2.08.2007

Polyamory já vem no dicionário


A palavra "Polyamory" passou, em Setembro de 2006, a ser oficialmente listada no Oxford English Dictionary, e cerca de seis meses mais cedo no Webster Collegiate Dictionary. A definicao constante no Webster reza o seguinte:

Main Entry: Polyamory
Part of Speech: n
Definition: participation in multiple and simultaneous loving or sexual relationships

Main Entry: polyamorous
Part of Speech: adj
Definition: pertaining to partipation in multiple and simultaneous loving or sexual relationships


O mesmo Webster Collegiate Dictionary tem também, na sua seccao de refêrencias, um artigo relativamente extenso sobre polyamory:

http://www.reference.com/browse/wiki/Polyamory

Para quem tropeca neste artigo ao fazer a sua primeira pesquisa sobre o tema, está melhor que muitas outras fontes.

2.03.2007

LOT: uniao civil no méxico


As unioes civís e toda a discussao (a nossa discussao) sobre o casamento entre pessoas do mesmo género, (independentemente de como o genero é definido - dizem que é o Estado que sabe qual o género de alguém), costuma criar-me sentimentos muito mistos.

Por um lado, acho que (1) há coisas mais prioritárias em que a nossa comunidade (glbt) se deveria concentrar (intervencao social para mudar as mentalidades, accoes urgentes contra homofobia de facto, etc). (2) queria ver o casamento e todos os seus privilégios injustos (*) como é reconhecido pelo estado e sociedade a desaparecer de vez da face da Terra em vez de ser um conceito cada vez mais alargado.

Por outro lado, como sei que esta é uma batalha perdida, prefiro ficar feliz quando mais uma conquista é feita na nossa comunidade no campo do casamnto e unioes de facto.

Desta vez foi no México, país que me tratou bem e onde fui feliz. Duas mulheres (Karina Almaguer e Karla Lopez de Tamaulipas) juntaram se em "uniao civil de solidariedade", nome convenientemente escolhido pelos legisladores para agradar a gregos e a troianos:

http://www.planetout.com/news/article.html?2007/02/01/1

(*) injusto: porque duas pessoas que vivem juntas já teem mais sinergias do que qualquer pessoa que viva sozinha. Mas para o Estado isso nao chega e ainda concede aos casados reducoes de impostos e benesses legais.

1.30.2007

Dona Flor e seus dois maridos


Há imensas referências literárias acerca do tema da nao-monogamia e tudo o que lhe está na origem. Mas conheco poucas em portugues (é também verdade que nao sou uma especialista de literatura em língua portuguesa, e que alguém conhecer mais, eu agradeco IMENSO).

A referência óbvia é o livro de Jorge Amado, Dona Flôr e seus dois maridos.

Toda a gente conhece aproximadamente a história. Dona Flôr enviuva, num domingo de Carnaval, do seu primeiro marido, Vadinho, um estroina jogador e de pouca confianca, mas divertido e um óptimo amante. Casa-se em segundas núpcias com o respeitável Teodoro, um homem de características diametralmente opostas. Com Teodoro, Flôr sente uma seguranca e uma paz que nunca sentiu antes com Vadinho, mas sente falta da farra pegada que vivia com o seu primeiro marido. O nosso benévolo escritor resolve o dilema de dona Flor, e que é um dos paradigmas de muitas relacoes poliamorosas (que uma pessoa nao pode fisicamente preencher todos os nossos anelos - ok, poder pode, mas seria uma aberracao estatística), permitindo a Vadinho visitar a sua esposa no mundo dos vivos, e dando lhe a capacidade muito desejável e conveniente para as críticas do mundo, que é de ser visível só a Flor.

O livro termina com os três a viver harmonisoamente (mesmo que uma das partes-Teodoro- nao o saiba) e sao felizes para sempre. Pormenor interessante é a "batalha cósmica" travada pelos orixás (ver candomblé) defendendo ora a permanência ora o regresso de Vadinho, e em que o ardor do amor de Vadinho é determinante a desiquilibrar a decisao a seu favor, mesmo quando Exu, seu único defensor, perde a batalha.

(Sim, mesmo quando toda a sociedade olha de lado, a gente aqui cá segue "cantando e rindo", com ou sem Exu).


(Nostalgia alarm!!) Alguém se lembra do filme?


1.27.2007

Quotideano delirante III - O rol da roupa como assinatura personalisada


Este ano estive deslocada noutra cidade em trabalho. E como qualquer pessoa deslocada em trabalho, trabalhava que nem uma desalmada, tendo de confiar a lavagem dos meus andrajos a uma lavandaria. E como qualquer pessoa deslocada em trabalho estava longe de quem me quer bem, o meu namorado e a minha namorada. A lavandaria ficava (e ainda fica) num bairro muito popular, e é gerido por uma senhora protótipo desse mesmo popular, mistura de bom senso, vontade de tratar bem o cliente mas também de nao deixar um comentário ou uma piada por atirar. Como nao me apetece dizer onde era essa cidade e essa referencia popular, pensem pescadores de Sesimbra, operários da Mouraria (Lisboa), velhotas da Ribeira (do Porto), campinos, ovarinas... No fundo todo um "natural cool" que se está a perder..

Quando era visitada pelos meus dois queridos, costumava pedir que me fossem levantar á roupa á lavandaria, porque esta costumava fechar muito cedo. Repetiu-se muitas vezes que as minhas roupas fossem deixadas por mim de manha e levantadas por cada um deles no dia seguinte á tarde. Um dia, a minha namorada é brindada com o seguinte comentário "Ai, quer as roupas da menina X? muito bem, imagine que eu até sei onde elas estao... Imagine que já distingo quando ela tem o namorado ou a namorada cá só pela roupa que ela deixa".

Pensei se haveria de mudar de lavandaria com medo de enfrentar o tigre, mas deixei me de merdas. Mas fiquei impressionada com a maneira como a minha vida foi posta a nu, eu que achava que era tao discreta.

1.26.2007

Shortbus, o filme


(mais outra tip da PV numa semana que comeca com pouca pertinacia para escrever)

Shortbus, o filme


Será curto, porque nao posso escrever sobre o que nao vi, mas alem de quem me deu a tip, várias pessoas me indicaram o filme shortbus como poly, ou poly-friendly. Basicamente a citacao era "que se sai com um sorriso (cumplice? nao sei) nos lábios". Se é assim ou nao, nao posso (ainda) dizer, pois o filme ainda nao passou nas minhas paragens. Pela descricao, um local supostamente dedicado a (des)encontros polisexuais funciona como atractor para pessoas com diversas historias pessoais. E a definicao limitante de "local de encontro polisexual" torna se demasiado limitante á medida que se desenvolvem os encontros em territorios onde a emocionalidade (o amor?) é encontrada no meio duma meada que tem o sexo como ponto de partida.



(a imagem, da autoria de Vitor Reis, e reproduzida aqui sem permissao e á laia de promocao do espaco onde se encontra exposta, pode ser reencontrada nos Maus Hábitos em formato grande)

1.24.2007

"A Galdéria Ética": o filme!



A bíblia de toda a galdéria (queer ou nao) que se preze, que deve estar em todas as mesas de cabeceira, ou debaixo da cama, provavelmente com páginas marcadas e sublinhadas, comentários garatujados, e com abundantes manchas suspeitas na capa, o livro "Ethical Slut", vai ser adaptado a filme.

Essa adaptacao vai ser feita pela "Little Taoist Films" (
http://www.littletaoist.com/current_projects.html), uma empresa recentemente fundada em Sao Francisco que se intitula idealista e independente. Acerca de ser idealista ou nao, só posso comentar que realmente o site deles tem kilómetros de citacoes de Lao Tzé, mas com uma boa faca de mato lá se consegue saber um pouco mais sobre o filme.

De acordo com o press release a importancia do livro original está no se ser verdadeiro acerca do amor e do sexo (
http://www.littletaoist.com/Downloads/TESpressrelease.pdf). Mais para a frente adiantam que vai ser uma comédia romantica (socorro!), o que já me deixa curiosa, pois como é possivel transformar um sólido ensaio numa comédia romantica é algo que me deixa curiosa (para nao dizer céptica). O heroi (sim, vai ter um protagonista masculino), vem da "província" e aterra em Sao Francisco onde vai ser confrontado com sexualidades alternativas. Parece me que o filme nao vai propriamente explorar emocoes ou relacoes, mas vai fixar se na "verdade do sexo" mas que se esqueceram da "verdade do amor". Enfim. Vamos esperar para ver.

1.23.2007

Londres, Polyday



(obrigada á PV pela tip)

O ano passado realisou-se em Londres o PolyDay. Contou com cerca de 200 pessoas, e foi uma festa conjugada com discussoes e a adequada incipiente mas consistente visibilidade com efeitos políticos e de empowerment. Mais detalhes no polylivejournal. Para subscrever a mailing list e receber as últimas informacoes sobre o próximo PolyDay, escrever para: announce@polyday.org.uk