11.21.2006

Alternativas á monogamia III: Quirky Alone

Tenho mantido este blog escrevendo essencialmente sobre poliamor em todos os seus aspectos, mesmo aqueles que não vão de encontro á situação particular que vivo, mas gosto também de ir além do tema poliamor per se e de apontar todas as situações em que o paradigma monogâmico tenta marginalizar (mais ou menos) quem nele não se encaixa, seja por ser poliamoroso, seja por dizer as coisas duma maneira demasiado honesta que desafia as aparências, seja por rejeitar todo aquele sistema de valores que vem com o pacote.

A terceira alternativa á monogamia que vos quero chamar a atenção é simplesmente ficar sozinho. Single, sozinho, solteiro... Ficar sozinho também desafia as normas. Ficar "orgulhosamente só", por escolha. Ficar sozinho mas rejeitando a pressão social para se "arranjar alguém", rejeitando a neurose e o estigma social que acompanha quem fica sozinho. A conclusão mais frequente é que, uma vez que ninguém, obviamente, fica sozinho por escolha própria, é porque de certeza nao é boa pessoa, ou é um granda chato.

É difícil de encaixar a muito boa gente que há quem fique sozinho por escolha. Pessoas com uma vida preenchida socialmente ou com paixões especificas e absorventes por determinados temas e ou actividades talvez não estejam propriamente infelizes por estarem sozinhos. Talvez haja quem voluntariamente decida não ter uma relação (ou mais).

A mim o que me saltou á vista foi o alivio imediato da tentação de se saltar para a próxima relação de modo acrítico só porque está sozinho.

Desafio vos a darem uma vista de olhos pelos Quirky Alone. É bastante ilustrador.

http://quirkyalone.net/qa/

http://www.todolistmagazine.com/quirkylikeus.html

http://en.wikipedia.org/wiki/Quirkyalone


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11.07.2006

Alternativas á monogamia II: Swinging, Comunidade electrónica portuguesa




Sem querer recomeçar a grande discussão swinging versus poliamor, mas tendo em conta que é um tópico relacionado (para não mencionar que muita gente desagua no poliamor via curiosidade por práticas próximas do swinging) limito me a anunciar que existe um portal dedicado à crescente comunidade swinger portuguesa.

http://www.swingersportugal.com/

11.01.2006

Alternativas á monogamia, I: Cuddling Parties


Queria falar de uma alternativa não literalmente poli à monogamia. Há mais a caminho.

Soube disto numa apresentação/discussão sobre poliamor e alternativas à monogamia que fui apoiar. As cuddling parties, seu conceito e modus operandi, foram apresentados como uma das alternativas (menos conhecidas) à monogamia standard. Em seguida foi apresentada a agenda local de cuddling parties.

O link que vos deixo é o artigo da wikipedia anglófona. Deixo aos leitores e leitoras interessados o trabalho de casa de descobrir a agenda de cuddling parties para o local onde vivem (ou caso esta agenda ainda não exista, sugiro a tarefa sem dúvida ainda mais interessante de as organizar ;-))

Resumindo o modo de funcionamento:
Imaginem uma festa em que o fio condutor é poder facilmente, sem obrigatoriedade, conhecer pessoas e ter um contacto físico a um nível bastante satisfatório e eventualmente carinhoso sem haver pressões para existir um "a seguir". Ou seja, metade das pressões que bloqueiam muitos contactos são neutralizadas à partida. nao tem de haver um "a seguir", não tem de haver sexo, não tem de haver um contacto posterior. Para isso há um conjunto de regras e um conjunto de pessoas (coachers) que verificam que as regras são cumpridas. Estes coachers não são policias, defini-los-ia mais como DJs ou barmen, pessoas que mantém uma festa a funcionar.
(alguém tem uma tradução decente para português do conceito? comentários?)

10.17.2006

Incompatibilidade social: flirt, e relacao romântica a dois/duas

Recentemente foi enviada para a lista PolyPortugal a seguinte peca:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2006/09/060926_flerte_dg.shtml

segundo esta, o flirt apimenta as relações, e mais uma série de lugares comuns em estilo jornalista "boulevard". Mas o que me chamou a atenção, é que, do modo como está escrito, deduz-se que a convenção social não espera que o tal flirt seja um comportamento correcto numa relação monogâmica.

Bem, mais uma vez fiquei chocada, porque embora não seja uma pessoa que goste de flirts e jogos, não percebo onde está aqui o factor "magoar/engano/etc". Talvez alguém me possa explicar? Mas enfim, talvez eu esteja tão "corrompida" que já não consiga entender a psicologia das "relações românticas a dois/duas".

Apressadamente, ainda de férias, divirtam-se!

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10.12.2006

Mexico, Oaxaca: o respeito pelos direitos dos outros é a Paz

Como devem ter reparado, não tenho actualizado nada este blog. A razão é simples. Estou a viajar pelo México durante todo o mês de Outubro.

Sem tópico especifico. Escrevo isto desde Oaxaca, uma cidade que está sem governo e sem polícia desde Junho deste ano. Espera-se hoje uma visita senatorial para avaliar da teórica ingovernabilidade do estado de Oaxaca, para evitar o recurso a uma marcha do exercito federal. Para uma cidade sem polícia, sinto me super segura aqui, e as pessoas dizem que não houve aumento da criminalidade. Começo a achar que todo o governo alem do básico é completamente supérfluo.

Aproveito para citar o celebre oaxacateco (na verdade zapateco) Benito Juarez "O respeito pelos direitos dos outros é a Paz".

As únicas coisas a assinalar (marginalmente ontopic) seriam o encontro poli em Cuernavaca ao qual não fui, um artigo sobre Susan Sontag que saiu na revista semanal "O Processo" adiantando citações de textos inéditos (muito interessantes, combinando entusiasmo sexual com uma intelectualidade descontraída e desenvergonhada) que serão publicados ao longo de 2007/8. Finalmente, o que talvez seja mais in tópico neste texto sem pés nem cabeça, o postal de Frida Kahlo que vi numa loja de posters inacreditável em Taxco. Este postal retratava duas mulheres que definitivamente se queriam, e que posaram alegre e descontraidamente para a câmara. Nao me parece que se estivessem a esconder-se. Depois de tanto hype à volta da mesma Frida, nunca ninguém se lembrou de referir que os seus chamados "casos extra conjugais" eram consentidos.

Até à vista.

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9.27.2006

Sexo em Público, parte I


As reacções aos meus poly outings tem sido variadas mas raras vezes apanhei reacções realmente negativas, daquelas de confrontação directa a raiar o insulto. Estas são geralmente em contexto "internet anónimo", por exemplo em fóruns ou listas de discussão, em que as pessoas podem permitir se tais ataques sem terem de defender a sua posição de modo consistente. Quando o faço, em situações de cara a cara, as reacções negativas são do género condescendência, um olhar de duvida, um esgar de troca. Cepticismo. Por vezes inveja. Porquê?

As pessoas falam constantemente sobre amor, emoções, sexo, mas sempre por detrás duma barricada protectora, seja ela uma "conversa de pendor cientifico" com poucos exemplos na primeira pessoa, ou uma conversa pessoal, mas sempre superficial. Raras vezes se fala com verdadeira frontalidade. Daí, quando tenho os meus poly outings, com as tais pessoas com as reacções menos positivas, tenho a sensação que estou a praticar sexo em publico. Que isso desencadeia uma serie de imagens na mente do ouvinte céptico.

Gore Vidal disse que "Sexo é Politica". Eu digo mais, tudo o que fazemos na nossa vida e que é visível para outrem é politico. Neste caso, a partir do momento que se sai da gaveta romântica de relações a dois, todas as suposições são possíveis.

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