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5.03.2011

Trabalho Sexual Voluntário

Neste blogue, não com muita insistência, mas com consistência, escreve-se sobre trabalho sexual (voluntário, para quem anda mais distraído e deu agora um pulo brutal na cadeira). Quando este blogue comecou, em 2005, esse tema era para mim apenas mais um domínio (mas um bem grandinho) em que cada um tem o direito de tomar as suas decisões, e que nem Estado nem vizinhas tem o direito de julgar o modo de vida ou a pessoa que o exerce. De modo que peguei nessa briga por solidariedade.


Em 2006, a primeira marcha do Orgulho LGBT do Porto, de cuja organização eu fiz parte, e com o lema Um presente sem violência, um futuro sem diferença tematizou a fragilidade e a defesa dos direitos dos trabalhadores sexuais num manifesto que não foi livre de discórdia.

"uma política social de assistência a grupos marginalizados – incluindo imigrantes, pessoas com HIV, sem-abrigo, utilizadores de drogas e trabalhadores do sexo – em vez de uma política de exclusão."

Entre 2005 e este ano, fui reparando como amigxs e conhecidxs me foram revelando mais ou menos confidencialmente que eram trabalhadores sexuais, ou que consideravam experimentar. Notei os ventos da mudança dentro e fora duma cena queer de inspiração feminista. A prostituição deixou de ser necessariamente o dormir (literalmente) com o inimigo e o apoiar de um sistema patriarcal que se quer combater, mas sim uma escolha válida, uma forma de luta, de exercício de liberdade individual, uma maneira de ganhar dinheiro, ou uma forma tão valida como outra de alegria e realização (Sim, também há..).

Em Janeiro deste ano, dois autorxs deste blogue apresentaram uma performance no Hurenball, e talvez tenha havido mais motores para essa participação para alem dos óbvios vaidade, ambição artística, e solidariedade com amigxs e com o trabalho sexual em geral. Também desde Janeiro que estou mais concentrada em trabalhar na vertente performance e artística do que na escrita, como se nota no "vazio e pouco mais" deste blogue.

Esta semana resolvi voltar a escrever e o detonador foi isto:

Sobre a tomada de posição da CGTP contra direitos sociais para quem presta serviços sexuais

Fui investigar, e apesar de não encontrar o texto original (Existe?) com a tomada de posição oficial da CGTP, encontrei este, bastante descritivo:

CGTP repudia campanha do preservativo, por aceitar prostituição como profissão


Hmm. Pode-se combater cada um dos argumentos ponto a ponto. Temos pelo menos dois pontos independentes que merecem uma massagem. Um é " a contestação da campanha do preservativo tal como ela foi apresentada (figuras estereotipadas, com mulher-puta-de-rua homem-cliente etc)" e o outro "a aceitação ou não da prostituição voluntária como forma de trabalho"

Na verdade acho que a campanha publicitaria que foi contestada é bastante contestável. Não há necessidade de perpetuar o cliché da prostituição como feminina e de rua. A campanha peca não só por falta de imaginação mas por falta de sensibilidade a temas de género. Não sei por outro lado se vale a pena por outro lado bloquear a coisa por aí. Não sei mesmo.

Mas onde a coisa dói mesmo é na não aceitação da missão própria - defesa do trabalhador. O não aceitar da prostituição como forma de trabalho, parece poder desresponsabilizar a CGTP do seu papel de defensora dos direitos de TODXS os trabalhadores. mesmo eu pondo me no lugar deles, em que não, o trabalho sexual voluntario não é uma forma legitima de trabalho, não me parece que isso tire a questão de cima da mesa, em que há trabalhadorxs com necessidades graves e prementes.

Lenha para a fogueira:
http://aeiou.expresso.pt/1-de-maio-trabalho-sexual-e-trabalho=f579943
http://panterasrosa.blogspot.com/2011/05/panteras-rosa-e-plataforma-trabalho.html
http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/germany/1482371/If-you-dont-take-a-job-as-a-prostitute-we-can-stop-your-benefits.html

Mas enfim, importante é, a discussão rola, e quero chamar a vossa atenção para participarem nela, com todos os vossos argumentos.

Aqui o link para a muito bem redigida Carta Aberta - O MOVIMENTO SINDICAL E O TRABALHO SEXUAL EM TEMPO DE CRISE (Panteras Rosa)

E para quem se interessa ou começa a interessar pela possibilidade real de trabalho sexual voluntário, deixo-vos o link para o Sex Worker Open University:
http://www.sexworkeropenuniversity.com

Deixo-vos tambem algumas propostas pertinentes para o tema:


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3.06.2008

"A má relacao d@s trabalhador@s do sexo com a polícia"?


Há frases com as quais a gente só se espanta quando comecamos a descontruir uma ideia ou um hábito mais geral. E precisamente no caso de hábitos, é uma trabalheira do inferno para os desconstruir.

No caso do assassinato de Luna e as noticias que teem sido emitidas, em vários artigos da blogayesfera ou nao, tem-se falado, claro está, da questao do tratamento de Luna, ou outras pessoas transgénero, por parte da comunicacao social, por um género pelo qual a pessoa de modo nenhum se identificava (situacao tanto mais injusta, a rocar o macabro, por nao haver possibilidade de defesa e reposicao da verdade por parte das vítimas).

Nao vou discutir isso aqui, principalmente porque há tantos blogs que o fizeram de maneira exemplar.

A desconstrucao, que eu quero chamar atencao, e que vos quero desafiar a fazer, é um pouco mais discreta, mas o que está por detrás talvez valha a pena aprofundar. É uma frasesinha que eu há alguns anos talvez a tivesse comido e calado sem me engasgar pelo meio.

"Um facto talvez compreensível tendo em conta o estatuto de marginalidade dos transexuais e a tradicional má relação dos trabalhadores do sexo com a polícia"

... A tradicional má relacao dos trabalhadores do sexo com a Polícia... É curioso como assumimos como "natural" que os/as trabalhadora/es do sexo tenham má relacao com a Polícia. Que ideias poderao estar por trás? Será o estigma associado a um modo de vida que há uma geracao atrás ainda era crime? será que toda a sociedade (ou o mainstream dela) tem vontade de reprimir um bom bocado quem se movimenta nas margens da moral aceite e simplesmente a Polícia tem maior imunidade, ou mesmo espaco de manobra, para o exercer, ao contrário de outros sectores da sociedade que ficam simplesmente a olhar para o lado, a assobiar e até mesmo a "achar muito bem"? ou será a objectificacao inerente, na nossa sociedade, a todos os que lidam de perto com o sexo? Especificando... se os trabalhadores do sexo se dirigem a uma clientela maioritariamente masculina, dominante, que pode ou nao, mas frequentemente objectifica quem presta esse servico, porque hao de dispensar esse respeito que no entanto dao a praticantes de outra qualquer profissao? Dito á bruta, há quem nao veja em prostitutos/as mais do que objectos menos que pessoas a quem se diz "Bom Dia" ou se dirige de todo a palavra. Ou será simplesmente o velho machismo disfarcado de guardiao da moral? Afinal, até há pouco tempo, a Policía foi entre nós uma instituicao só para homens, extremamente gender-mainstreaming, até pela própria cultura paramilitar (isto comeca a mudar na europa, e com sorte, entre nós também, devagarinho). A velha dualidade penetrador/penetrado, em ultima instancia? nao sei..

Este post nao é uma defesa ou um ataque da prostituicao e de profissoes ligadas ao sexo. Também nao é um ataque ou uma defesa da(s) Polícia(s). Tenho a minha opiniao sobre o assunto e nao me apetece expo-la. Mas quero lancar o desafio de se levantar o que está por detrás das tais más relacoes entre a policia e os trabalhadores do sexo.


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http://dn.sapo.pt/2008/03/04/sociedade/transexual_assassinada_foi_identific.html