Some ramdom thoughsts. by no particular order.

for a tentatively objecive descritpion on the incident at Entzaubert festival on the evening of the 3.8.2012 see my post here: "Placing safe on safe spaces". Comment moderation is enabled to avoid the usual internet spam, but I will publish everything which is not offtopic.

For those (like me) who think that "art" is anything which is created by human beings with some type of intention beyond a prurely funtional one, and feel unconfortable with the pomp and circunstance associated with the word "art", I will use the word stuff* instead

-------------------------------------------------------------------------------------------------

There is a difference between intention and interpretation. Actually I think what makes stuff* interesting is that it can tell several stories, have different symbols for different people.

There is a difference between intention and interpretation. Of course if you (as an artist) have a significant number of people seeing things in your work you did not want to depict, maybe you want to look again at your work.

There is a difference between depicting violence and promoting violence or appologising violence.

I will continue to commit to the queer safe places as defined originally many years ago: safe places actively free from violence and discrimination, through self reflection and social responsability. I dont believe that stopiing to address or depict violence is a part of this. Other wise we can erase all discussions on racism and discrimination.

It is definetely a good idea to be considerate and avoid retriggering or re-hurting trauma, pain, putting salt on wounds etc. It is a good idea to do this independent of any rules on trigger there might be, only based on the fact that we tendendially want to be considerate, correct, and put other people in a fluffy place and not in hell.

Age ratings,  objective descriptions of films/works and trigger warnings are probably some tools which if correctly used might help achieve the former. I like a couple of them more than others, and e.g. dont really believe in trigger warnings, rather prefering objective descriptions in order for me to choose to see it or not.

If you as artist are submitting a work to a venue, be sure to know what the policiy on triggers are, so that you can help them with a better description or eventually with trigger warnings: so that it doesnt backfire on you or the organizators.

If you are organize an event and you want to have a trigger warning policy, make it explicit so that people can decide if they want to submit their works at all, ad so that people who submit their works might have a chance to provide a good description for the elaboration of descriptions and evtl trigger warnings.
 
Independent of safe spaces, but specially for safe spaces it is a good idea that discussions that go beyond the personal level in general get moderated, with some usual rules: no personal attacks tolerated, no interrupting, time limit, everybody should have the opportunity to make a point or refute a point (within time limits).

there is a difference between protecting and nurturing victims and disembalancing the discussion by giving a weight, and giving different rules (like, the possibility to shout, interrupt, be aggressive) to a person who takes the role of a victim. 

It is possible to accomodate people with different needs. It is desirable to do this. Safe place or not. It is about how we want to live. We need to think how, and to make it happen. But we cant do this at the cost of aggressive behaviour, because this is sacrificing one ideal to achieve the same ideal.

One of things worring me in this discussion: it is creating an "anti censorship" reaction, where all arguments on being considerate and accomodating different needs are being overruled.

There is a difference between protecting victims or creating a safe space for victims, and making politics with this.

If you are indeed interested in doing somethign about people with trauma before instrumentalising it for politics, start by reading this:
http://www.heal-post-traumatic-stress.com/help-PTSD-sufferer.html
http://www.mind.org.uk/help/diagnoses_and_conditions/post-traumatic_stress_disorder

starting a discussion about rape depiction in a spontaneous way where none was planned actually can and will trigger a lot of people who did not prepare for this and were not wishing to be confronted with this.

There are a lot of people with trauma. There are many triggers. It is probably worth mentioning if stuff* has violent content susceptible to re-enact pain and trauma. But you will never be able to cover all triggers. While I dont really believe in triggere warnings (rather believing in warnings about violent content), if you want to have trigger warnings dont assume you know everything about other people´s triggers, and try to formulate in a way that doesnt backfire: to you as organizer, to the stuff* makers and to your audience.

People with trauma need support. That doesnt entitle them, or anyone, to engage in aggressive or unacceptable behaviour.

There are interesting political things to be done on trauma. Trauma therapy is usually difficult to access to people with other discrimination issues: migrants, kinksters, polyamorous, left-political-scene.. either because some of those topics get pathologised, or addressed as "difficult" due to being so specific, leading to a refusal by the therapist. Might also be dependent of what type of health insurance you have.



I would personally would like to see more done about handling with trauma at a personal level- workshops, information events, talking rounds - in the queer scene. Are we aware? do we kow the symtoms of trauma? did we read about it? do we know how to deal with it? do we know the authorities who can help with that?


the politization of trauma is forcing many people to out themselves as traumatized, in order to be able to participate in a discussion where you get a different voice depending if you choose the victim side or not. Forcing or driving somebody or a group to out themselves is not safe nor desirable.


The word "victim" is manyfold, and complex. And to label someone as victim (or ally) doesnt make the argumentation above easier. Actually it makes it very problematic. I am aware of this as I wrote the previous 2 paragraphs. 
  
There is a difference between getting feedback, no matter how demolishing in its content - for which most stuff* makers are always thankful - and getting personally attacked, interrupted, silenced. 


Asking somebody who is behaving in an unreasonable way to calm now is not silencing a victim. No reasonable respectful discussion can take place while everybody is not back to their senses, victim or not.

An interesting ever-returning topic. Allies. And speaking in the name of others.
http://lgbtlaughs.tumblr.com/post/29371541839/mama-boy-so-not-into-ally-bullshit-and-as-a

Don't discuss with a drunken person. Never, ever. Don´t.

(ongoing)


8.10.2012

Placing the Safe on Safe-places: on the screening of Save the Place at Entzaubert 2012

This post is commiting to try to be a descriptive and objective text on the incident at Entzaubert festival on the evening of the 3.8.2012. Feel free to comment, correct or complete this description. Comment moderation is enabled to avoid the usual internet spam, but I will publish everything which is not offtopic. I will aboundantly comment and give my opinion in a separate post.

Save the place, or the tragic end of a real-estate agent, was screened as the opening film at the "collective block" from Entzaubert festival   last friday.

Here the link to the film´s synopsis, and the youtube links. The film has a very liberal CC  licence, so feel free to distribute the link aboundantly, and feed the discussion with your contributions, information, insight and gasoline.


http://www.lube-nomads.blogspot.de/2011/09/save-place.html
http://strangesavagelives.net.tc (official, but still under construction)


During the screening one person erupted to protest that the film depicted sexual violence and that it should not be screened in a queer place. The film was nevertheless quite applauded after the screening(s).

Afterwards, during the Q&A session with me and Lun (one of the other "Save the 'Place" authors) and other filmmakers on the stage, the same person grabed the microfone and repeated the same argumentation, that sexual violence should not be present at Entzaubert festival . Other people had things to say, and tried to get into the discussioon, specially (from the stage perspective) a group in the front row, at the right handed side, but they never had the chance to get their point heard (if you read this, I and others would like to know what you have to say).

I grabed the microfone to say that (1) there was never the intention to depict sexual violence, from any of the persons involved in the film. (2) that if this caused any suffering that it was definetely never our intention (3) that the film is a satire, and not an appology of any type of violence.

The people from the orga at the stage had a hard time bringing the discussion down, stating that during the selection they did not see "Save the Place" as a sexually violent film, rather seen as satire and definetely not as violence appology,  and that art is subjective, interpretations being in the eye of he beholder. It was then proposed to halt the current discussion and to continue it at a latter point, as the current discussion had stalled at the same point over and over, with accusations flying on that there was indeed an intention to represent rape and that our - at some point quite loud and impatient- refusal to further discuss this exact point after the disclaimer above was taken as silencing a victim.

Me and Lun spent the night exhausting ourselves in discussing and answering people´s questions, in separate private discussions. During this, I (and a lot others) noticed that very few people seemed aware that there was *not* a trigger warning policy neither an age rating statement in the program the entzauber festival, but at the same time argumenting as this would be a matter of fact.

The next couple of days the focus of the whole discussion moved in the direction of the (curational) need or not of having trigger warnings in queer festivals, and in the queer community and if Entzaubert festival will want to have a trigger warning in future events.

Tuesday (7.8.2012) there has been a feedback round which shoud deal with these topics where I was not present (N.T. for not being able to deal with what could become yet another very violent discussion). Discussion is anyway going on at several informal channels. I will complete this post with links and texts if/when they are provided.




Post containing comments and musings will follow.

Thanks for reading!

1.23.2012

A review from Arse Elektronika

A review from Arse Elektronika (by Ann Antidote)
(complete text to be found in the Krake 2012)
Arse Elektronika is a compilation of texts and presentations from the conference with the same name, organized by Vienna-based collective Monochrom. “We may not forget that mankind is a sexual and tool-using species. And that’s why Monochrom’s conference Arse Elektronika deals with sex, technology and the future. As bio-hacking, sexually enhanced bodies, genetic utopias and plethora of gender have long been the focus of literature, science fiction and, increasingly, pornography, this anthology sees us explore the possibilities that fictional and authentic bodies have to offer. ” reads the manifest.

One grey day in November I found an envelope containing this book with both “the Krake” and my name on it, due to an avalanche of chances. Browsing this book in a hurry I recognized electronic diagrams and lines of code, quite familiar from my previous life as an engineer, I caught words like sex, gender, hacking, control theory, feminist pornography, kink, body extensions. I had immediate flashbacks of one of my favorite books, “The Cities of the Red Night” by William Burroughs, and it was not before long that I found, selbstverständlich, his name, his imaginary and even his writing style quite present all over this book. “Ok, I just have to write about it”, I thought.

At a first glimpse, Arse Elektronika appears to be a book that demands you are an engineer or a geek in order to understand it. It isn't, it is a book that asks more or less politely from you that you believe that you don't have to be engineer to understand its main topic - the interconnections between technology, humanism and therefore our sexual boundaries, our identity boundaries, their reflection in social matrix, and possibilities to extend those - or be inspired by it, to be challenged by it.

If I had to explain in a nutshell what is inside this book, I would start by listing examples on how technology, not only recently, has changed our bodies, our sexuality and therefore our society. There are people out there living with artificial limbs, with more or less neuronal control; people who modify their body to accommodate it to their gender identity via surgery and/or hormonal intake; saying tender words to our absent loved ones - like we do now on the telephone or on skype - would be unthinkable some centuries ago. In these almost every day life examples, we see how technology was used to solve a problem or fill a hole, and how our bodies, emotions and society integrated it. Now, if we use this as a starting point, what if we all sit together and try to think what other possibilities are out there, and what could they do to our life, our sexuality, and our concept of humanity? Would you like to have an embedded LCD display on your arm showing you -real time- your lover´s heart, beating? Would you build a DIY set for having remote, intercontinental, sex with one of your lovers, transmitting most of seeing, sensing, hearing sensations? What about computer controlled electrical sexual titillation? And most of us used the internet to find polyamorous like-minded peers, right? Would you like to add an extra pair of arms to your torso? What about Krake-like tentacles? And how would society accommodate this? Would it be more variety-friendly? Would this press hetero-sexism out of the picture? Would it still be regarded as human? Ethical?

Arse Elektronika is an exploratory book which will leave questions unanswered, for the interested reader to look further for the answers. It will eventually inspire you and show you the principles on how to build the mentioned DIY remote sex set or the so-called pussy pad, but it is not a “how to” manual. The manual, the actual set, and the identities and societies you will be living in with it will have to be constructed by you.

Bibliography:

10.25.2011

Entrevista para a A-radio

A A-radio é o canal de radio anarquista da Radio Orange, baseada em Viena.

Estive em St. Polten, nos Queer Feminist Network meetings, onde mostrei o filme "Férias em Vale Galdérias" juntamente com o meu companheiro de conspiracao, Roderick. Fomos entrevistados para a A-radio, que tentou retratar com fidelidade o que foi esta semana em St. Pölten.

http://www.a-radio.net/2011/1316

A introducao é em alemao, mas a entrevista p.p.d. é em inglês. A nossa entrevista é seguida de uma entrevista a Sadie Lune, sobre as workshops que deu, sobre a sua visao sex-positive do mundo e da grande família queer.

7.07.2011

Nuclear: olhar à nossa volta

Com fukushima de repente relançou-se estremunhadamente a discussão sobre o nuclear, e de repente houve acordares dolorosos e buscas de informação apressadas. Ou de repente ficou descoberta a careca de que nos estavam a vender produtos e energia com a etiqueta "verde", por ser redutora de emissões de carbono, que na verdade tinham uma contribuição do nuclear. Sim, estavam-nos a vender o nuclear como energia verde, mas poucos se aperceberam disso. Houve activistas a apoiar produtos "carbon correct" sem saber que havia nuclear "dentro".

Tenho aqui em cima da secretária uma série de panfletos de vários grupos políticos anti-nuclear, uns mais interventivos que outros. Um deles limita se a informar acerca de que organismos estão mais ou menos comprometidos no apoio ao nuclear, um pouco como "tomem lá esta informação e façam dela o que quiserem". Lista endereços desde construtores de reatores nucleares, passando pelos organismos políticos que decidem e apoiam a sua implementação ou os responsáveis pela gestão (leia-se exportação atabalhoada) do lixo atómico.

Um dos organismos que me deixou a pensar foi o WiN, Women in Nuclear. é uma associação mundial de mulheres que trabalham na industria nuclear (Exclui investigação cientifica, e medicina portanto). São mais de 2000 mulheres no mundo inteiro. Se fizermos a habitual continha que mulheres a trabalhar na industria são menos de 15%, isto dá-nos várias dezenas de milhares de pessoas a trabalhar na industria do nuclear.

Se são tantos, quer dizer que eles andam aí, à nossa volta. Como é que não damos por isso? De certeza que conheço alguém que pertence a este grupo. Há todo um mundo do qual nada sabemos e que decide coisas por nós. E que se calhar bebe cafés connosco e nos dá umas palmadinhas nas costas e até são uns gajos porreiros..

hmmm.

6.30.2011

24/7 The passion of life, o filme

Não sei se é bom, mau ou assim assim, até porque só estreia dia 24.7 (Oh! que original!). Chama-se "24/7 the passion of life"

Pelo flier que tenho aqui em cima da mesa, parece ser mais uma tentativa de fazer um filme comercial com BDSM em todos os pontos do seu catálogo. Deixa-me, ver, a hora está tardia para ler isto em detalhe, mas palavras que me saltam aos olhos: Domina-Studio, Swingerclub, Stripteasebar, visitados e guiados por uma socióloga que tropeça na filha de um dono de hotel... Hmmm.. isto para mim não começa da melhor maneira, mas vou seguir e quando souber mais digo-vos. Ou vocês dizem a mim, vai dar ao mesmo. De qualquer maneira, ficamos todos avisados e fiquemos atentos.

5.31.2011

Manifestação contra a repressão do trabalho sexual

um pouco por todo lado começa a aparecer trabalho acerca da penalizacao da prostituição e/ou trabalho sexual (vários termos que nem sempre se sobrepoem) , e uma tentativa de chamar os bois pelos nomes e separar diversos assuntos.

Em Franca temos já dia 2 de Junho, quinta feira, a manifestação contra a repressão do trabalho sexual. O trigger é a lei francesa vigente que penaliza os clientes. A prostituição em si não é crime, mas sim o uso da prostituição. Enquanto que se pode argumentar que há situações que acontecem em contexto do trabalho sexual que são para ser combatidas, não é proibir ou penalizar todas as situações desse contesto que se vai nem resolver os tais problemas nem criar uma situação justa. Nao é proibindo a solicitação que se vai acabar com a prostituicao forcada (ou mesmo o trabalho sexual de todo) ou com situações de fragilidade extremas.

Manifestation contre la répression du travail du sexe

Thursday, June 2 · 2:00pm - 6:00pm

Nous demandons l'abolition de la LSI et du délit de racolage passif, qui nous criminalisent, nous stigmatisent, nous précarisent et nous mettent en danger. Nous refusons catégoriquement la pénalisation de nos clients. Payer pour du sexe n'est pas un crime. Laissez nous travailler! Faisons nous entendre! Travailleurs et travailleuses du sexe, ainsi que ceux et celles qui nous soutiennent, sortons du placard et marchons pour nos droits!
contact@strass-syndicat.org

Org: STRASS Syndicat du TRAvail Sexuel




5.27.2011

perigos inusitados duma vida kinky

Há inúmeros bons artigos, pela Internet fora e não só, acerca dos perigos relacionados com o SM e como os minimizar. Já falámos aqui de regras para as festas, de negociação, falaremos em breve de checklists.

Mas inusitadamente...

Apanhei a primeira carraça da minha vida numa festa kinky num jardim... o que é ainda mais improvável dado que passei os últimos 10 anos da minha vida a fazer todo o tipo e mais algum de atividades outdoor. Enfim. Improbabilidades.


Fiquem portanto com a sugestão para este Verão, kinky outdoor sim, muito boa ideia, mas levar um estojo de primeiros socorros, repelente de insetos e uma pinçazinha.

5.23.2011

Fetish4all, Augusta Vindelicorum

Este fim de semana fiz 2x600km para ir a uma festa de anos. Acho que não vale a pena explicar como era importante para mim estar presente, ninguém faz 1200km assim sem mais nem menos (a não ser que não tenha vida).

A dita festa foi nas instalações do fetish4all e achei por bem hoje escrever sobre esta associação, porque acho que o trabalho que fazem tem um carácter muito especial.

O fetish4all é uma associação recreativa, não é um clube. Dentro das suas limitações bastante fortes acabaram por ser desenvolvidas características únicas que o tornam muito especial e atraente na sua vocação. As suas instalações são antigas estufas de criação de plantas, abandonadas há muitos anos e em estado de ruína até há poucos anos. Os terrenos, por razoes históricas, das quais eu quero saber o menos possível, são de momento invendáveis e pagam uma renda muito baixa. Os seus organizadores são pessoas dos mais diversos walk-of-life, desde académicos a colarinhos-azuis, queers ou não, e aí por diante...

um grupo de pessoas resolveu pegar na coisa para poder ter um espaço para as suas atividades ligadas ao BDSM. Nem toda a gente gosta de fazer tudo em casa, alem de que é bom ter um sitio para conhecer kindred-spirits. Nesta cidade, Augusburg, com menos de 300.00 habitantes, não havia nada em termos de clubes ou eventos SM, e na cidade mais próxima, Munique, além de ter uma cena muito pequena e mais orientada mais para o fetish que para o BDSM ppd, os preços habituais que o BDSM não-queer cobra são simplesmente estratosféricos e sem oferecer nada de especial que os justifique. A riquesa dos Fugger foi há muito tempo... Sendo assim, fundaram uma associação, à qual qualquer pessoa pode pertencer pagando uma joia anual de 100 Euros. Esse dinheiro paga a renda do terreno e as obras de melhoramento da casa e dos terrenos. Em troca, pode-se usar as instalações, para as quais há um conjunto de regras de utilização e co-responsabilização.

Aos poucos, o jardim foi limpo das silvas que lá cresceram nos últimos 60 anos, e a casa ganhou um telhado por onde a chuva já não entra. Mais tarde uma das estufas recebeu algum equipamento SM, todo muito DIY, sem luxos mas sem descurar a segurança. Há dois anos alguém trouxe uma máquina de lavar. No outono, alguém trouxe um frigorífico... No fim desde inverno construiu-se um laguinho no jardim onde as rãs coaxam ao por do sol. No mês passado foi acrescentado um ponto de suspensão para bondage. As outras estufas, ainda arruinadas, podem ser visitadas e utilizadas, e têm um charme de lost-place.

Devido ao carácter DIY e ao facto de muito do terreno ainda estar arruinado e por reabilitar, é valida a regra "use at your own risk", a organização não se responsabiliza por acidentes. Mas na verdade, na Alemanha, qualquer clube SM tem esta regra.

Talvez pelo facto de a cidade ser pequena (260.000), e precisamente a cena SM ser minúscula, a coesão, mais do que desejável, é uma questão de sobrevivência, e o trabalho de equipa entre pessoas da cena lesbian-queer e da cena mainstream é simplesmente de louvar. Torna a coisa completamente única. De repente uma série de coisas que caracteriza a cena BDSM mainstream (a decoração tipo dungeon, o dress code obrigatório, a musica mais ou menos "gótica ou nem por isso", ou a ausência de regras acerca de limpeza, safe sex ou acerca do consumo de álcool) são discutidas em vez de serem cegamente quotidianas. Há um cross over bastante interessante. os landmarks dos eventos SM queer aparecem num contexto que se reconhece como mainstream: luvas de safer sex, desinfetante, pessoas vestidas simplesmente como lhes apetece...

Para alem de se poder usar as instalações, há festas organizadas, há workshops, e há "dias de porta aberta" em que a associação se apresenta ao resto da população. O próximo é 18.6.2011...

é possível usar as instalações com o estatuto de membro temporário pagando uma joia simbólica. E se alguém quiser contribuir, donativos são mais do que bem-vindos... (http://www.fetish4all.de/node/8)

Por mim, que vivo numa cidade em que há de tudo no que diz respeito a SM (inclusivé uma atitude amistosa), apreciei muito o trabalho que vi e a unicidade da coisa. Achei que mesmo nesta cidade em que há tudo não há um sitio onde posso fazer uma suspensão em bondage numa ruína de uma estufa, ou de fazer simplesmente uma play com a luz rosa do entardecer e ao som de rãs a coaxar. E isto é impagável.

os habituais links que vos preparei com amor e carinho com que me podem ajudar a ter tempo para escrever (o mais insignificante clickzinho ajuda):

5.16.2011

não é não

E continuando na sequencia do post anterior, a questão que está subjacente a isto tudo é que não é toda a gente que entende que não é não, e que se não é consensual é violência. Iliteracia? diria que é algo muito mais subterrâneo e perigoso.

De qualquer maneira, com ou sem Slut Walk , a UMAR resolveu e muito bem organizar uma ação de protesto a propósito do acórdão de tribunal que absolve um psiquiatra acusado de violar a sua paciente.

não se trata de se fazer comentários de conversa de café, em que este acha que sim e este acha que não, à moda do futebol, em que todos seriam melhores treinadores do que quem o faz ao vivo e a cores. Não se trata de começar a contestar com uma manifestação qualquer julgamento sempre que a decisão não agrada. Trata-se de pegar nas próprias frases que estão documentadas no acórdão, acerca de atos provados, e perceber que algo se perdeu durante este julgamento, e chamar a atenção quer de quem tem o assunto entre mãos, quer do cidadão (des)atento e convidar as pensar e intervir na "coisa" (sendo a "coisa" um assunto tão pouco importante como "apenas" em que sociedade é que queremos viver)

Aqui o link para a noticia no JN, e para o texto completo da UMAR.


A UMAR fala de criação de uma lista negra de profissionais de saúde. A compilação de listas de medicxs ou LG friendly ou Trans friendly ou feministas etc é prática habitual por aqui no Norte da Europa, e embora não resolva o problema de "porque é que continua a haver profissionais que fazem coisas - discriminação - contra o código deontológico", resolve o problema de todos aqueles, ativistas ou não, que simplesmente precisam de um médico sem esperar pelo acórdão de tribunal por acao de discriminação. A criação de uma lista negra implica por outro lado, para se evitar processos por difamação, injustiças e outros sarilhos, que seja verificada e objetiva, ou seja, que seja mantida por alguém. Não tenho a certeza que seja a solução mais construtiva, mas provavelmente tem o efeito grandioso de criar uma discussão e de essa discussão finalmente cair à rua.

Desejo que haja ações não só de intervenção, a chamar a atenção dos responsáveis pela Justiça e pela educação por Direitos Humanos e educação sexual nas escolas. Desejo que alguem pergunte à Ordem dos Médicos a sua posição neste caso. Desejo que os profissionais de Direito aprendam Direito, e que as pessoas acordem para este problema e que não olhem para o lado e digam que não lhes diz respeito.

Por outro lado andam alegremente pelo FB a divulgar o retrato robot do acusado, o que me põe bastante de mau humor, porque entendo o ativismo como uma luta pela implementação de regras justas ou pela aplicação cuidadosa das regras já existentes. e se usamos justiça por conta própria, desacreditamos a luta em que supostamente acreditamos. Isto não é agit-prop, isto é apenas uma caça às bruxas. Por muito que não goste do que aquele senhor tem às costas, ou que não me apeteça fazer-lhe festinhas,não acho que a luta contra a violência e o abuso passe por um tipo de justiça popular, que não me parece uma coisa desejável ou agradável de ver à solta nas ruas internéticas.

Fuming.

a habitual lista de livros de "leitura complementar para este assunto" e outras cenas:












.


5.15.2011

Transcreens

YOU and US = TranScreen

É já em Junho. Vem aí o TranScreen, o festival de cinema Trans, em Amsterdam.
Vai ser "o" ponto de convergência de filmes e arte sobre e com o tema trans.

http://transcreen.wordpress.com/about/english/

We are trans, We love film, We are queer
We are friends, We love art, We are weird
We are groundbreaking, We are freaks, We are out
We are invisible, We are black, We are proud
We are perfomers, We are transsexuals, We party
We are transformers, We are seniors, We are history
We are transvestites, We are fluid, We are complex
We are differently abled, We are cute, We have sex
We are stories, We are alive, We are men
We are intersex, We are ‘normal’, now and then
We are creative, We are single, We are rare
We are provocative, We are femme, We are aware
We are so much more than this
and we are YOU
YOU + US = TranScreen





5.13.2011

Slut Walk

Sex is something people do together, Sex is not something you do to someone else Nem que fosse pelo título, teríamos de falar da Slut Walk. Mas não será só pelo título. Apareceu por aí argumento do costume. "Se te vestisses como uma senhora e nao como uma puta, nao te punhas a jeito para ser violada". E da boca da polícia. E isto tudo, como se fosse ok violar putas, que é outro argumento que nao percebo. Alguém se lembra do famoso acordao de tribunal (se nao me engano no Algarve) num processo de violacao de duas turistas "que devem ficar cientes daqui para a frente que estao a pisar a coutada do macho latino"? Como se uma vida liberal ou roupa ou simplesmente o facto de se sair à rua desculpasse o ultrapassar de qualquer fronteira e o desrespeito de qualquer forma de consenso (ou falta expressa dele) E resumindo e baralhando, a tao batida frase desta vez caiu mal e está a criar ondas de choque sob a forma de uma "Slut Walk", como movimento que procura denunciar a desculpabilizacao da violacao e ao mesmo tempo a culpabilizacao de tudo o que é sex positive... Comecou em Toronto (http://www.slutwalktoronto.com/), alastrou a Londres, e espalha-se alegremente pelo resto da Europa.. Toca a encher as ruas com mulheres vestidas com os trajes que os policias parecem achar que sao a desculpa para uma violacao automática e imediata. Fala-se de cerca de 5000 pessoas.

http://www.slutwalktoronto.com/

reportagem: http://www.youtube.com/watch?v=3vOCnZOcr8w

Thousands of scantily-clad women to march in London as 'SlutWalk' protest reaches UK

e um bom artigo, concorde-se com os argumentos apresentados ou nao, acerca de SlutWalk e feminismo...
We’re Sluts, Not Feminists. Wherein my relationship with Slutwalk gets rocky

E quem quiser saber mais, uma seleção de livros pertinentes para o tema (E uma ocasião para ajudarem este blog):


5.07.2011

9th International Women's SM Conference

Para quem perdeu Berlim na Páscoa, que tal como Braga na mesma altura também tem muitxs flagelantes, há ainda Manchester, que vale bem uma missa.

9th International Women's SM Conference

Para xs mais distraidxs, a conferência é aberta a mulheres e a todos os trans que acham que pertencem à cena lésbica.

Este ano nao vou poder lá estar, com grande pena minha. Gostei muito do ano passado, quer como consumidorx, quer como moderadorx de workshops. Se alguem que leia este blog for, gostava de saber como foi.


Pausa para a nossa publicidade, sempre com conteudo relevante para o artigo:






.

5.03.2011

Trabalho Sexual Voluntário

Neste blogue, não com muita insistência, mas com consistência, escreve-se sobre trabalho sexual (voluntário, para quem anda mais distraído e deu agora um pulo brutal na cadeira). Quando este blogue comecou, em 2005, esse tema era para mim apenas mais um domínio (mas um bem grandinho) em que cada um tem o direito de tomar as suas decisões, e que nem Estado nem vizinhas tem o direito de julgar o modo de vida ou a pessoa que o exerce. De modo que peguei nessa briga por solidariedade.


Em 2006, a primeira marcha do Orgulho LGBT do Porto, de cuja organização eu fiz parte, e com o lema Um presente sem violência, um futuro sem diferença tematizou a fragilidade e a defesa dos direitos dos trabalhadores sexuais num manifesto que não foi livre de discórdia.

"uma política social de assistência a grupos marginalizados – incluindo imigrantes, pessoas com HIV, sem-abrigo, utilizadores de drogas e trabalhadores do sexo – em vez de uma política de exclusão."

Entre 2005 e este ano, fui reparando como amigxs e conhecidxs me foram revelando mais ou menos confidencialmente que eram trabalhadores sexuais, ou que consideravam experimentar. Notei os ventos da mudança dentro e fora duma cena queer de inspiração feminista. A prostituição deixou de ser necessariamente o dormir (literalmente) com o inimigo e o apoiar de um sistema patriarcal que se quer combater, mas sim uma escolha válida, uma forma de luta, de exercício de liberdade individual, uma maneira de ganhar dinheiro, ou uma forma tão valida como outra de alegria e realização (Sim, também há..).

Em Janeiro deste ano, dois autorxs deste blogue apresentaram uma performance no Hurenball, e talvez tenha havido mais motores para essa participação para alem dos óbvios vaidade, ambição artística, e solidariedade com amigxs e com o trabalho sexual em geral. Também desde Janeiro que estou mais concentrada em trabalhar na vertente performance e artística do que na escrita, como se nota no "vazio e pouco mais" deste blogue.

Esta semana resolvi voltar a escrever e o detonador foi isto:

Sobre a tomada de posição da CGTP contra direitos sociais para quem presta serviços sexuais

Fui investigar, e apesar de não encontrar o texto original (Existe?) com a tomada de posição oficial da CGTP, encontrei este, bastante descritivo:

CGTP repudia campanha do preservativo, por aceitar prostituição como profissão


Hmm. Pode-se combater cada um dos argumentos ponto a ponto. Temos pelo menos dois pontos independentes que merecem uma massagem. Um é " a contestação da campanha do preservativo tal como ela foi apresentada (figuras estereotipadas, com mulher-puta-de-rua homem-cliente etc)" e o outro "a aceitação ou não da prostituição voluntária como forma de trabalho"

Na verdade acho que a campanha publicitaria que foi contestada é bastante contestável. Não há necessidade de perpetuar o cliché da prostituição como feminina e de rua. A campanha peca não só por falta de imaginação mas por falta de sensibilidade a temas de género. Não sei por outro lado se vale a pena por outro lado bloquear a coisa por aí. Não sei mesmo.

Mas onde a coisa dói mesmo é na não aceitação da missão própria - defesa do trabalhador. O não aceitar da prostituição como forma de trabalho, parece poder desresponsabilizar a CGTP do seu papel de defensora dos direitos de TODXS os trabalhadores. mesmo eu pondo me no lugar deles, em que não, o trabalho sexual voluntario não é uma forma legitima de trabalho, não me parece que isso tire a questão de cima da mesa, em que há trabalhadorxs com necessidades graves e prementes.

Lenha para a fogueira:
http://aeiou.expresso.pt/1-de-maio-trabalho-sexual-e-trabalho=f579943
http://panterasrosa.blogspot.com/2011/05/panteras-rosa-e-plataforma-trabalho.html
http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/germany/1482371/If-you-dont-take-a-job-as-a-prostitute-we-can-stop-your-benefits.html

Mas enfim, importante é, a discussão rola, e quero chamar a vossa atenção para participarem nela, com todos os vossos argumentos.

Aqui o link para a muito bem redigida Carta Aberta - O MOVIMENTO SINDICAL E O TRABALHO SEXUAL EM TEMPO DE CRISE (Panteras Rosa)

E para quem se interessa ou começa a interessar pela possibilidade real de trabalho sexual voluntário, deixo-vos o link para o Sex Worker Open University:
http://www.sexworkeropenuniversity.com

Deixo-vos tambem algumas propostas pertinentes para o tema:


.

4.11.2011

Schlampenau goes Lisbon

Exibição do documentário "Vacations in Slutglen".

15.04.2011 (15h) Lisboa.
Sala de Video da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Org: Letras fora do Armário.





“unnatural women need rest and to spend time with other sluts, away from the heteronormativity, exchanging experiences, discussing utopias or developing a new relationship culture.”

Passagem do documentário sobre um acampamento de verão na Alemanha para feministas poliamorosas.

Vamos poder contar com a presença de um dos realizadores!



Duração do filme: cerca de 20 min.

.

1.24.2011

Trabalho é trabalho, trabalho sexual incluido.



A associação Hydra, fundada em 1980 por algumas mulheres corajosas, completa 30 anos. Para quem não sabe, a Associação Hydra bate-se pelos direitos e interesses dxs trabalhadorxs sexuais e é baseada em Berlim. Alem de todo o trabalho político e de divulgação do trabalho sexual como merecedor de respeito, a Hydra oferece serviços de aconselhamento a vários níveis ( fiscal, legal, médico, psicológico e profissional) não só a trabalhadorxs sexuais mas também aos seus clientes, familiares, amigos, ou profissionais que lidem com a prostituição no contexto do seu trabalho (policias, advogados, médicos..). Temas como prevenção de doenças, a situação especial de prostitutxs com background migrante ou prevenção de violência são cobertos. A sede possui uma biblioteca especializada, aberta não só a membros.

E sim, completa 30 anos. Razão mais que suficiente para festejar, com o Hurenball, o "Baile das Putas". Festejemos então todos os que achamos, por este ou aquele ou nenhum motivo, que devemos festejar também.

Próximo Sábado, 29 de Janeiro de 2011, 21h, KitKatClub, em Berlim

conta com a participação numa performance de alguém que contribui para este blog ("nuvens").

Poster:
http://www.hydra-berlin.de/fileadmin/users/main/pdf/Plakat_Hurenball.jpg

.

1.18.2011

Conteúdos que incitem à discriminação sexual é punido por lei

Isto pode interessar, directa ou indirectamente, à malta que vive ou pensa viver poly.

Divulgar conteúdos que incitem à discriminação sexual é punido por lei com pena que pode chegar aos cinco anos de prisão.

Os comentários relativos ao homicídio de Carlos Castro têm-se multiplicado, tanto nas edições online de jornais e revistas como nas redes sociais. Poucos dias depois da violenta morte do jornalista, uma utilizadora do Facebook criou um grupo chamado "Eu apoio Renato Seabra, matar gays não devia ser crime". Segundo o advogado Arrobas da Silva, a haver violação da lei, "deve ser o Ministério Público a promover uma acção penal. Parece-me, pela descrição, que deverá ser um crime público ou semipúblico", explica o causídico. Este tipo de crime contra a identidade cultural e a integridade pessoal está contemplado no artigo 240.º do Código Penal português e pode resultar numa pena de prisão de seis meses a cinco anos. "Eu creio que a pena se aplica a quem cria e a quem adere. Pode haver depois uma graduação de responsabilidades, mais para quem tem a direcção", explica o jurista. Arrobas da Silva afirma também que dado o fenómeno recente das redes sociais urge uma reformulação da lei que contemple este tipo de casos: "Há 20 anos, por exemplo, havia pessoas que praticavam burlas informáticas e, como não estava previsto no Código Penal, não era crime. Houve que acrescentar à tipicidade do Código Penal novos crimes." Sobre a necessidade da criação de uma entidade reguladora para situações como incitamento à homofobia, o advogado acrescenta que a situação deverá ser avaliada pelas instâncias competentes. "Se houver um crescendo de sentimentos - mais do que comentários - desta natureza, pode ser que haja necessidade no futuro de criar uma entidade reguladora. Neste caso, seria de bom tom o Ministério Público comentar estas situações, que constituem crime de incentivo à homofobia", afirma Arrobas da Silva.

Contactado pelo DN, o presidente da ILGA Portugal explica, a propósito de a maioria dos comentários colocados no Facebook e no ciberespaço serem feitos por homens, que "a homofobia está ligada ao sexismo. Há uma relação quase umbilical entre género e sexualidade". Paulo Côrte Real explica ainda que, segundo dados do Eurobarómetro, "a discriminação segundo a orientação sexual é a que tem maior prevalência em Portugal. Isto é um problema mundial mas temos um grande trabalho a fazer, apesar de, no ano passado, termos dado passos importantes nesse sentido".


.