Solidariedade com a comunidade poly na Dinamarca :-)
www.polyamory.dk
2.20.2006
2.08.2006
Comunidade Oneida
Do JP, com abraços veganos:
"Mais um exemplo de uma experiencia relacionada com alternativas ao amor convencional, a comunidade oneida :http://www2.udec.cl/~ramartin/oneida.htm "
Para quem nao está nas lides, acrescento eu o óbvio: www.tamera.org
.
"Mais um exemplo de uma experiencia relacionada com alternativas ao amor convencional, a comunidade oneida :http://www2.udec.cl/~ramartin/oneida.htm "
Para quem nao está nas lides, acrescento eu o óbvio: www.tamera.org
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1.11.2006
O filme: LOVE = ME3
Este filme vimos nós os três, numa sala de cinema completamente vazia excepto por nós, a rirmo-nos perdidamente, com os pés em cima da cadeira em frente, e uma cerveja na mão cada um.
A história nao tem nada que saber. Um triângulo. Um gajo, duas gajas. Nada de grandes originalidades, tipo uma gaja e dois gajos, ou três gajas, que é para nao abanar o "estabelecimento", não se vá chocar muitos pilares da sociedade duma só vez. Como é que eles lidam com os problemas de erosão do dia a dia. Nada de esotérico ou conflituoso. Mas marca pontos pelos bons exemplos escolhidos.
O filme é bastante superficial. Tem momentos bons e que penetram bem fundo em quem já passou por situações semelhantes, e outros quase embaraçosos por serem tão "filme amador".
Por outro lado, é subtil que o filme pegue precisamente no quotideano. O quotideano é o grande assassino de relações, monogâmicas ou não. Não o desprezem. Ele está lá e tem todo o tempo do mundo para vos apanhar.
Esta sessão de cinema (nao necessariamente o filme) ficará sempre na minha memória como um dos dias mais bonitos da minha vida. Estávamos os três juntos e não tinhamos vergonha. As coisas corriam bem. Divertiamo-nos juntos. Aprendiamos. Depois mais tarde isso tudo mudou (não acabou). Mas acho que ninguém se arrependeu.
http://www.loveme3.com/
LOVE = ME3
uma das criticas a "LOVE = ME3"
Obrigada a nós mesmos por termos descoberto este filme juntos.
A história nao tem nada que saber. Um triângulo. Um gajo, duas gajas. Nada de grandes originalidades, tipo uma gaja e dois gajos, ou três gajas, que é para nao abanar o "estabelecimento", não se vá chocar muitos pilares da sociedade duma só vez. Como é que eles lidam com os problemas de erosão do dia a dia. Nada de esotérico ou conflituoso. Mas marca pontos pelos bons exemplos escolhidos.
O filme é bastante superficial. Tem momentos bons e que penetram bem fundo em quem já passou por situações semelhantes, e outros quase embaraçosos por serem tão "filme amador".
Por outro lado, é subtil que o filme pegue precisamente no quotideano. O quotideano é o grande assassino de relações, monogâmicas ou não. Não o desprezem. Ele está lá e tem todo o tempo do mundo para vos apanhar.
Esta sessão de cinema (nao necessariamente o filme) ficará sempre na minha memória como um dos dias mais bonitos da minha vida. Estávamos os três juntos e não tinhamos vergonha. As coisas corriam bem. Divertiamo-nos juntos. Aprendiamos. Depois mais tarde isso tudo mudou (não acabou). Mas acho que ninguém se arrependeu.
http://www.loveme3.com/
LOVE = ME3
uma das criticas a "LOVE = ME3"
Obrigada a nós mesmos por termos descoberto este filme juntos.
1.06.2006
Passado
Ela está em baixo. Coisas passaram-se na noite anterior.
Perguntou como estavas.
Eu disse-lhe que estavas mal, a entrar num processo de auto-detruiçãoo. Que não te conformavas.
Ela disse que eu tenho que te ajudar.
Eu fiz-lhe ver a minha impotência.
Ela perguntou como te podia te ajudar.
Eu fiz-lhe ver a impotência dela. Poderia sempre dar mais do que dá. Mostrar o que ela gosta de ti. Ser mais que uma amiga. Disse-lhe que tu nao suportavas que ela fosse mais uma "Margarida".
Ela diz que só consegue ter a intimidade que tinham com a pessoa com quem está. (Mal estaria eu com a Anna, se assim comigo fosse.) Que não cosegue dar mais que dá.
Eu perguntei-lhe se era tudo o que tinha ficado.
Ela disse que é assim que sente agora. Não sabe como será no futuro.
Eu disse-lhe então que arranjasse maneiras de falar contigo e fazer-te sentir especial no quadro que conseguisse.
Ela disse que é o que tenta, mas não consegue.
Eu disse-lhe que achava estranho, depois do que se passou, ela desligar-se tanto.
Ela disse que a soluçãoo a três nunca daria, mesmo achando que eu era uma pessoa especial, e que se fartou de um ano a ouvir promessas. Está cansada.
Eu disse-lhe para ela me ligar sempre que precisasse de alguma coisa, de falar.
Ela disse para eu fazer o mesmo.
Perguntou como estavas.
Eu disse-lhe que estavas mal, a entrar num processo de auto-detruiçãoo. Que não te conformavas.
Ela disse que eu tenho que te ajudar.
Eu fiz-lhe ver a minha impotência.
Ela perguntou como te podia te ajudar.
Eu fiz-lhe ver a impotência dela. Poderia sempre dar mais do que dá. Mostrar o que ela gosta de ti. Ser mais que uma amiga. Disse-lhe que tu nao suportavas que ela fosse mais uma "Margarida".
Ela diz que só consegue ter a intimidade que tinham com a pessoa com quem está. (Mal estaria eu com a Anna, se assim comigo fosse.) Que não cosegue dar mais que dá.
Eu perguntei-lhe se era tudo o que tinha ficado.
Ela disse que é assim que sente agora. Não sabe como será no futuro.
Eu disse-lhe então que arranjasse maneiras de falar contigo e fazer-te sentir especial no quadro que conseguisse.
Ela disse que é o que tenta, mas não consegue.
Eu disse-lhe que achava estranho, depois do que se passou, ela desligar-se tanto.
Ela disse que a soluçãoo a três nunca daria, mesmo achando que eu era uma pessoa especial, e que se fartou de um ano a ouvir promessas. Está cansada.
Eu disse-lhe para ela me ligar sempre que precisasse de alguma coisa, de falar.
Ela disse para eu fazer o mesmo.
"Bem Aventurada Infidelidade", um livro
Obrigada á Nina pela sugestão :-)
"Bem-aventurada infidelidade", de Paule Salomon, 2003
"No século XXI a fidelidade talvez não seja já uma virtude, fonte de felicidade e estabilidade, mas sim um medo a abrir-se aos outros, a autorizar-se o desejo e a afirmação de si mesmo. E a infidelidade, ou poli-fidelidade, pode ser concebida não como um factor que perturba a
paz conjugal, mas sim como fidelidade a nós próprios. Em Bem-aventurada infidelidade Paule Salomon explora, em inúmeros exemplos extraídos da sua experiência como terapeuta, esse obscuro e secreto continente do íntimo e da paixão, do desejo e do ciúme."
ver: http://www.paulesalomon.org
Edição francesa: Bienheureuse Infidélité, Paule Salomon, Editions
Albin Michel, Collection Essais, 2003, 260 p., 18.90€
Edição espanhola: Bienaventurada Infidelidad, Paule Salomon, Editorial
Obelisco, Colección Nueva Consciencia, 2005, 256 p., 11€
"Bem-aventurada infidelidade", de Paule Salomon, 2003
"No século XXI a fidelidade talvez não seja já uma virtude, fonte de felicidade e estabilidade, mas sim um medo a abrir-se aos outros, a autorizar-se o desejo e a afirmação de si mesmo. E a infidelidade, ou poli-fidelidade, pode ser concebida não como um factor que perturba a
paz conjugal, mas sim como fidelidade a nós próprios. Em Bem-aventurada infidelidade Paule Salomon explora, em inúmeros exemplos extraídos da sua experiência como terapeuta, esse obscuro e secreto continente do íntimo e da paixão, do desejo e do ciúme."
ver: http://www.paulesalomon.org
Edição francesa: Bienheureuse Infidélité, Paule Salomon, Editions
Albin Michel, Collection Essais, 2003, 260 p., 18.90€
Edição espanhola: Bienaventurada Infidelidad, Paule Salomon, Editorial
Obelisco, Colección Nueva Consciencia, 2005, 256 p., 11€
12.26.2005
Casamento a três
Mais um artigo, mais um caso, mais um tijolo. A Polyamory está a começar a sair do armário, e aposto o que vocês quiserem que se vai ouvir falar muito disto no próximo ano. Stay tuned at the usual watering holes.
Um trio faz um contracto de coabitação na Holanda como subterfúgio para atingir o reconhecimento ao nível de um "casamento". A mesma lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo e prevê contractos de economia comum parece prever a legitimação aos olhos da lei de "casamentos" plurais.
a
O artigo descreve a historia das pessoas envolvidas e faz uma análise das consequências legais:
http://www.weeklystandard.com/Content/Public/Articles/000/000/006/494pqobc.asp
Acerca da questão, "como seria em Portugal?" passo a citar uma advogada (M.R,):
> Allô, Allô,
>
> Finalmente li o artigo que me enviaste. Falam em
> "contratos de coabitação" como sendo o subterfúgio
> legal de conseguir o casamento. A mim parece-me que
> cá isso seria impossível, em primeiro lugar porque
> não existe a figura dos contratos de coabitação, e
> em segundo lugar, porque, mesmo que fosse possível
> celebrar um contrato deste género com base no
> princípio da liberdade contratual, acho que nenhum
> notário reconheceria validade legal a esse contrato,
> até porque o seu conteúdo seria contra a lei (uma
> vez que reconheceria a bigamia). Consequência, mesmo
> que se conseguisse fazer e validar um contrato deste
> tipo, incorreria-se em dois "perigos": a falta de
> valor legal do contrato e crime de bigamia.
>
Obrigada ao Vasco pelo link. Mais discussões sobre este tema disponíveis na mailing list do poly-pt.
Mais umas achas do Vasco:
"Parece que há um regime de economia comum para 2 ou MAIS pessoas. Parece-me interessante, muito mais que o casamento…leiam a lei e digam de vossa justiça.
http://www.portugalgay.pt/politica/parlamento02.asp
E o das uniões de facto que é apenas para 2 pessoas:
http://www.portugalgay.pt/politica/parlamento03.asp "
.
Um trio faz um contracto de coabitação na Holanda como subterfúgio para atingir o reconhecimento ao nível de um "casamento". A mesma lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo e prevê contractos de economia comum parece prever a legitimação aos olhos da lei de "casamentos" plurais.
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O artigo descreve a historia das pessoas envolvidas e faz uma análise das consequências legais:
http://www.weeklystandard.com/Content/Public/Articles/000/000/006/494pqobc.asp
Acerca da questão, "como seria em Portugal?" passo a citar uma advogada (M.R,):
> Allô, Allô,
>
> Finalmente li o artigo que me enviaste. Falam em
> "contratos de coabitação" como sendo o subterfúgio
> legal de conseguir o casamento. A mim parece-me que
> cá isso seria impossível, em primeiro lugar porque
> não existe a figura dos contratos de coabitação, e
> em segundo lugar, porque, mesmo que fosse possível
> celebrar um contrato deste género com base no
> princípio da liberdade contratual, acho que nenhum
> notário reconheceria validade legal a esse contrato,
> até porque o seu conteúdo seria contra a lei (uma
> vez que reconheceria a bigamia). Consequência, mesmo
> que se conseguisse fazer e validar um contrato deste
> tipo, incorreria-se em dois "perigos": a falta de
> valor legal do contrato e crime de bigamia.
>
Obrigada ao Vasco pelo link. Mais discussões sobre este tema disponíveis na mailing list do poly-pt.
Mais umas achas do Vasco:
"Parece que há um regime de economia comum para 2 ou MAIS pessoas. Parece-me interessante, muito mais que o casamento…leiam a lei e digam de vossa justiça.
http://www.portugalgay.pt/politica/parlamento02.asp
E o das uniões de facto que é apenas para 2 pessoas:
http://www.portugalgay.pt/politica/parlamento03.asp "
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12.15.2005
Encontro no Fim do Mundo: os Moso
(Ou mais um post sobre não-monogamia)
Um documentário a ver, se possível: "Un monde sans pére ni mari: chez les Moso", (Eric Blavier, Thomas Lavarechy).
Na verdade não vi o documentário. Ouvi os comentários em segunda mão e desencadeei uma busca na net. Não vou escrever tudo aqui para vos deixar o prazer da descoberta e da investigação.
Os Moso são um povo que vive na China, junto ao Tibete, nas margens do lago Lughu. São 30.000 pessoas que tem visto as suas tradições bastante antigas mais ou menos preservadas.
Em poucas palavras, a sociedade Moso é matriarcal. As mulheres têm o papel predominante na sociedade e querem, podem e executam todas as tarefas. O poder e a influência passam da mãe para a filha que ela considera mais inteligente.
A mulher ao chegar à idade adulta adquire o direito de escolher amantes que recebe em casa dentro de um esquema que preserva a discrição mas que não tem nada de clandestino. As crianças que nascem destes enlaces são criadas dentro da família, ás quais o pai biológico não pertence. Pares que se amam encontram se discretamente mas em liberdade e sem compromisso. Por outras palavras, não usam do conceito de monogamia.
Não existe palavra para marido nem para pai, o que não quer dizer que os homens não participem da educação das crianças ou da sociedade em geral. Simplesmente desaparece completamente a ideia do pai biológico com direitos sobre a prole e a ideia de patriarca.
Adicionalmente, não há crime nesta sociedade, que não é tão pequena como isso. Ainda menos há crime passional. O ciúme é considerado uma doença infantil, que aparece muito pouco e, que ao contrário de entre nós, ocidentais, quando aparece não é encorajada.
O que vos mostro aqui não é o modelo que eu quero seguir, ou a sociedade utópica dos meus sonhos. É apenas mais um modelo dissidente daquele em que crescemos e nos habituamos a pensar que é o único possível. Quero apenas mostrar que em termos de relações, se não tentamos seguir o modelo monogâmico e patriarcal ocidental em que crescemos, há provavelmente tantas soluções como pessoas. Este é apenas um dos modelos possíveis. Não é o que eu escolheria, embora me pareça melhor do que é mainstream entre nós.
Link para o documentário: "Encontro no fim do Mundo, o povo Moso", (Eric Blavier, Thomas Lavarechy).
Link para um artigo que comenta o documentário.
Link para o resumo do romance "Leaving Mother Lake": para quem não quer seguir a documentação mais sociológica, está aqui um romance à volta de uma jovem Moso que deixa a sua vila para seguir uma carreira como cantora e se confronta com a cultura chinesa: Leaving Mother Lake
e um link para o livro Quest for Harmony: The Moso Traditions of Sexual Union and Family Life
E finalmente um artigo cientifico sobre adopção e casais convencionais à luz da sociologia dos Moso.
(Agradeço a K. a dica, mesmo quando não apoia a ideia de poliamory, mas me apoia a mim, e aproveito e agradeço um ano fantástico!)
boa leitura!
.
Um documentário a ver, se possível: "Un monde sans pére ni mari: chez les Moso", (Eric Blavier, Thomas Lavarechy).
Na verdade não vi o documentário. Ouvi os comentários em segunda mão e desencadeei uma busca na net. Não vou escrever tudo aqui para vos deixar o prazer da descoberta e da investigação.
Os Moso são um povo que vive na China, junto ao Tibete, nas margens do lago Lughu. São 30.000 pessoas que tem visto as suas tradições bastante antigas mais ou menos preservadas.
Em poucas palavras, a sociedade Moso é matriarcal. As mulheres têm o papel predominante na sociedade e querem, podem e executam todas as tarefas. O poder e a influência passam da mãe para a filha que ela considera mais inteligente.
A mulher ao chegar à idade adulta adquire o direito de escolher amantes que recebe em casa dentro de um esquema que preserva a discrição mas que não tem nada de clandestino. As crianças que nascem destes enlaces são criadas dentro da família, ás quais o pai biológico não pertence. Pares que se amam encontram se discretamente mas em liberdade e sem compromisso. Por outras palavras, não usam do conceito de monogamia.
Não existe palavra para marido nem para pai, o que não quer dizer que os homens não participem da educação das crianças ou da sociedade em geral. Simplesmente desaparece completamente a ideia do pai biológico com direitos sobre a prole e a ideia de patriarca.
Adicionalmente, não há crime nesta sociedade, que não é tão pequena como isso. Ainda menos há crime passional. O ciúme é considerado uma doença infantil, que aparece muito pouco e, que ao contrário de entre nós, ocidentais, quando aparece não é encorajada.
O que vos mostro aqui não é o modelo que eu quero seguir, ou a sociedade utópica dos meus sonhos. É apenas mais um modelo dissidente daquele em que crescemos e nos habituamos a pensar que é o único possível. Quero apenas mostrar que em termos de relações, se não tentamos seguir o modelo monogâmico e patriarcal ocidental em que crescemos, há provavelmente tantas soluções como pessoas. Este é apenas um dos modelos possíveis. Não é o que eu escolheria, embora me pareça melhor do que é mainstream entre nós.
Link para o documentário: "Encontro no fim do Mundo, o povo Moso", (Eric Blavier, Thomas Lavarechy).
Link para um artigo que comenta o documentário.
Link para o resumo do romance "Leaving Mother Lake": para quem não quer seguir a documentação mais sociológica, está aqui um romance à volta de uma jovem Moso que deixa a sua vila para seguir uma carreira como cantora e se confronta com a cultura chinesa: Leaving Mother Lake
e um link para o livro Quest for Harmony: The Moso Traditions of Sexual Union and Family Life
E finalmente um artigo cientifico sobre adopção e casais convencionais à luz da sociologia dos Moso.
(Agradeço a K. a dica, mesmo quando não apoia a ideia de poliamory, mas me apoia a mim, e aproveito e agradeço um ano fantástico!)
boa leitura!
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