6.30.2011

24/7 The passion of life, o filme

Não sei se é bom, mau ou assim assim, até porque só estreia dia 24.7 (Oh! que original!). Chama-se "24/7 the passion of life"

Pelo flier que tenho aqui em cima da mesa, parece ser mais uma tentativa de fazer um filme comercial com BDSM em todos os pontos do seu catálogo. Deixa-me, ver, a hora está tardia para ler isto em detalhe, mas palavras que me saltam aos olhos: Domina-Studio, Swingerclub, Stripteasebar, visitados e guiados por uma socióloga que tropeça na filha de um dono de hotel... Hmmm.. isto para mim não começa da melhor maneira, mas vou seguir e quando souber mais digo-vos. Ou vocês dizem a mim, vai dar ao mesmo. De qualquer maneira, ficamos todos avisados e fiquemos atentos.

5.31.2011

Manifestação contra a repressão do trabalho sexual

um pouco por todo lado começa a aparecer trabalho acerca da penalizacao da prostituição e/ou trabalho sexual (vários termos que nem sempre se sobrepoem) , e uma tentativa de chamar os bois pelos nomes e separar diversos assuntos.

Em Franca temos já dia 2 de Junho, quinta feira, a manifestação contra a repressão do trabalho sexual. O trigger é a lei francesa vigente que penaliza os clientes. A prostituição em si não é crime, mas sim o uso da prostituição. Enquanto que se pode argumentar que há situações que acontecem em contexto do trabalho sexual que são para ser combatidas, não é proibir ou penalizar todas as situações desse contesto que se vai nem resolver os tais problemas nem criar uma situação justa. Nao é proibindo a solicitação que se vai acabar com a prostituicao forcada (ou mesmo o trabalho sexual de todo) ou com situações de fragilidade extremas.

Manifestation contre la répression du travail du sexe

Thursday, June 2 · 2:00pm - 6:00pm

Nous demandons l'abolition de la LSI et du délit de racolage passif, qui nous criminalisent, nous stigmatisent, nous précarisent et nous mettent en danger. Nous refusons catégoriquement la pénalisation de nos clients. Payer pour du sexe n'est pas un crime. Laissez nous travailler! Faisons nous entendre! Travailleurs et travailleuses du sexe, ainsi que ceux et celles qui nous soutiennent, sortons du placard et marchons pour nos droits!
contact@strass-syndicat.org

Org: STRASS Syndicat du TRAvail Sexuel




5.27.2011

perigos inusitados duma vida kinky

Há inúmeros bons artigos, pela Internet fora e não só, acerca dos perigos relacionados com o SM e como os minimizar. Já falámos aqui de regras para as festas, de negociação, falaremos em breve de checklists.

Mas inusitadamente...

Apanhei a primeira carraça da minha vida numa festa kinky num jardim... o que é ainda mais improvável dado que passei os últimos 10 anos da minha vida a fazer todo o tipo e mais algum de atividades outdoor. Enfim. Improbabilidades.


Fiquem portanto com a sugestão para este Verão, kinky outdoor sim, muito boa ideia, mas levar um estojo de primeiros socorros, repelente de insetos e uma pinçazinha.

5.16.2011

não é não

E continuando na sequencia do post anterior, a questão que está subjacente a isto tudo é que não é toda a gente que entende que não é não, e que se não é consensual é violência. Iliteracia? diria que é algo muito mais subterrâneo e perigoso.

De qualquer maneira, com ou sem Slut Walk , a UMAR resolveu e muito bem organizar uma ação de protesto a propósito do acórdão de tribunal que absolve um psiquiatra acusado de violar a sua paciente.

não se trata de se fazer comentários de conversa de café, em que este acha que sim e este acha que não, à moda do futebol, em que todos seriam melhores treinadores do que quem o faz ao vivo e a cores. Não se trata de começar a contestar com uma manifestação qualquer julgamento sempre que a decisão não agrada. Trata-se de pegar nas próprias frases que estão documentadas no acórdão, acerca de atos provados, e perceber que algo se perdeu durante este julgamento, e chamar a atenção quer de quem tem o assunto entre mãos, quer do cidadão (des)atento e convidar as pensar e intervir na "coisa" (sendo a "coisa" um assunto tão pouco importante como "apenas" em que sociedade é que queremos viver)

Aqui o link para a noticia no JN, e para o texto completo da UMAR.


A UMAR fala de criação de uma lista negra de profissionais de saúde. A compilação de listas de medicxs ou LG friendly ou Trans friendly ou feministas etc é prática habitual por aqui no Norte da Europa, e embora não resolva o problema de "porque é que continua a haver profissionais que fazem coisas - discriminação - contra o código deontológico", resolve o problema de todos aqueles, ativistas ou não, que simplesmente precisam de um médico sem esperar pelo acórdão de tribunal por acao de discriminação. A criação de uma lista negra implica por outro lado, para se evitar processos por difamação, injustiças e outros sarilhos, que seja verificada e objetiva, ou seja, que seja mantida por alguém. Não tenho a certeza que seja a solução mais construtiva, mas provavelmente tem o efeito grandioso de criar uma discussão e de essa discussão finalmente cair à rua.

Desejo que haja ações não só de intervenção, a chamar a atenção dos responsáveis pela Justiça e pela educação por Direitos Humanos e educação sexual nas escolas. Desejo que alguem pergunte à Ordem dos Médicos a sua posição neste caso. Desejo que os profissionais de Direito aprendam Direito, e que as pessoas acordem para este problema e que não olhem para o lado e digam que não lhes diz respeito.

Por outro lado andam alegremente pelo FB a divulgar o retrato robot do acusado, o que me põe bastante de mau humor, porque entendo o ativismo como uma luta pela implementação de regras justas ou pela aplicação cuidadosa das regras já existentes. e se usamos justiça por conta própria, desacreditamos a luta em que supostamente acreditamos. Isto não é agit-prop, isto é apenas uma caça às bruxas. Por muito que não goste do que aquele senhor tem às costas, ou que não me apeteça fazer-lhe festinhas,não acho que a luta contra a violência e o abuso passe por um tipo de justiça popular, que não me parece uma coisa desejável ou agradável de ver à solta nas ruas internéticas.

Fuming.

a habitual lista de livros de "leitura complementar para este assunto" e outras cenas:












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5.15.2011

Transcreens

YOU and US = TranScreen

É já em Junho. Vem aí o TranScreen, o festival de cinema Trans, em Amsterdam.
Vai ser "o" ponto de convergência de filmes e arte sobre e com o tema trans.

http://transcreen.wordpress.com/about/english/

We are trans, We love film, We are queer
We are friends, We love art, We are weird
We are groundbreaking, We are freaks, We are out
We are invisible, We are black, We are proud
We are perfomers, We are transsexuals, We party
We are transformers, We are seniors, We are history
We are transvestites, We are fluid, We are complex
We are differently abled, We are cute, We have sex
We are stories, We are alive, We are men
We are intersex, We are ‘normal’, now and then
We are creative, We are single, We are rare
We are provocative, We are femme, We are aware
We are so much more than this
and we are YOU
YOU + US = TranScreen





5.13.2011

Slut Walk

Sex is something people do together, Sex is not something you do to someone else Nem que fosse pelo título, teríamos de falar da Slut Walk. Mas não será só pelo título. Apareceu por aí argumento do costume. "Se te vestisses como uma senhora e nao como uma puta, nao te punhas a jeito para ser violada". E da boca da polícia. E isto tudo, como se fosse ok violar putas, que é outro argumento que nao percebo. Alguém se lembra do famoso acordao de tribunal (se nao me engano no Algarve) num processo de violacao de duas turistas "que devem ficar cientes daqui para a frente que estao a pisar a coutada do macho latino"? Como se uma vida liberal ou roupa ou simplesmente o facto de se sair à rua desculpasse o ultrapassar de qualquer fronteira e o desrespeito de qualquer forma de consenso (ou falta expressa dele) E resumindo e baralhando, a tao batida frase desta vez caiu mal e está a criar ondas de choque sob a forma de uma "Slut Walk", como movimento que procura denunciar a desculpabilizacao da violacao e ao mesmo tempo a culpabilizacao de tudo o que é sex positive... Comecou em Toronto (http://www.slutwalktoronto.com/), alastrou a Londres, e espalha-se alegremente pelo resto da Europa.. Toca a encher as ruas com mulheres vestidas com os trajes que os policias parecem achar que sao a desculpa para uma violacao automática e imediata. Fala-se de cerca de 5000 pessoas.

http://www.slutwalktoronto.com/

reportagem: http://www.youtube.com/watch?v=3vOCnZOcr8w

Thousands of scantily-clad women to march in London as 'SlutWalk' protest reaches UK

e um bom artigo, concorde-se com os argumentos apresentados ou nao, acerca de SlutWalk e feminismo...
We’re Sluts, Not Feminists. Wherein my relationship with Slutwalk gets rocky

E quem quiser saber mais, uma seleção de livros pertinentes para o tema (E uma ocasião para ajudarem este blog):