7.13.2007

Nao só poly, mas bom senso: a importancia de dormir 14 horas


Dormi 14 horas, de uma penada, com sonhos malucos que nao me lembro ao acordar.

Os meus problemas relacionais continuam lá, continuam agudos, mas sinto uma lucidez e uma calma que nao sentia há várias semanas.

Queremos ser alma, ter comportamentos ideias, queremos ser vontade e lucidez, mas tambem somos corpo e este condiciona-nos. Coisas tao básicas como dormir e comer bem sao determinantes para os nossos estados de alma. A alma está tao agarrada ao corpo que nem faz sentido falar dela como uma entidade separada. digo eu, empiricamente.

As relacoes sao condicionadas por isto e aquilo, tal como o nosso amor heroico, a nossa vontade, a nossa tusa, o nosso idealismo. mas tambem coisas tao comesinhas como as tais 14 horas de sono ou nao ter bebido mais aquela cerveja que fez as coisas descambar..


Mais irritante que isso é só mesmo a dependencia da sorte.

Há quem diga que a sorte faz um campeao (ver portugal inglaterra em 2004).

e é mesmo. ha acontecimentos que precisam que saiamos dos nossos habitos normais, desencontros ou encontros, a palavra que foi usada em vez da outra e que na nossa cabeca tem o mesmo significado mas que para quem nos ouve muda completamente a disposicao de nos ouvir e de nos quererem, o hoje estar a chover ou nao que provocou uma data de decisoes indirectas.

É tudo parte desta aventura, mas ás vezes dispensava estar tao dependente de incndicionantes. Estou cansada e queria que as coisas voltassem a correr bem, como dantes. Era tudo tao facil.

.



7.04.2007

Antidote: Perfil poli-activista completo

(embora diga "completo" no título, este post está permanentemente em construção!)

Antidote,
não é apenas o pseudónimo usado para escrever neste blog. As actividades poliactivistas, (Actividades de informação e divulgação do poliamor como modo de vida válido e merecedor de respeito), com ou sem o poly_portugal, têem sido levadas a cabo com o mesmo pseudónimo. O pseudónimo não é usado para encobrir alguém que escreve ou faz o que lhe apetece sem querer assumir responsabilidades mas sim proteger uma vida profissional. A maior parte das pessoas que se movem no activismo/jornalismo/etc conhecem Antidote pelo seu nome e sabem que a podem chamar à pedra se necessário.


(
em inglês e exaustivo: http://www.diepolytanten.de.tc/impressum/profiles.htm)



Por áreas de actividade:


* Internet:
-
Publicação regular deste blog, o Our Laundry List (informativo, divulgação e contra-corrente)

- Criação e manutenção da página "Die Schlampige PolyTanten" a primeira página em língua alemã dedicada ao poliamor para "damas de todos os géneros" (mulheres e pessoas de identidade transgénero).
- Modera
ção da mailing-list com o mesmo nome e mesmo público alvo.
- Moderação da lista poly_portugal (grupo electrónico de discussão, auto-suporte e intervenção sobre poliamor).
- Participa no blog polyportugal.



* Workshops, apresentações:
- Apresentação, com outras (J. e I.) do workshop "Uma, Muitas, Nenhuma" na Ladyfest, Viena 2007 (resumo, programa).
- Apresentação e discussão sobre poliamor ("O que é poliamor e como o vivemos") a um grupo organizado de jovens lésbicas, "Ragazza" (também com J. e I.).
- Workshop "Poly, why and how to network", com Steffi, na Conferência Schmacht de Páscoa, em Hamburgo, 2008.
- "
Conversas sobre Poliamor", 5 de Junho de 2008, co-organização poly_portugal e Panteras Rosa, com Sérgio (resumo).
- "Poly, Poly support-groups and poly-activism" apresentada conjuntamente com R. ("nuvens no céu azul", deste blog), no "1st Munich's "Poly Begegnungtag", 8 de Fevereiro de 2009 (resumo em breve).



* Marchas LGBT
- Participação, individual, e como poly_portugal, na organização e fundação da 1a Marcha do Orgulho LGBT Porto 2006.
- Participação do poly_portugal na marcha Orgulho LGBT 2007 como associação (ver "colectivos" em http://marcha.orgulhoporto.org/).


* Panfletos
- Elaboração, com Lara, do panfleto "Poliamor no Dia da Mulher"


* Artigos publicados:
- Vários artigos sobre poliamor na Zona Livre, publicação mensal do Clube Safo. (alguns).
- Vários artigos publicados na Krake, "revista de apoio à mulher poliamorosa" (Alguns).
- Bichana, zine das Panteras Rosa (Alguns).



* Mesas/encontros de discussão/informação poliamor:
- Comecei as mesas mensais de discussão e auto suporte sobre poliamor no Porto em 2006 (paradas entretanto)
- Comecei alguns encontros em Lisboa não regulares (exemplo)

(os encontros regulares são felizmente entretanto continuados e organizados exemplarmente por outra pessoa, ver http://www.poliamor.pt.to para mais informação)
- Banca de informação, perguntas e respostas sobre poliamor na festa Porto Pride em 2006 e 2007.
- Moderadora e organizadora do encontro mensal ("stammtisch") QueerPolyMuc, mesa regular sobre poliamor para mulheres e transgénero.



* Campo de Verão
Co-organisou em 2008, co-organisa correntemente em 2009, as Férias em Vale Galdérias ("Ferien in Schlampenau"). Workshops, convívio, networking, utopias. Mais informa
çoes, ver die PolyTanten em "events".



* Contactos com a Imprensa:
Entrevistas á imprensa (Sol, Grazia, Máxima e Jornal de Notícias), sob pseudónimo: http://poliamorpt.com.sapo.pt/press.html


* Divulgação da lista poly_portugal:
- flyer antigo
- flyer novo


Escrevam: antidote [arroba] imensis [ponto] net

(under construction)

7.03.2007

banca de informacao poliamor @ Pride Porto

Ainda nao tive tempo de escrever alguma coisa de jeito, mas fica aqui a informacao mais importante.

Á semelhanca do ano passado, vou ter uma banquinha de informacao sobre poliamor e nao monogamia responsável (com possibilidade de "degenerar" em workshop caso haja massa critica) na festa porto pride, no sábado 7 de Julho, no teatro Sá da Bandeira, pela noite dentro (escrevam me um mail privado se houver interesse numa workshop ou sobre temas especificos para eu poder preparar atempadamente)

Passem a informacao a quem se interessar, e já agora gostava de saber alguem realmente interssado no tema vai estar por lá?

Obrigada por divulgarem!

6.27.2007

Batatas em cadeia


Vou pegar um bocado a contragosto na batata da Siona, que já foi a batata da Marlene, e ver o que se faz com isto. Mas nunca resisti a um desafio em que uma pessoa se tem de expor um pouco. No risk no sun.

(Siona: podes talvez linkar para quem já tiver publicado batatas no teu post original? e pedir a outros para linkar? assim ficaria um autentico colar de batatas facil de seguir)

As batatas sao falar sobre os cinco livros que mais me marcaram.

Vou fazer batota com o numero de livros mas nao vou fazer batota com o kern do topico, que é "os livros que mais me marcaram". ou seja, nao vou meter os livros que eu acho fixes agora ou riscar os livros que entretanto acho que passaram á historia por esta ou aquela razao. Fair play como sempre, quem me conhece pessoalmente sabe que sou uma granda chata sem flexibilidade nem sentido de humor.

Sao quase todos livros que já li mais de cinco vezes e a que regresso sempre para inspiracao ou novas descobertas. Sao assim os bons livros.

Por nenhuma ordem especial:

Contacto (Carl Sagan): combina como um dois em um todo o encanto pela Ciência que despertou em mim ao ler também o Contacto, mas acrescentou em mim uma enorme vontade de explorar a vida como um brinquedo que eu nao sabia até entao como usar. É um grande livro, sobre comunicacao e descoberta de si propria, sem merdas, take it as it is. Gosto do carinho com que o Carl Sagan falou de Ciência e dos seres humanos. Desculpabilisou a minha nerdness, o ir tirar um curso cientifico, o meu escapismo, as minhas brocas e a minha exploracao da sexualidade. Lido aos 17 anos.

O inevitável Estranho numa terra estranha (Robert Heinlein). Despertou em mim o gosto pelas utopias (im)possíveis, pelo poliamor, e por um exercicio intransigente de individualismo e liberdade todos os dias e nao só quando se tem um contracto de trabalho e a renda paga. Hoje em dia acho o discurso do livro impossivelmente xenófobo, homofóbico, chauvinista e machista. Mas teve o seu papel no meu desenvolvimento e nao o vou varrer para debaixo do tapete for the sake of political correctness. Lido aos 16 anos.

Nao consigo decidir entre as Memorias de Adriano ou a Obra ou Negro da Margueritte Yourcenar. Ambos grandes livros que quase nem me atrevo a falar deles. Talvez histórias acerca de como ser um ser humano completo, ou como alguem consegue FALAR de se ser simplesmente humano, completo ou nao. Poderia acrescentar aventuras individualistas ou colectivas, mas sempre á procura dum destino mais livre e mais digno como Aquilino Ribeiro Quando os Lobos Uivam ou a Casa Grande de Romarigaes (afastei me um pouco do Aquilino quando comecei a levar a mal a ausência de personagens femininos com contornos distintos, ou mesmo a persistência de um certo machismo que transcende a descricao das personagens) ou a Condicao Humana do André Malraux.

Mas cingido-me ao critério "livros que marcaram", seriam entao as Memorias de Adriano (lido aos 19 anos) e a Casa Grande de Romarigaes (alem de me ter marcado o individulalismo e a descricao de todo o ser humano feito de vontade, comecou aí a minha descoberta da literatura portuguesa, tambem com 19 anitos).

Para a paixao e as emocoes, vou continuar a fazer a tal batota comecada no paragrafo anterior. Sao os livros da expressao dos sentimentos para os quais precisava de um nome ou de uma descricao mais heroica do que o meu talento mínimo lhes podia atribuir. Sao eles Wuthering Heights (Bronte) (emocoes descontroladas e excessivas, que transcendem qualquer controlo que pensemos ter sobre os nossos actos, uma vida em que as emocoes se podem controlar é uma vida pobre), Paixao da Jeannete Winterson (a vida como aventura em que os papeis da sorte e da paixao sao soberanos, sexualidades fluidas, nada problemáticas) e a Antologia de Poesia Erótica e Satirica que a Natália Correia se deu ao trabalho de compilar numa época em que isso só podia dar chatices.

Devia agora referir obras bué incontornaveis que me tivessem sustentado na minha descoberta e escolha por uma vida solidaria, criativa, Do It Yourself nao invasiva e sobretudo libertária. Devia agora comecar a debitar nomes tipo Chomsky, as feministas todas, a Dossie "Ethical Slut" Easton, Derriga, etc. Mas nao o vou fazer, se voces têm esse interesse, esses livros, panfletos, textos, andam por aí. Acho inclusivamente que os melhores textos sobre um mundo solidario e livre de gente a dizer como a utopia deles é mehor que an nossa encontrei-os em sources como panfletos de concertos de musica alternativa, capas de disco, prefácios de livros de receitas vegetarianas, fliers de festas de lésbicas radicais, you name it. Os livros que falam destes temas geralmente pecam infelismente por uma enorme vontade de impor a sua visao ao resto do mundo e de sindrome "a minha pila é maior que a da vizinha".

A serio: doing things is overated. O mundo nao precisa de novas utopias, desde que cada um viva a sua sem se meter com os outros. Ha espaco para todos.
Posso talvez referir a coleccao de textos (nao só sobre sexo, mas mais uma vez advinharam: liberdades) do Gore Vidal em "Sexualmente Falando", ou a banda desenhada "Hot Head Paisan" para empowerment de DIY ou para aqueles dias em que precisas que alguem te diga "Dont take ANY shit from no one"". Ah. os albuns do Corto Maltese (Hugo Pratt), o seu feroz individualismo quase criminoso e defesa da (sua) liberdade mas que se conforma ao que o Destino apresenta quando já nao ha mais nada a fazer.

Houve muitos mais livros que li entretanto mas que reforcaram aquilo em que pensava ou deram me argumentos para continuar a lutar por aquilo que pensava. Mas nao foram livros que me marcaram.




Chega como dose de batatas com bué maionaise?

Gostava de ver as batatas daqui: damnqueer, nuvens, low altitude, bruno, sergio, e outros que irei acrescentando...



Estou á espera....

.




6.23.2007

Manual de Civilidade para Meninas




O extracto abaixo é sacado do capítulo "Deveres com o Próximo" do livro de Pierre Louys, "Manual de Civilidade para Meninas" (edicoes Fenda, 1988, 1a publicacao conhecida: Paris 1926)


"Deveis compenetrar-vos da seguinte verdade: Todas as pessoas perante vós presentes, seja qual for o sexo e a idade delas, têm o secreto desejo de por vós serem chupadas; a maior parte, porém, nao se atreve a declará-lo.


Comecai pois por respeitar a hipocrisia humana a que tambem se chama virtude, e nao digais nunca a um cavalheiro diante de um grupo de pessoas: "Mostra-me a tua pissa que eu mostro-te a minha racha", porque por certo vos nao mostraria ele a pissa.


Se conseguirdes porém, ficar com ele a sós em sítio onde se sinta seguro de nao ser surpreendido por ninguém, nao só vos haverá de mostrar a pissa, como nao se oporá a que lha sugueis."


Pierre Louys é um dos grandes vultos literários franceses do século XIX. Foi (re)conecido por aquilo que hoje se denomina a sua obra "branca" ainda publicada em vida, prosa e poesia, e obras como as Cancoes de Bilitis. Mas é a sua obra "negra", publicada postumamente, que é uma celebracao de erotismo, carregada de ironia e sentido lúdico, e que é "uma das mais ferozes diatribes contra a moral sexual do seu tempo - e se calhar do nosso (citado do pós facio da edicao portuguesa - escrito por Julio Henriques)".


Quer na sua obra que na sua vida, Pierre Louys nao só condenou como atacou activamente todo o puritanismo, e viveu de modo hedonista. Para quem leia o "Manual de Civilidade para Meninas", talvez sobressaia mais a componente crítica antipuritana do que erótica. Toda a moral burguesa que vive de aparências é atacada sem quartel e os argumentos geralmente aceites para suportar habitus hipócritas sao desconstruidos habil e brutalmente, um a um, sem esquecer nada. Coerente com a expressao escrita destas críticas, nao hesitou em viver de acordo com tais valores libertários, quer nas suas próprias escolhas individuais quer incentivando e apoiando a liberdade de outrem. Num tempo em que a situacao da Mulher comecava a mudar radicalmente mas ainda era no geral bastante complicada em termos de independência e mobilidade, Pierre Louys chegou a acolher um comunidade sáfica a viver debaixo do seu tecto.

"se fordes treze na mesma cama a fazer amor, nao devereis enviar a mais nova masturbar-se para um canto. Será melhor chamardes a filha da porteira, para que seja a décima quarta"


Resumindo e baralhando, este livro que parece ser um divertimento humorista á primeira vista é um livro muito sério e que depois das primeiras gargalhadas, merece uma segunda leitura mais atenta. E na verdade é um livro cheio de sabedoria ;-).


Boas leituras.




(desabafo: nao há uma porcaria duma entrada na wikipedia em portugues sobre Pierre Louys)


.

6.16.2007

WIP: coisas que me irrita ouvir aproposito de poliamor


Uma lista de coisas que me irrita ouvir/ler a proposito de poliamor. em elaboracao.

nao porque quem as diz tenham má intencao, mas porque reflecte desinformacao ou mainstreamisacao na nossa sociedade.

**** "os casais poli" ou os "casais que optam pela filosofia do poliamor"


(grrrr, parece que o único modelo poli possivel e existente é o casalinho "normal" com uma relacao aberta para dar umas quecas sem ninguem saber, nem sequer o padeiro... ha vida para além do casal, sabiam?)...


.
**** "ha muito mais polis no meio gay/LGBT"

(depende de que lado da barricada se está e quem se quer demonisar)




.
**** "ha muito mais polis no meio hetero"

(poooois... e tambem há mais polis entre os americanos, os zulus, a terceira idade, a juventude, os pizzeiros, as tias de Cascais, os eskimós, os estudantes de filosofia, os arrumadores... principalmente se a gente viver com o nariz enfiado no próprio umbigo e nao veja nada do que se passa á nossa volta)





**** "o poliamor é fixe por causa das pessoas poderem exprimir a sua sexualidade livremente"

(sic, n+1 vezes sic, ouvi esta tantas vezes que já a vomito, está se mesmo a ver que a sexualidade define uma relacao. ha sexo ha relacao. nao ha sexo, é uma amizadezeca... e porque é que se precisa de um enquadramento poli ou nao para exprimir a puta da sexualidade??? meus, que atados!! a sexualidade faz se e pronto, nao é preciso exprimir, expremer, enquadrar, complicar!)




.
**** "eu acho que sou poli porque me consigo imaginar a ter relacoes com mais do que uma pessoa"

(e consegues imaginar as pessoas das tuas relacoes a terem relacoes com outras pessoas debaixo do teu nariz??? e consegues viver com isso? poli é para quem pode nao é para quem quer!)




.
***** na mesma frase "poliamor... bla bla bla poliagamia"...

(confundir uma coisa que pode ser egualitaria - poliamor - e libertadora com uma coisa que é um dos paradigmas do sistema patriarcal, é assim um petisco do mais requintado).



.
Este artigo vai ser um wip (work in progress). Infelizmente há mais, muito mais, simplesmente tenho de me ir lembrando.
.