12.19.2006

Quotideano Delirante II


Mais quotideano delirante.

Se é para continuar a continuar a contar a história da minha vida, ou pelo menos a polihistória da minha vida, talvez seja precisa uma pequena introducao.

Nao esperem encontrar aqui descricoes de grandes borgas e sexo escaldante. Isto é um blog sobre poliamor e nem sempre isto tem implicacoes a nivel de libertinagem ou sexo. Por isso, quem quer ler tais descricoes é melhor ir para outra freguesia. Nao quer dizer que nunca me tenha acontecido alguma história bastante rocambolesca, daquelas em que uma pessoa se esconde dentro do armário ou no parapeito da janela. Mas nao é essa a ideia deste blog. A ideia é desdramatisar o conceito de poliamor. Somos normais, sabiam? Ou tao normais ou anormais como os nao poliamorosos.

Sou uma mulher. Identifco me como uma lésbica - bi. Quem me quiser chatear acerca desta aparente contradicao, pode escrever directamente para dev/null, essa grande caixa postal. Idem para todas as tentativas de categorisacao e maintreamisacao, principalmente em questoes de género. Bi e hetero definem uma prefêrencia sexual. Lésbica define um perfil social e político. Sou adulta. Maior. Vivo uma relacao em V. Um V fechado, que nao está aberto a novas pessoas. Um homem, uma mulher. Já vivi um triângulo. Nao resultou. Foi uma história que durou 3 anos e que evoluiu para uma situacao diferente por razoes "naturais", ou seja, por razoes alheias a ser uma relacao "nao convencional", nao monogâmica.

Todas as historias de "quotideano delirante" que eu escrever aqui serao garantidamente verdadeiras, nao imaginadas e especificas á minha vida numa relacao nao monogâmica.

Espero que essas histórias tenham interesse para outras pessoas, quer sejam poliamorosos ou nao. E obrigada por lerem.


(curtam uma personagem poly: Amelia Earhart
http://news.nationalgeographic.com/news/2001/05/images/0828_wireamelia1.jpg)

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4 comments:

  1. Alexandre20.12.06

    Eu acho que a maior parte das definiçoes sobre a sexualidade sao simples etiquetas que desgraçadamente funcionam mais para os demais do que para nós mesm@s, é uma forma de que as pessoas possam ter claro o que es sem ter medo de ti ou do que poidas fazer. Por que há que ser algo constantemente?, nao devera ser mais formoso estar abertos a todo em qualquer momento, ser todo, sem ter que limitar-se? Porém, por desgraça a sociedade funciona assim. Eu também me definiria como gay e bi, ainda quando nunca tive parceiros estáveis e poderia viver uma vida como hetero sem levantar suspeitas. A minha postura é clara, sou gay por condicionante social. Se a sociedade quer etiquetar-me que apanhe com as consequências, que nom pense nem por un momento que me vou conformar com o caminho fácil que arranjou para ela mesma.
    Eu até hai uns meses desconhecia que a minha relaçao fosse poliamorosa, digamos que achei casualmente a etiqueta hai pouco, desconhecia que isto tivesse outro nome do que nós lhe deramos. Penso em todas as pessoas que nos deixaram de falar nestes cinco anos, as que se afastaram, as que nos agrediram, as que singelamente nao se achegaram a nós, ou as que tentaram "salvar-nos" (junt@s ou por separado). Também nos que nos querem mesmo hoje ainda que notemos que nom compreendem nada. Se calhar a gente precisa essa etiqueta para compreender, e penso que começarei a usa-la ainda que nao a comparta num cento por cento.
    O vosso blog deu-me muitos ânimos e achei-no muito interesante. Hei volver, sempre que nao me consideredes uma moléstia. Ánimo para continuar con ele, que o dev/null trague a todos os que nao compreendem.

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  2. Isto é que é um coming out! Lol

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  3. Dev / Null --> LOL!
    Ainda me lembro quando escrevia para o TAP0: ;)

    Força, é destes posts que quero ver mais! Vosmecês têm obrigação, este é o único blog do tipo na net portuguesa!

    Beijinhos!

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  4. Anonymous23.12.06

    eu conheço uma relação de 3. São lésbicas, e nem são V nem triângulo, são simplesmente 3 pontos descoordenados. Mas tão descoordenadas que deixaram de se entender. Vai daí, uma delas, a que me é mais próxima, sugeriu-me a hipótese de 'ficar' com uma das outras. O objectivo dela: que nos viesse a 'resgatar' (no sentido literal do contexto financeiro) as duas juntas, o que causaria que a última das 3 originais 'caísse'.
    Esperem lá... mas isto é 'normal'!?
    Eu senti-me tratada como peça de catálogo! Assim como senti que estava a ser tratada a tal rapariga que me foi 'oferecida'.
    Mas que espécie de sexo pode justificar tanta falta de respeito!?

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