4.01.2006

A série Big Love



A série "HBO Big Love" tem estado a ser exibida desde algumas semanas nos Estados Unidos. Tem desencadeado alguma polémica, que começa a chegar ás nossas bandas devagar mas consistentemente.

A trama desenreda-se (ou enreda-se, dependendo do ponto de vista) á volta de uma família polígama que vive nos subúrbios. Bill Henrickson (BillPaxton) vive com as suas três mulheres, que se degladiam em intrigas domésticas, recorre á utilisação de Viagra, e ainda tem de lidar com a afirmação do seu modo de vida no mundo extra doméstico.

As discussões têem sido variadas e muitas, como outra coisa não seria de esperar.

http://www.nytimes.com/2006/03/28/arts/television/28poly.html

http://www.heraldtribune.com/apps/pbcs.dll/article?AID=/20060320/COLUMNIST75/603200543/1263/OPINION01


Confesso que fiquei com alguns pruridos quando li sobre esta série pela primeira vez no "Publico". Por muito poliamorosa que eu seja, e por muito tolerante que tente ser, também tenho dentro da minha cabeça o meu pidezinho de lápis azul á procura de tudo o que não lhe cai no goto ou que não encaixa no seu sistema do mundo: Afinal, é uma familia centrada num patriarca que nao tem nada de particularmente atractivo ou qualquer profundidade emocional. O protagonista vive rodeado pelas suas parceiras que se degladiam em intrigas palacianas e puxam o tapete umas ás outras para cairem nas graças do senhor. É mostrado como este tem de recorrer ao uso de Viagra (como se a sáude de uma relação se medisse pela existencia/quantidade/qualidade do sexo praticado).

Resumindo e concluindo, gostava que ao trazer o tema do poliamor para a ribalta através de uma série popular, que fosse com personagens com quem eu me identificasse um pouco mais.

Nao é o meu modelo preferido de relação dentro de vinte mil outros possiveis. Preferia ver retratadas mulheres mais independentes ou mais criativas, menos tricas, etc. Mas é uma relação poliamorosa e é valida, por isso terei de filtrar as oportunidades que o aparecimento desta série apresenta através do ruído dos meus pruridos.

Vejamos quais são entao as oportunidades que esta série nos tráz:

Por muito pouca identificação que eu tenha com os personagens nao se pode negar que se vai poder observar o tratamento dos problemas que em essência sao comuns a todos os modos de vida poliamorosos. Há que coar as tais especificidades que podem aumentar ou diminuir a empatia (e proporcionalmente a capacidade de absorçao e reflexão) com as personagens. Mas de facto, os tópicos hão-de estar lá todos.

Adicionalmente, e esta é a parte que me atrai mais, é a possibilidade de medir o pulso ás opiniões sobre o tema que teem as pessoas á minha volta. Não estando eu ainda completamente "out" como poliamorosa, vai ser interessante, graças á série, tomar o pulso ás opiniões de amigos, familares, colegas. Vejo nisto um futuro cheio de aprendizagem e oportunidades :-))


Até á próxima!


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3.04.2006

LespPress report on 1st International Conference on Polyamory and Mono-Normativity, Hamburg

cheers,


For all of you abroad that have been following what I´ve been up, in respect to poly-activism, this is a translation to portuguese of a report, written by friend Gwendo, who has been in the 1st International Conference on Polyamory and Mono-Normativity, Hamburg and was so nice as to share what she saw there.

Gwendo wrote actually 3 articles. One, very complete, which was originally published last February in Sergej (one of the major magazines for the GLBT comunity in Munich, Germany), I translated already to portuguese and will be published on paper, in aprox. one month in a GLBT magazine in Portugal (if you want details on this, contact me privately). Until it is published, for ethical reasons, I will not repoduce it here. For the moment, as an apetizer, here is for your eyes delight, the translation of the article she wrote for LesPress. The remaining article was written for lesben-ring info.

I would be delighted on comments and suggestions.

Proceedings of conference here:
http://www.polyamory.ch/docs/abstracts_polyamory.pdf
as well as the comments from members of poly-ch list:
http://www.polyamory.ch/content.php?page=hamburg0511
(german only)


Lespress:
1st Conference on Polyamory and Mono-Normativity, Hamburg
4.-6.11. 2005 por Gwendolin Altenhöfer (polylogo@gmx.de)


Em princípios de Novembro tomou lugar em Hamburgo, Alemanha, a primeira conferência internacional sobre relações múltiplas. Participantes de países como Alemanha, Grã-Bretanha, Índia, Itália e EUA, falaram de temas tão diferentes como o lidar com amor, sexo e pertença no contexto de relações múltiplas, ou o papel do capitalismo pós-fordiano no amor livre, assim como técnicas para fintar o ciúme ou até mesmo a luta entre várias facções dentro do movimento Poliamor, como por ex. os que se concentram mais no amor e os que se concentram principalmente no sexo.


Barker e Ani Ritchie (UK) fizeram uma análise da descoberta e estabelecimento de uma nova língua alternativa por vários membros da comunidade Poliamor/Polyfidelity na Internet. Esta apresentação teve grande atenção por parte dos "media", pois a mesma apresentação tinha sido feita um ano atrás no Reino Unido. Com o aparecimento de vários artigos sobre poly nos jornais um pouco por todo o mundo, Barker e Ritchie têm se tornado os rostos do movimento poly. Têm recebido muito feedback positivo, principalmente de pessoas que pela primeira vez ouvem dizer por outras fontes que eles não são os únicos não-monogâmicos assumidos à superfície da Terra.

Daniela Dana (It) mostrou os resultados a vários inquéritos realizados entre lésbicas imersas na cultura católica. Não conseguiu encontrar um critério que permitisse distinguir as monogâmicas das polyfieis. Factores como idade, origem social ou regional, profissão, tinham aproximadamente a mesma distribuição em ambos os grupos. Talvez o inquérito pudesse cobrir o signo solar, pois Celeste West descobriu na sua investigação de 1995 uma enorme representação de Geminianos entre os Polifieis. Adicionalmente, o mesmo estudo de West, mostrou que 85% das lésbicas inquiridas se descrevem como feministas, o que é uma percentagem muito maior do que a média normal. Facto apontado quer por Dana quer por outras é que há sem dúvida ainda muito material para investigação cientifica/académica neste campo. Há também que fazer as perguntas certas!

Dossie Easton (EUA), autora de "the Ethical Slut" (tentativa de tradução, "a vadia responsável") conduziu uma "workshop" de encerramento sobre um estilo de vida boémio e/mas responsável, assegurando contudo que mesmo após varias décadas de tal percurso, continua a conhecer o ciúme. Nesse enquadramento, ela apresentou nessa workshop diversas estratégias que podem ajudar em crises agudas de ciúme, de modo por exemplo a que ninguém faça coisas de que se arrependa mais tarde. Esta workshop proporcionou também a oportunidade a/os participantes de falarem entre si e estabelecer contactos.

Para todos os que não tiveram oportunidade de assistir a esta conferência, as organizadoras (Marianne Pieper e Robin Bauer, Centro de Investigação para Estudos de Género, Feministas e Queer da Universidade de Hamburgo, RFA) têm em vista a publicação dos "proceedings" contendo as apresentações. Para todos aqueles que não queiram esperar tanto tempo e que dominem o alemão há a colectânea "Mehr als eine Liebe. Polyamouröse Beziehungen" (Laura Méritt, Traude Bührmann e Nadja Boris Schefzig), pela Orlanda. Neste livro estão já incluídas duas das apresentações da conferência, assim como um espectro larguíssimo de artigos de mais de 30 autoras.

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2.21.2006

Call for papers!

Para quem estiver interessad@ em escrever:


Journal of Sexualities, Gender + Justice
call for papers

The journal of sexualities, gender + justice is an independently peer-reviewed journal which aims to promote discussion of, and provide a forum for the analysis of, relations between and within sexualities, genders and law from critical and interdisciplinary perspectives.

The theme for the inaugural issue is
JUST LOVE - a topic which seems out of place in an academic and political environment that is preoccupied with international security, economic rationalism and new pandemics. And yet a critical glance reveals that these "objective" and "rational" topics are couched in highly emotive language and often draw heavily upon generalisations about gender and sexuality.

The journal of sexualities, gender + justice invites submissions on the topic of just love, and encourages analyses across plural and different sexualities and genders, including but not limited to heterosexual, queer, intersex, transgender, masculinities and femininities and analyses that address the appearance of law in different sites, such as word and image, popular culture, cinema, policy, daily life, judgments and legislation.


In particular, submissions could address one or more of the following:
. the end/s of sexuality
. pain, pleasure and polyamory
. sex, death and terror
. protocols of engagement
. the sexual imagination of law.

Any style of submission up to 8000 words is welcome, including scholarly articles, poetry, prose, scripts and visuals. (Photographs and drawings will be published on-line). Submissions from any relevant discipline, including law, history, sociology, politics and psychology, as well as from activists and practitioners, are encouraged.

A style guide is available on the journal's website:

www.jsgj.org

Submissions due 30 June 2006
For more information please contact:
Sarah Keenan Mark Thomas
Ph: 0412 805 742 Ph: 0408 714 706
or email: editors@jsgj.org
Sally Sheldon
Visiting Fellow (Jan - March 2006)
Sydney Law School
173-175 Phillip Street
Sydney
NSW 2000
Australia
Tel: +61 2 9351 0285
Fax: +61 2 9351 0200

2.08.2006

Comunidade Oneida

Do JP, com abraços veganos:

"Mais um exemplo de uma experiencia relacionada com alternativas ao amor convencional, a comunidade oneida :
http://www2.udec.cl/~ramartin/oneida.htm "

Para quem nao está nas lides, acrescento eu o óbvio:
www.tamera.org

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1.11.2006

O filme: LOVE = ME3

Este filme vimos nós os três, numa sala de cinema completamente vazia excepto por nós, a rirmo-nos perdidamente, com os pés em cima da cadeira em frente, e uma cerveja na mão cada um.

A história nao tem nada que saber. Um triângulo. Um gajo, duas gajas. Nada de grandes originalidades, tipo uma gaja e dois gajos, ou três gajas, que é para nao abanar o "estabelecimento", não se vá chocar muitos pilares da sociedade duma só vez. Como é que eles lidam com os problemas de erosão do dia a dia. Nada de esotérico ou conflituoso. Mas marca pontos pelos bons exemplos escolhidos.

O filme é bastante superficial. Tem momentos bons e que penetram bem fundo em quem já passou por situações semelhantes, e outros quase embaraçosos por serem tão "filme amador".

Por outro lado, é subtil que o filme pegue precisamente no quotideano. O quotideano é o grande assassino de relações, monogâmicas ou não. Não o desprezem. Ele está lá e tem todo o tempo do mundo para vos apanhar.

Esta sessão de cinema (nao necessariamente o filme) ficará sempre na minha memória como um dos dias mais bonitos da minha vida. Estávamos os três juntos e não tinhamos vergonha. As coisas corriam bem. Divertiamo-nos juntos. Aprendiamos. Depois mais tarde isso tudo mudou (não acabou). Mas acho que ninguém se arrependeu.

http://www.loveme3.com/
LOVE = ME3

uma das criticas a "LOVE = ME3"

Obrigada a nós mesmos por termos descoberto este filme juntos.

1.06.2006

Passado

Ela está em baixo. Coisas passaram-se na noite anterior.

Perguntou como estavas.
Eu disse-lhe que estavas mal, a entrar num processo de auto-detruiçãoo. Que não te conformavas.
Ela disse que eu tenho que te ajudar.
Eu fiz-lhe ver a minha impotência.
Ela perguntou como te podia te ajudar.
Eu fiz-lhe ver a impotência dela. Poderia sempre dar mais do que dá. Mostrar o que ela gosta de ti. Ser mais que uma amiga. Disse-lhe que tu nao suportavas que ela fosse mais uma "Margarida".
Ela diz que só consegue ter a intimidade que tinham com a pessoa com quem está. (Mal estaria eu com a Anna, se assim comigo fosse.) Que não cosegue dar mais que dá.
Eu perguntei-lhe se era tudo o que tinha ficado.
Ela disse que é assim que sente agora. Não sabe como será no futuro.
Eu disse-lhe então que arranjasse maneiras de falar contigo e fazer-te sentir especial no quadro que conseguisse.
Ela disse que é o que tenta, mas não consegue.
Eu disse-lhe que achava estranho, depois do que se passou, ela desligar-se tanto.
Ela disse que a soluçãoo a três nunca daria, mesmo achando que eu era uma pessoa especial, e que se fartou de um ano a ouvir promessas. Está cansada.
Eu disse-lhe para ela me ligar sempre que precisasse de alguma coisa, de falar.
Ela disse para eu fazer o mesmo.