5.08.2007

Sobre o ciúme




três tristes tigres

A alegria de estar cansada
(regina guimaraes, ana deus e paula sousa, 1992)

A luz que adia o limite
Chama-se ciúme.
Muitos confundem-na com a sombra
Porque nunca andaram com a sombra ao colo
Nem conhecem a leveza dos fardos.

O meu fardo rasgou-se
E tudo se espalhou á minha volta.
Por isso nada do que digo tem conteudo
E as palavras sao sementes de discórdia.

A sombra avanca
ou sou eu que recuo.
A luz é guarda roupa
O contrário dela é pouca luz
e nao nudez.

Com o ciúme as contas nao batem certas.
Quem sou eu para falar de mim?




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5.02.2007

Schadenfreude?



Recebi recentemente um comentário cheio de "schadenfreude".




perdoem-me usar o alemao, mas nao existe palavra em língua nenhuma que eu fale que descreva tao sucintamente o conceito de "curtir ver os outros na merda" ou mesmo "pimenta no cú dos outros ser refresco". Se alguém se lembrar de uma palavra sinónima em português, ou que use palavras nao escatologicas, que eu, incorrigivel, nao resito a usar, avise.


Em tempos escrevi que sou violentamente criticada por quem nao me conhece. Quando o poliamor nao tem um rosto, é rápidamente categorisado como imoral e sou imediatamente considerada ao nivel da piramide alimentar de quem faz fraudes financeiras, a comer criancinhas ao pequeno almoco ou a roubar carteiras no Rossio. Quando estou a um nível pessoal, as pessoas discutem as coisas comigo de um modo mais humano e justo. Querem pelo menos perceber o meu ponto de vista. Gostava sinceramente de poder discutir a um nível construtivo com essa pessoa (e outras como el@) porque assim com bocas anónimas nao vamos longe. Nem eu aprendo o que quer que seja que me querem criticar, nem essa pessoa aprenderá com a minha experiência (necessariamente distinta da sua, por estarmos em campos opinativos claramente opostos) nem a entender o meu ponto de vista (e de tantos outros).




Achei curioso o tom de quem parece ter-me tomado como exemplo demonstrativo de como todas as relacoes poly só podem falhar. Além de ainda nao ter falhado (mas estamos com grandes problemas, sim), garanto que os problemas que temos nao teem a ver com a natureza poly da constelacao. Fico triste (e furiosa) por saber que anda alguem por aí, que eu nem sequer conheco, que fica contente com a minha (nossa, de 3 pessoas) infelicidade.




Estou aqui e estou disponivel para discutir, desde que a um nível construtivo. Se necessário, arranjamos um/a moderador/a para a discussao.




Is there anybody out there?






Ladyfest, Viena




É uma festa para todos feita por "senhoras de todos os géneros (sic)".




vejam o manifesto escrito pela equipa que organisou a festa em 2006 em Nuremberga:






Tradicionalmente o programa é bastante variado, e conta com muitos concertos, muito Do It Yourself e paineis de discussao sobre n+1 temas. Geralmente foge ao mainstream e procura encontrar solucoes criativas para problemas antigos.




Este ano a LadyFest vai ser em Viena de Austria. Ainda nao há programa online, mas vai contar com um painel de discussao sobre poliamor (evtl com uma workshop sobre gestao do ciúme) feita por esta vossa garatujadora e mais uma amiga minha, também galdéria assumida. Detalhes aqui:
Segundo os rumores, vai também contar, para quem quiser, com uma sex-party.




Sigam os detalhes no site oficial:




4.30.2007

ciclo de cinema poliamoroso em Oldenburgo (cont.)


Ciclo de cinema "Amor fora da gavetinha 'a dois': facetas de vidas poliamorosas".


Um mini festival de cinema sobre poliamor vai ter lugar de 5 a 8 Julho deste ano em Oldenburg, Alemanha (detalhes abaixo). Além dos filmes, vai ser organisado um programa paralelo que mostre de perspectivas diferentes práticas poliamorosas e o seu relacionamento com a comunidade.


A equipa que organisa este festival é um grupo (sem fins lucrativos) de pessoas, que se articularam com o objectivo comum de reforcar a visibilidade poliamorosa junto do público em geral.


O programa nao se encontra ainda completamente definido. Está se ainda á procura de filmes (Curtas-metragens sao bem vindas) - de preferência queer, newcomer, underground. Já entretanto seleccionados estao: "Women in Love", "Obsession", "Heads in the Clouds", "When two won't do", "Em busca do marido da minha mulher (de)", "Wild Side", "Chill out", "Marisco (de)" e "petit voyage".




Acerca do programa paralelo:

Além de uma apresentacao por Gwendolin Altenhöfer e Katrin Wilhelm sobre a história do movimento Poliamor ilustrada com exemplos das suas historias pessoais, serao também organisadas workshops relacionadas com o tema (Resolucao de conflitos para pessoas envolvidas em varias relacoes por Gudrun Kittel, Colónia, é um dos temas confirmados). Ao longo dos 4 dias será proporcionado espaco para discussoes e eventualmente, haverá uma instalacao permanente de uma "workshop Galdéria Ética" por Janet Hardy. No domingo de manha, será servido um brunch acompanhado de leitura de trechos do livro "Um pequeno almoco a três". Na tarde do mesmo dia, e como encerramento, haverá um encontro com todos os interessados para que possam estabelecer contactos entre si e reforcar a sua "network". É possível providenciar babysitting se a organisacao for avisada com antecendência.


O programa final pode ser distribuido aos interessados a partir de Maio.

Quando: 5.-8.Juli 2007
Onde: Cine-K in der Kulturetage, Bahnhofstsr.11, Oldenburg
Contacto: lisa_bokemeyer2000@yahoo.de
poldis.ol@googlemail.com

4.27.2007

Niketsche, uma historia de poligamia, no "Maria vai com as outras"


(obrigada á LR pela tip)

Este domingo, leitura no "Maria vai com as outras", na rua do Almada, Porto. Continuo na mesma linha de pegar na poligamia, assinalar as diferencas (muitas) e as semelhancas (menos) com certos tipos de poliamor. A leitura vai ser extraida do livro "Niketsche, uma história de poligamia"

http://maria-vai-com-as-outras.blogspot.com/2007/04/grupo-de-leitura-da-maria.html


(a sinopse abaixo foi tirada de http://html.editorial-caminho.pt/show_produto__q1area_--_3Dcatalogo__--_3D_obj_--_3D36004__q236__q30__q41__q5.htm)



Niketche. Uma História de Poligamia Paulina Chiziane




Rami, casada há vinte anos com Tony, um alto funcionário da polícia, de quem tem vários filhos, descobre que o partilha com várias mulheres, com as quais ele constituiu outras famílias. O seu casamento, de «papel passado» e aliança no dedo, resume-se afinal a um irónico drama de que ela é apenas uma das personagens. Numa procura febril, Rami obriga-se a conhecer «as outras». O seu marido é um polígamo! Na via dolorosa que então começa, séculos de tradição e de costumes, a crueldade da vida e as diferenças abissais de cultura entre o norte e o sul da terra que é sua, esmagam-na. E só a sabedoria infinita que o sofrimento provoca lhe vai apontando o rumo num labirinto de emoções, de revelações, de contradições e perigosas ambiguidades. Poligamia e monogamia, que significado assumem? Cultura, institucionalização, hipocrisia, comodismo, convenção ou a condição natural de se ser humano, no quadro da inteligência e dos afectos? Paulina Chiziane estende-nos o fio de Ariadne e guia-nos com o desassombro, a perícia e a verdade de quem conhece o direito e o avesso da aventura de viver a vida. Niketche, dança de amor e erotismo, é um espelho em que nos vemos e revemos, mas no qual, seguramente, só alguns de nós admitirão reflectir-se.

Dizem que sou romancista e que fui a primeira mulher moçambicana a escrever um romance (Balada de Amor ao Vento, 1990), mas eu afirmo: sou contadora de estórias e não romancista. Escrevo livros com muitas estórias, estórias grandes e pequenas. Inspiro-me nos contos à volta da fogueira, minha primeira escola de arte. Nasci em 1955 em Manjacaze. Frequentei estudos superiores que não concluí. Actualmente vivo e trabalho na Zambézia, onde encontrei inspiração para escrever este livro.

4.15.2007

"o amor ideal é a três"




Este blog está de momento "para lavar" por problemas na constelacao poliamorosa (problemas esses alheios á sua natureza poliamorosa). Basicamente estou sem cabeca para nada, até isto ir ao lugar.

(Agradeco á F.C. a tip)



A partir de dia 12 de Abril corrente e até dia 15. vai ser exibida no Centro Cultural de Belém, uma adaptacao ao teatro da conhecida correspondência entre Rilke, Pasternak e Tsvetaieva. Esta adaptacao, encenada por Inês de Medeiros, chama-se simplesmente "Correspondência a três".

Para quem quiser saber mais e nao quiser contar que eu ultrapasse a minha actual crise para garatujar qualquer coisinha (pelos vistos podem esperar sentados), podem ler a mesma correspondencia (editada recentemente pela Assirio e Alvim) já que o Público, que editou um artigo bastante bom no suplemento Ipsilon de 6 de Abril, nao suporta artigos online (para nao assinantes) que tenham mais de uma semana (continuam a nao gostar de ser citados).
Há tambem um resumo muito bom duma publicacao das mesmas cartas em inglês (The Big Three):
(o amor a três é bastante bom, mas nao concordo que seja o ideal: cada um sabe de si e do seu numero mágico)