7.05.2010

Gatxs na caixa

Mesmo quem não gosta ou não tem de trabalhar com Física ou Física Quântica, conhece o nome de Schrödinger. Toda a gente conhece a história do gato de Schrödinger, como veiculo para explicar o principio de Indeterminação de Heisenberg (não é possível saber simultânea e absolutamente a localização e velocidade de uma partícula), em que o abrir de uma caixa para ver se o gato está morto (indicador do sucesso de uma dada experiência), mata o gato caso ele não esteja já morto. Adiante, talvez não a melhor maneira de começar um artigo sobre poly, mas vão ver que isto é pertinente...

Em língua alemã diz se, acerca de contar factos difíceis da vida privada, tirar gatos do saco, e provavelmente é daí que vem a historia do gato. Fazer um come out poly é tirar um gato do saco. Depois de tirar o gato do saco, o gajo esgatanha tudo e mais alguma coisa e não o conseguimos voltar a por la dentro.
Come out feito, é come out definitivo.

Schrödinger vivia com duas mulheres
, em conhecimento e consentimento. Não o escondia. Teve problemas na sua vida profissional com isso. A Wikipédia é vossa amiga. Está lá tudo.

http://en.wikipedia.org/wiki/Erwin_Schr%C3%B6dinger


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6.20.2010

"Só eu sei porque fico em casa"

Berlim tem sempre que bater o pé e ser especial em tudo e mais alguma coisa, ergo não tem apenas um desfile CSD (Marcha do Orgulho) mas tem logo dois de uma assentada. Ontem foi o "grande" com 10.000 pessoas e com o tema "Normal é outra coisa", e sabe deus o que eles querem dizer com isso. O "pequeno", alternativo, e mais centrado em temas mal amados como identidades trans* ou minorias migrantes e/ou étnicas dentro da comunidade LGBT, é daqui a uma semana (http://transgenialercsd.wordpress.com/) e atrai geralmente menos gente, mais policia e faz bastante mais ondas.

Não há amor a camisola nenhuma que me tirasse ontem de casa. Não saio à rua para festejar nem manifestar me pelo casamento gay, ou por temas de luxo para uma camada gay que não é queer e que passa a ferro problemas bastante prementes. Só eu sei porque fico em casa. Curiosamente, dentro do meu circulo de amigos e conhecidos, que vivem de modo perversos e/ou não monogâmico, conheço muito poucxs que tenham ido. E xs que foram, foram pela festa e pelo convívio, como quem vai a uma churrascada. ou a um jogo de futebol. Só eu sei porque fico em casa.

Judith Butler recusou ontem o prémio da coragem cívica que lhe foi atribuído pela organização do CSD. Alegou que o CSD "grande" se tornou um evento comercial, que ignora assuntos como identidades trans*, que não aborda nem defende os direitos de queers migrantes ou minoritários. E digamos, que estes dois temas são exemplos, há mais, mas são exemplos tão grandes, que quem os ignora está a fazer um exercício nada académico de cegueira voluntária.

Mais do mesmo:
http://www.catch-fire.com/2010/06/good-job-judith-butler-turns-down-gay-pride-award/

Fica a questão, pertinente também depois do Orgulho em Lisboa, de "a quem pertencem as marchas do orgulhos".


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6.08.2010

"e as crianças, senhor?": Campo "quem vive com quem"

Mais um evento que não é directamente poly mas bastante poly relevante.
Trata-se do acampamento "Quem vive com quem" (Who lives with who, why and how), que trata simplesmente de abordar os temas e definições acerca de família e vida privada, nunca esquecendo que por muito privada que seja, não deixa de ser prementemente político. Nomeadamente, quando se toca no tema "crianças", mesmo em sectores revolucionários, geralmente vem associado todos os termos habituais como "família nuclear", "pais", "família de referência" e outras soluções ou constelações são geralmente consciente ou inconscientemente ignoradas.

Para quem pensa noutras constelações, ou já passou do pensamento à prática, este é um sitio para partilha de experiências e conspiração de utopias. Possíveis, claro.

25.07-01.08.2010, perto de Berlim.

http://werlebtmitwem.blogsport.de/camp-2010/english/


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5.24.2010

Gay: Casa e Cala!

Um bom texto acerca da apologia do casório entre pessoas do mesmo sexo dentro de certos sectores da cena activista LGBT em Portugal, e também a propósito de um texto da Fernanda Câncio, e de como a ILGA está a vender o Arraial Pride em Lisboa!

http://5dias.net/2010/05/26/gay-casa-e-cala-e-forca-la-1-sorriso-na-cara-pa/

Não ha temas mais importantes para discutir? Discriminação, violência, educação para a diversidade nas escolas, dupla discriminação em caso de background migrante, identidade de género?

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5.17.2010

Documentário: campo de férias poly feminista


Tenho falado aqui verborreicamente de vários campos de férias poly que tem havido e em particular de um que me é querido, o campos de férias poly feminista Schlampenau ("Vale Galdérias"). Não é necessário explicar novamente, a quem lê este blog habitualmente, que o estilo de vida poly, mesmo com a sua variedade estonteante, pede muito por networking e troca de ideias, ou simplesmente estar no meio de pessoas a quem não tenhamos de explicar durante três horas o que nós somos e vivemos.

Mais detalhes aqui:
http://laundrylst.blogspot.com/2009/06/summercamp-poly-feminista-ferias-em.html
http://laundrylst.blogspot.com/2008/04/um-campo-de-frias-para-galdrias.html



A ideia do campo Schlampenau ("Vale galdérias") é proporcionar "descanso e gáudio das co-galdérias participantes, para que estas possam trocar ideias, aprender, ajudar-se, conspirar por um mundo melhor e mais sinceramente descarado, conhecer outras galdérias com modo de vida igualmente desbragado (ou surpreendentemente diferente), ou simplesmente passar férias no meio da floresta."

O campo foi fundado em 2007 e tornou-se um evento anual, bem estabelecido e que veio para ficar.

e agora, saiu um documentário sobre o campo. É um filme curto, de cerca de 18', DIY e no-budget, e prestes a começar a ser distribuído.

"In this DIY, no-budget film, word is given to four participants in Schlampenau and they speak about polyamory, the camp itself, feminism, queer identities and their dreams for the future. The film shows a sense of fight against alienation in a society where being a woman, polyamorous, feminist, queer or transgender is often misunderstood or outright repressed. The camp is revealed as a place of togetherness, freedom, discussion and fun."

Informação sobre o documentário, pode ser encontrada aqui: polygarchutopia.blogspot.com. Divulgação agradece-se!

Stay tuned!

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5.03.2010

...e os vossos amores-cunhados?

Gostava de acreditar que alguém ainda escreve neste blogue, ou mesmo que alguém ainda o lê. Por isso gostava de deixar esta pergunta para que o conteúdo deste blogue também seja feito por quem o lê.

- qual é a relação, ou relações, que vocês tem com os vossos amores cunhados, ou seja, os amores dos vossos amores? ou para aqueles que não vivem de facto em tais constelações, como imaginam que pudesse ser a vossa relação com os vossos amores cunhados? ou como seria desejável que fosse?

Dão-se bem? mal? Toleram-se em agressividade surda? Vêem futebol juntos? São amigxs? São amantxs? Não se podem ver nem pintados?

Espero calmamente mas com curiosidade as vossas contribuições!

Obrigada por lerem e contribuírem.

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4.29.2010

Tertúlia: “Homossexualidade, Promiscuidade e Poliamor”

Tertúlia/Debate: “Homossexualidade, Promiscuidade e Poliamor”.

O Núcleo LGBT da Amnistia Internacional convida-te a participares na discussão em torno destas temáticas. Os homossexuais são mais promíscuos que os heterossexuais? Fazem mais sexo? São menos atreitos a relações estáveis? Estão mais disponíveis para relações abertas ou poliamorosas? E, afinal, o que é isso do Poliamor? É uma orientação sexual? Todos os poliamorosos são homossexuais? Poliamor significa o mesmo que poligamia? Estas e outras questões igualmente interessantes serão abordadas neste encontro, no qual contaremos com a presença de um elemento do colectivo Poly Portugal, que nos irá, certamente, esclarecer todas as dúvidas que tenhamos sobre esta forma de encarar as relações sentimentais. Aparece!!

Organização: Núcleo LGBT da Amnistia Internacional.

Data: Sábado, 1 de Maio de 2010, pelas 15h.

Local: Sede da Amnistia Internacional: Av. Infante Santo, nº. 42, 2º. Andar. Lisboa – Alcântara. (Autocarros 720 e 738; o 15, 28, 732 também param perto, na Av. 24 de Julho, cumprindo, apenas, que se suba aInfante Santo; Comboios: estações de Alcântara-Mar e Alcântara-Terra).

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