2.03.2005

Our Laundry List - Meu país fado maior - José Gil

Meu Pais, Fado Maior (título roubado de Paulo Braganca)


O mote que recebi hoje foi o que está transcrito abaixo. Mas vem no seguimento do post anterior. Não queria começar a bater no ceguinho (em Portugal), porque é demasiado fácil e é precisamente condescender com aquilo que critico. Mas não resisti. Sinto muito.

Mote : Temos um português entre os 25 mais notáveis pensadores a nível internacional segundo "Le Nouvel Observateur". O filósofo José Gil pensou sobre nós, portugueses, e mostra-nos como somos, já que não temos capacidade para o descobrirmos sozinhos. A obra que está agora na berra é "Portugal hoje, o Medo de Existir". Citação: "Temos medo de enfrentar os outros, temos medo de dizer o que pensamos. Como se a expressão do que pensamos se voltasse contra nós". "Oscilamos entre o "eu sou o maior e o "eu não sou ninguém". Em suma não sabemos quem somos. !


Concordo e nao concordo. Os portugueses são exímios a descobrir, ou a redescobrir o medo que têm de si próprios como colectivo. Claro que vêm sempre isso nos outros e nao em si mesmos. Isso é o tema de todas as conversas de café, é o eterno queixume, que se torna ensurdecedor para quem já se fartou de queixar e descobriu o medo de morrer sem ter vivido.
Temos um povo de felicidade adiada, porque a maioria que fala, trocou o fazer pelo falar constante. A minoria que não fala e que faz, é silenciosa e não aparece pelos cafés nem pelo corredor do escritório com uma dor aqui ou com uma queixa do colega que lhe fez não sei o quê.

O mérito de José Gil, para a massa que lhe está a comprar os livros compulsivamente, é ter a reputação que tem, de grande pensador, por isso todos os portugueses descobriram em peso que têm uma desculpa para continuarem a fazer o que fazem, desta vez com legitimação intelectual. Se afinal um dos melhores pensadores se ocupa a diagnosticar os medos da nação, porque não havemos nós de o fazer? E é isso que fazemos todos. Até eu, neste momento.


Para saber mais sobre o senhor José Gil:
http://www.iplb.pt/pls/diplb/!get_page?pageid=402&tpcontent=FA&idaut=1426340&idobra=&format=NP405&lang=PT

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2.01.2005

A mediocridade

...Chama-se Portugal.

Acabei de ler tudo acerca do infame jantar do Santanás Lopes com as mil mulheres (haveria lésbicas entre elas?), incluindo o repto a todos os líderes partidários para esclarecer a sua posição acerca do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Isto tudo vem tão cheio de gosma oportunista, derivada de boatos ridículos, que só me dá vontade de enterrar a cabeça num balde de areia e fingir que nasci noutro país qualquer (sim, no Iraque também... err... enfim... Talvez não)

O facto do PSD não demiti-lo imediatamente, ou pelo menos tentar colocá-lo numa instituição psiquiátrica, só demonstra que acreditam que ele está a seguir uma estratégia válida para ganhar as eleições, ou sejam que a homofobia em Portugal pode ganhar votos.

Se o PSD ganhar em Fevereiro o meu amado Portugal terá batido muito fundo. E será por falta de carácter.

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1.29.2005

O dia em que atirei a monogamia ás urtigas

Love anybody you want

É pena que não permitas mais postas sobre posting, porque é por aí mesmo que eu vou pegar. Para começar, nada como um título escandaloso, prometedor de escândalos e brejeirices para atrair público (querias) e aumentar o counter, e ao mesmo tempo exorcizar o problema de qual tema escolher.

Porquê este tema? bem, porque desde que montei este blog que tive um writers block. Só que este tema, que me é tão querido desde há alguns anos, não me sai da cabeça, mas "censurei-o" sempre (INTJ oblige? o grande control freak que pensa sempre nas consequências? o acessor de imprensa na minha cabeça? ou a preocupação com a minha reputação pessoal e profissional?)... Pois, censurei-o sempre, até agora, vou partir a loiça toda, e ele vem cá para fora.

Já expliquei como não tenho princípios. como acho que aquilo que é bom para Joana não é bom para Pedro. E muito menos para mim. Já te expliquei como acredito quase religiosamente no "ama e faz o que queres". Ou seja, faz o que entenderes desde que não passes ninguém a ferro nem percas o respeito por ti. Este é o ponto de partida.

A segunda premissa foi a sempre ver como as (a maior parte das) pessoas confunde rectidão moral com manter as aparências. Como casais se odeiam e seguem juntos. Ou como se estimam de modo relativo ou cortês e põem uma grande ênfase na indissolução dos laços que os ligam, mas na verdade vivem como estranhos com o nível de partilha que eu tenho com a senhora que me vende o tabaco no quiosque. Ou talvez com menos cumplicidade ainda.

A terceira foi sempre ter baseado todas as relações (em sentido lato) que eu tive numa base de confiança e verdade, quer fossem relações de trabalho, amizade ou amor. Por isso prefiro partilhar o que sinto, inclusivamente um potencial interesse noutras pessoas com a(s) pessoa(s) com quem estou envolvida e por quem me responsabilizo, e as inseguranças associadas, do que andar a fingir uma monogamia mental que é o adorno obrigatório na nossa sociedade para qualquer mulher virtuosa. A minha virtude não está aí. Está na minha honra e na confiança que podem depositar em mim. Por outras palavras, fui sempre leal por que nunca enganei nem magoei ninguém, mas nem sempre quis ser "fiel".

A quarta foi não acreditar na paixão e acreditar no amor. A paixão destrói e é irrealista. Tira mais do que dá. O amor é constante, constrói e é englobador. Acredito que as relações são o que as pessoas fazem delas e não o que nos educam e condicionam para ser.

A quinta é o prazer de saber para onde vou e para onde volto. E reciprocamente para quem está comigo.

Depois disso a minha-nossa vida não mudou muito em termos de praxis. Ninguém descobriu uma identidade abafada de D. Juan. Mas houve um grande alivio que sentimos em relação á percepção de nós próprios, em relação aos papeis que a sociedade te imperceptívelmente tenta "colar" à pele, e como te sentes mais indivíduo e mais verdadeiro/a. e como depois amas mais e melhor. Porque não se pode amar sem sinceridade.

Aguardo com sincera ansiedade os teus comentários. Há muito tempo que não cometia uma “imprudência” destas e me abria assim. Vou ficar um bocado á rasca com a tua reacção (as outras reacções sinceramente não me interessam). Acho que agora perceberás certos comentários e atitudes que ficaram por explicar.

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Esta posta está xanada

A malta carrega no botão. Sim, quer dizer, disse que era boa ideia, coisa e tal, sim senhora, agora como é que é? há que mandar postas...mas...que merda é esta? onde está aquele ambiente cúmplice, intimista? porque é que agora já nada merece ser escrito? porque é que antes a dificuldade era escolher entre as dez coisas que havia para dizer de cada vez e agora.....agora há público potencial...e depois? não tenho receios em relação a confidencialidade porque confio nos parceiros. Então?

Gostam daqueles filmes ou livros em que à falta de mais inspiração se conta a história de um escritor que está com falta de inspiração para escrever? Estão a ver o género? Não tem nada, nada, a ver com este post, é só mais uma estranhíssima associação de ideias!
Há um livro do Italo Calvino que é uma sequência de inícios de livros, com a desculpa de que era a parte mais interessante da história. O gajo arranjou foi uma maneira de vender as histórias que não sabia como acabar! E entretanto larguei uma referência cultural, que dá sempre um certo sainete, e compõe um bocadito o post-it.
http://www2.folha.uol.com.br/biblioteca/1/21/1999082201.html

Mas aviso que não me permito mais posts sobre escrever posts!
E agora vou entrar e sair muitas vezes no blog para ver o contador a rolar.

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1.27.2005

A minha primeira aposta

A minha primeira aposta

A minha primeira aposta deste ano já a perdi nem sequer passaram duas semanas após a ter feito. Nem interessa o que era, era muito pessoal, e se calhar ainda bem que a perdi, fico cada vez mais na mesma e mais única, mais inútil e diletante.

A minha segunda aposta era começar este blog ou outro qualquer. Depois de ter inventado mil e um pretextos neuróticos para o não fazer por não o recomendar a prudência, por o anonimato nunca ser anonimato que se leve a sério no cyberespaco, e por se calhar acabar por contar mais do que a conta e adormecer ou chocar os meus queridos co-blogueurs, acabei por montar esta chafarica numa noite de impulso sem qualquer preocupação.

Achamos que havia interesse em publicar as nossas divagações. Achamos que havia interesse em guarda-las de modo que não se perdessem!

Claro que agora tudo o que eu tinha para debitar desapareceu como que por milagre. Estou a escrever isto por exorcismo a ver se corre o primeiro sangue e se para a próxima a inspiração volta.

Vamos ver!

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A minha primeira posta

Não me lembro da minha primeira posta de bacalhau. Não me lembro se me soube bem ou mal. Não me lembro se era cozida, assada ou à lagareiro. Mas uma coisa é certa, nunca me esquecerei da minha primeira posta neste blog!

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1.24.2005

AbAn

Fizeste bem em criar o blog primeiro e perguntar depois se eu queria.
Entrei sem pensar muito e pronto.
Claro que já me tinha passado pela cabeça antes, mas não seria eu a criar um com certeza.
Fiquei um bocado à toa e depois achei que tinha que "dizer" alguma coisa.
Sim, estamos de acordo, só dá para "blogar" em vez de "e-mailar" se não houver hipótese de nos identificarem na blogosfera.

Afinal isto são conversas pessoais, apesar de acharmos que se calhar anda para aí gente a identificar-se com as coisas que pensamos sem encontrar ambiente para conversar sobre elas.

AbAn (Absolutely Anonymous) foi uma referência à série AbFab (Absolutely Fabulous) que claro que não vês porque optas por não ter TV.....
São duas amigas inseparáveis totalmente passadas e fúteis.
Não estou a querer dizer nada. A associação surgiu e pronto.
http://www.bbc.co.uk/comedy/abfab/

Aguardo o teu post de estreia!

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