6.03.2007

Ladyfest, resumo geral


Escrevi isto para a Zona Livre, publicacao bimensal do Clube Safo.



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Maio foi o mês de todos os encontros e todas as actividades. Depois de um Inverno sossegado em termos políticos e da cena, voltam a haver festas, encontros, tertúlias. Houve o LFT (Encontro Primavera Lésbico, artigo em breve) e houve o Ladyfest, e ainda estamos a ganhar balanco.

A Ladyfest (url: plone.ladyfestwien.org) decorreu em Viena de 16 a 20 Maio de 2007. Define-se como uma festa somente "feita por mulheres ("de todos os géneros" ) para todos", e procura encontrar solucoes alternativas para problemas novos e antigos. Define-se fortemente como contra cultura, intervencionista, de esquerda e como opondo-se fortemente á pressao mainstream de encontrar solucoes "one size fits them all" que neguem a individualidade e diversidade que (felizmente ainda) abundam dentro da(s) nossa(s) sociedade(s). Encoraja por consequência todo o tipo de DIY (Do It Yourself), todo o tipo de diversidade e de discurso e prática politicamente correcta e antidiscriminatória. É também precisamente por esse encorojamento da diversidade e do DIY extremamente divertida e descontraida!!

Este texto pretende ser apenas uma chamada de atencao, até porque eu por motivos pessoais só estive lá o tempo essencial para dar a minha workshop, confraternisar um pouco, trocar uns olhares e voltar para casa. Daquilo que vi, achei que o projecto da Ladyfest (itinerante, e em paralelo em diversas cidades) merece ser seguido com alguma atencao. As leitoras interessadas poderao visitar o site da Ladyfest acima indicado (escrito em inglês e alemao), ver por si o programa e tirar as próprias conclusoes.

A Ladyfest contou com uma componente fortíssima de arte em todas as suas formas, principalmente performativas e musicais. Todas as noites houve diversos concertos e DJaning, mas as artes visuais tambem estiveram presentes através de exposicoes de fotografia e pintura, e exibicao de varios filmes pertinentes para questoes de género e da Resistência contemporânea em geral.

Nao podia deixar de listar algumas das workshops para vos despertar a curiosidade (deixei os textos em inglês sempre que achei que era mais descritivo que em português): "Stencil, ferramenta de arte e intervencao política", "Drag yourself, extend your Self", "Do it yourself: Dyke styling, do your own dyke-clothes", "Escrita criativa, como melhorar um texto ou mandá-lo pela janela", "Da teoria queer á prática politica", "Crashcourse de hardware (computador)", "O viver precário como forma de Resistência na sociedade contemporânea", "Filmes porno queer-feministas", "Tecnologia de som", "Seguranca no computador", "All gender is drag", "Gendering the Wikipedia", " Open source software", "Bondage", e finalmente, a workshop que eu co-moderei, "Uma, nenhuma ou muitas: formas alternativas de relacao".

Todas as workshops foram feitas em inglês sempre que alguem presente o requereu. Muitas vezes houve traducao simultanea para poder agradar a gregos e a troianos, e ninguém se queixou disso. Tentou-se usar linguagem inclusiva de género sempre que possivel, que para mim foi uma novidade e muito interessante ("I love hir", em vez de her ou him, por exemplo).

Ainda consegui participar na "Ladyride", um passeio turístico de bicicleta alternativo pelo centro histórico de Viena, em que durante duas horas pedalamos e vimos imóveis com a sua própria história ou que foram parte da história de diversas resistências, mas que nao fazem parte nem do património público, nem da memória colectiva (ver edifício da PIDE em Lisboa para um exemplo "nosso"). No fim bujecas e vinho verde para todas numa esplanadaLantes da festa da noite.

Acerca da workshop poliamor (Uma, nenhuma ou muitas), apresentada e moderada por mim e a Iljana tenciono escrever em breve, separada e mais detalhadamente. Talvez a venhamos a apresentar em Portugal. Quem tiver interesse e quiser receber uma notificacao, ou propôr temas e questoes, por favor contacte-me por mail. Stay tuned at laundrylst.blogspot.com.


mais sobre a ladyfest:
http://plone.ladyfestwien.org
http://laundrylst.blogspot.com/2007/05/lembrete-ladyfest-em-viena-com-poly.html#links





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5.31.2007

A Design for Living


"A Design for Living"....


traduzido em portugues como "uma mulher para dois"

alguem se lembra?
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3 adultos acabam a viver juntos, e a ser felizes, e sem que o filme tenha um final moralista!!!
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Este filme é de 1933. 1933!!!! nao se passem, ok??
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5.17.2007

Quotideano delirante VII: vais sair com a tua namorada?


"vais sair com a tua namorada nesse estado???"


... diz para ela, que tambem é sua namorada...



"vais sair nesse estado com a tua namorada? e que tal passares um pente nesses cabelos, e lava os dentes antes de sair? por muito atrasada que estejas acho que ela merece que te arranjes um bocado... Mudaste os lencois á cama? E nao se ponham a beber outra vez, que andas com umas olheiras até aos pés, e nao se deitem tarde que amanha tens de te levantar cedo!!!


Dito, isto, divirtam-se, dá lhe um beijo da minha parte, e cuidem se!"

5.16.2007

Quotideano delirante VI: cozinhar





Quando cozinho ou vou ás compras, penso sempre em termos de 3 pessoas :-)
o três é definitivamente um número muito importante.

5.13.2007

Lembrete: Ladyfest em Viena (com poly-workshop)






Para quem tem vontade de se meter num aviao até á Austria, a Ladyfest, "uma festa para todos feita por senhoras de todos os géneros (sic)" é já para a semana, comecando quarta-feira 16 de Maio.



Além de festas, obviamente, tradicionalmente o programa é bastante variado, e conta com muitos concertos, muito Do It Yourself e paineis de discussao sobre n+1 temas, sempe muito gender ou glbt oriented. Geralmente foge ao mainstream e procura encontrar solucoes criativas para problemas antigos. As discussoes e palestras serao oferecidas em inglês caso seja requerido por alguém. Ha uma bolsa de sítios para dormir em casa das organisadoras.



Deixo vos o um extracto do manifesto da festa de 2005, que decorreu em Nuremberga, Alemanha:



"Ladyfest is a platform for cultural and political activities of women, queers, transgenders, intersex folk: a gathering for LADIES OF ALL GENDERS for whom it is often not so obvious to find a platform for their (creative) work. It is a D.I.Y. (Do It Yourself) event. It is organized by volunteers in their spare time as well as on a non-profit-level. Working together and sharing ideas - the whole process of organizing this event and the idea of community - is as much part of Ladyfest as the event itself. Furthermore, important elements are exchange and discussion which will be given room to develop within workshops as much as the aspect of celebrating and partying together with/to the music of "female"/queer/transgender bands or DJs. All of this is supposed to strenghten feelings of common interests and goals and encourage Ladies to get active themselves. We encourage networking within the framework of Ladyfest. With the program, we will offer an as wide variety of Lady Culture Deluxe as possible: from exhibitions to concerts, from cultural philosophical and political discussions and films to partying. Generally separated spheres, such as cultural, political, film, music or even theoretical analyses and discussions and practical skill sharing shall both collide and interconnect. No matter if someone just wants to pop in or get fully involved - everything is possible. Ladyfest is addressed to everybody, not only biological women."



Vou estar lá no Sabado, a dar uma workshop de três horas sobre poliamor:







Vai haver também uma workshop com o título "All gender is drag" com uma festa de mesmo nome. Recomendo.



Gostava de ver carinhas conhecidas por lá :-)



5.08.2007

Sobre o ciúme




três tristes tigres

A alegria de estar cansada
(regina guimaraes, ana deus e paula sousa, 1992)

A luz que adia o limite
Chama-se ciúme.
Muitos confundem-na com a sombra
Porque nunca andaram com a sombra ao colo
Nem conhecem a leveza dos fardos.

O meu fardo rasgou-se
E tudo se espalhou á minha volta.
Por isso nada do que digo tem conteudo
E as palavras sao sementes de discórdia.

A sombra avanca
ou sou eu que recuo.
A luz é guarda roupa
O contrário dela é pouca luz
e nao nudez.

Com o ciúme as contas nao batem certas.
Quem sou eu para falar de mim?




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5.02.2007

Schadenfreude?



Recebi recentemente um comentário cheio de "schadenfreude".




perdoem-me usar o alemao, mas nao existe palavra em língua nenhuma que eu fale que descreva tao sucintamente o conceito de "curtir ver os outros na merda" ou mesmo "pimenta no cú dos outros ser refresco". Se alguém se lembrar de uma palavra sinónima em português, ou que use palavras nao escatologicas, que eu, incorrigivel, nao resito a usar, avise.


Em tempos escrevi que sou violentamente criticada por quem nao me conhece. Quando o poliamor nao tem um rosto, é rápidamente categorisado como imoral e sou imediatamente considerada ao nivel da piramide alimentar de quem faz fraudes financeiras, a comer criancinhas ao pequeno almoco ou a roubar carteiras no Rossio. Quando estou a um nível pessoal, as pessoas discutem as coisas comigo de um modo mais humano e justo. Querem pelo menos perceber o meu ponto de vista. Gostava sinceramente de poder discutir a um nível construtivo com essa pessoa (e outras como el@) porque assim com bocas anónimas nao vamos longe. Nem eu aprendo o que quer que seja que me querem criticar, nem essa pessoa aprenderá com a minha experiência (necessariamente distinta da sua, por estarmos em campos opinativos claramente opostos) nem a entender o meu ponto de vista (e de tantos outros).




Achei curioso o tom de quem parece ter-me tomado como exemplo demonstrativo de como todas as relacoes poly só podem falhar. Além de ainda nao ter falhado (mas estamos com grandes problemas, sim), garanto que os problemas que temos nao teem a ver com a natureza poly da constelacao. Fico triste (e furiosa) por saber que anda alguem por aí, que eu nem sequer conheco, que fica contente com a minha (nossa, de 3 pessoas) infelicidade.




Estou aqui e estou disponivel para discutir, desde que a um nível construtivo. Se necessário, arranjamos um/a moderador/a para a discussao.




Is there anybody out there?