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4.15.2007

"o amor ideal é a três"




Este blog está de momento "para lavar" por problemas na constelacao poliamorosa (problemas esses alheios á sua natureza poliamorosa). Basicamente estou sem cabeca para nada, até isto ir ao lugar.

(Agradeco á F.C. a tip)



A partir de dia 12 de Abril corrente e até dia 15. vai ser exibida no Centro Cultural de Belém, uma adaptacao ao teatro da conhecida correspondência entre Rilke, Pasternak e Tsvetaieva. Esta adaptacao, encenada por Inês de Medeiros, chama-se simplesmente "Correspondência a três".

Para quem quiser saber mais e nao quiser contar que eu ultrapasse a minha actual crise para garatujar qualquer coisinha (pelos vistos podem esperar sentados), podem ler a mesma correspondencia (editada recentemente pela Assirio e Alvim) já que o Público, que editou um artigo bastante bom no suplemento Ipsilon de 6 de Abril, nao suporta artigos online (para nao assinantes) que tenham mais de uma semana (continuam a nao gostar de ser citados).
Há tambem um resumo muito bom duma publicacao das mesmas cartas em inglês (The Big Three):
(o amor a três é bastante bom, mas nao concordo que seja o ideal: cada um sabe de si e do seu numero mágico)

2.12.2007

A super mulher nao é feita de papelão

(obrigada á PV pela ideia, mais uma vez numa altura em que nao consigo ir á procura de outras histórias)

Nada nos parece mais mainstream e conservador que a personagem da Super Mulher (Wonder Woman). Parece o típico produto dos anos reaccionários, uma heroina sexy, de busto e pernas elegantes destinada a agradar a um público consumidor alvo predominantemente masculino (eram os anos em que os consumidores de comics eram... bem... geeks a sério...). Enquando o Super Homem e o Homem Aranha teem direito a cobrir o seu pudor com fatos (justos) de corpo inteiro (o Super Homem tem mesmo direito a vestir cuecas sobre as calcas, hábito de gosto duvidoso, mas eficiente a cubrir a sua frágil pudenda), a pobre Wonder Woman tem apenas direito, mesmo durante os duros Invernos novayorquinos a cobrir o mínimo que o decoro nao cede, num bikini metálico, apenas coberta por uma capa e a sua sexy cabeleira abundante.

Nao sei se alguma vez os criadores de Wonder Woman se detiveram com tais consideracoes. Mas por trás da Wonder Woman, heroina de papel, está uma história de poliamor de carne e osso e nada ficcional.
Os criadores da heroina de BD são Elizabeth Holloway Marston (1893-1993) e o seu marido William Moulton Marston.



nao tem nada a ver com a Super Mulher, mas estas Chicks on Speed sao Super Mulheres IMHO

Com uma formacao em Psicologia e Direito e alguma carreira académica, Elizabeth Marston criou e modelou Wonder Woman juntamente com o seu marido, William. A personagem foi parcialmente baseada em si mesma. As restantes características foram inspiradas em Olive Byrne, a qual viveu com o casal Marston numa relação poliamorosa. Elizabeth e William tiveram duas crianças, e William e Olive mais duas, que foram adoptadas 'de facto' por William e Elizabeth. Após a morte de William, as duas mulheres continuaram a viver juntas e a educar as quatro criancas até á morte de Olive.




excerto do QI, programa apresentado pelo Stephen Fry:

QI, BBC4, 10 Nov 2006, about half-way in:
Jonathan Ross: Can I tell you about Wonder Woman? Wonder Woman's creator was William Moulton Marston ...

Stephen Fry: Absolutely.

Ross: ... who wrote under the pen-name of Charles Moulton, and who was in a polygamous and indeed polyamorous relationship with the woman who co-created Wonder Woman, and another lezzer on the side.

Fry: Absolutely right! *applause* Yep!

Fry: You're right, he married his wife Elizabeth , 22 years of age, and then carried on this affair with Olive.

Ross: And I think they moved in together, didn't they?

Fry: They all moved in together, he had two children by each, and then when he died, Olive and Elizabeth stayed together right up until the death of Olive in the eighties.

Ross: I think it's rather a beautiful story.

Fry: It is a lovely story.

2.03.2007

LOT: uniao civil no méxico


As unioes civís e toda a discussao (a nossa discussao) sobre o casamento entre pessoas do mesmo género, (independentemente de como o genero é definido - dizem que é o Estado que sabe qual o género de alguém), costuma criar-me sentimentos muito mistos.

Por um lado, acho que (1) há coisas mais prioritárias em que a nossa comunidade (glbt) se deveria concentrar (intervencao social para mudar as mentalidades, accoes urgentes contra homofobia de facto, etc). (2) queria ver o casamento e todos os seus privilégios injustos (*) como é reconhecido pelo estado e sociedade a desaparecer de vez da face da Terra em vez de ser um conceito cada vez mais alargado.

Por outro lado, como sei que esta é uma batalha perdida, prefiro ficar feliz quando mais uma conquista é feita na nossa comunidade no campo do casamnto e unioes de facto.

Desta vez foi no México, país que me tratou bem e onde fui feliz. Duas mulheres (Karina Almaguer e Karla Lopez de Tamaulipas) juntaram se em "uniao civil de solidariedade", nome convenientemente escolhido pelos legisladores para agradar a gregos e a troianos:

http://www.planetout.com/news/article.html?2007/02/01/1

(*) injusto: porque duas pessoas que vivem juntas já teem mais sinergias do que qualquer pessoa que viva sozinha. Mas para o Estado isso nao chega e ainda concede aos casados reducoes de impostos e benesses legais.

1.27.2007

Quotideano delirante III - O rol da roupa como assinatura personalisada


Este ano estive deslocada noutra cidade em trabalho. E como qualquer pessoa deslocada em trabalho, trabalhava que nem uma desalmada, tendo de confiar a lavagem dos meus andrajos a uma lavandaria. E como qualquer pessoa deslocada em trabalho estava longe de quem me quer bem, o meu namorado e a minha namorada. A lavandaria ficava (e ainda fica) num bairro muito popular, e é gerido por uma senhora protótipo desse mesmo popular, mistura de bom senso, vontade de tratar bem o cliente mas também de nao deixar um comentário ou uma piada por atirar. Como nao me apetece dizer onde era essa cidade e essa referencia popular, pensem pescadores de Sesimbra, operários da Mouraria (Lisboa), velhotas da Ribeira (do Porto), campinos, ovarinas... No fundo todo um "natural cool" que se está a perder..

Quando era visitada pelos meus dois queridos, costumava pedir que me fossem levantar á roupa á lavandaria, porque esta costumava fechar muito cedo. Repetiu-se muitas vezes que as minhas roupas fossem deixadas por mim de manha e levantadas por cada um deles no dia seguinte á tarde. Um dia, a minha namorada é brindada com o seguinte comentário "Ai, quer as roupas da menina X? muito bem, imagine que eu até sei onde elas estao... Imagine que já distingo quando ela tem o namorado ou a namorada cá só pela roupa que ela deixa".

Pensei se haveria de mudar de lavandaria com medo de enfrentar o tigre, mas deixei me de merdas. Mas fiquei impressionada com a maneira como a minha vida foi posta a nu, eu que achava que era tao discreta.

1.26.2007

Shortbus, o filme


(mais outra tip da PV numa semana que comeca com pouca pertinacia para escrever)

Shortbus, o filme


Será curto, porque nao posso escrever sobre o que nao vi, mas alem de quem me deu a tip, várias pessoas me indicaram o filme shortbus como poly, ou poly-friendly. Basicamente a citacao era "que se sai com um sorriso (cumplice? nao sei) nos lábios". Se é assim ou nao, nao posso (ainda) dizer, pois o filme ainda nao passou nas minhas paragens. Pela descricao, um local supostamente dedicado a (des)encontros polisexuais funciona como atractor para pessoas com diversas historias pessoais. E a definicao limitante de "local de encontro polisexual" torna se demasiado limitante á medida que se desenvolvem os encontros em territorios onde a emocionalidade (o amor?) é encontrada no meio duma meada que tem o sexo como ponto de partida.



(a imagem, da autoria de Vitor Reis, e reproduzida aqui sem permissao e á laia de promocao do espaco onde se encontra exposta, pode ser reencontrada nos Maus Hábitos em formato grande)

1.20.2007

Alternativas á Monogamia V: relacoes abertas (A Change of Seasons)


Já estava na altura de voltar a pegar na série "Alternativas á Monogamia", desta vez sobre relacoes abertas, coisa que já toda a gente mais ou menos ouviu falar. Em vez de um texto abstracto sobre o conceito de relacoes abertas, por hoje vou apenas revisitar um filme que trata disso mesmo, o "Change of Seasons". Divirtam-se a revisitar este filme (ou a sua sinopse) dum ponto de vista das relacoes nao monogamicas.

O script deste filme foi baseado em "Love Story" de Erich Segal e foi encenado por Richard Lang. Esta comédia agridoce retrata um casal enrolado nos seus sentimentos e conflito com o seu status quo. Adam Evans (Anthony Hopkins), professor universitário, está em plena crise de meia idade e o seu casamento é o paradigma do aborrecimento. Previsivelmente, enrola-se com uma das suas estudantes, Lindsey (Bo Derek). Ainda mais previsivelmente, a companheira de Adam, Karen (Shirley MacLane) descobre e resolve devolver-lhe com juros, envolvendo-se com Pete, um jovem artista. Nesta constelacao tudo parece perfeito, até mesmo umas férias bem burguesas passadas no Vermont. Este equilibrio a quatro será interrompido por um evento inesperado.

Pete Lachapelle
: We enter this world and leave this world alone. Everything else is a gift.

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1.11.2007

Tamera, Comunidade

O trailer do documentario sobre tamera que passou recentemente.


http://video.google.com/videoplay?docid=5419780693224412447

para as perguntas que houver, há muita bibliografia e artigos a querer sair. é só dizerem!

Tamera é um biotopo de sociologia experimental, em outras palavras, uma comuna. Está situada no Concelho de Odemira (Alentejo).

O objectivo a longo prazo do projecto tamera é a paz mundial.

Nao é possível atingir essa mesma paz enquanto as pessoas estiverem em guerra umas com as outras e consigo próprias. As relacoes amorosas mais frequentes na nossa sociedade sao muitas vezes terrenos em que é levada a cabo uma autêntica guerra de trincheiras.

Tamera faz engenharia social experimental, no sentido que testam um modelo com algumas dezenas de pessoas esperando influenciar pelo exemplo o resto do mundo. As criancas sao a grande esperanca, pois sao educadas com ênfase muito especial nessa paz dentro do próprio indíviduo e com o mundo.

No ponto especial das relacoes amorosas, tamera espera desconstruir o ciúme e o sentimento de posse que lhe estao associados e tenta demonstrar o absurdo inerente. Separa sexualidade de amor (referencia "Eros redeemed", Dieter Kuehn)

Citando (muito obrigada NT!!!) do documentário:
"Sim, eu penso que o amor nada tem a ver com posse. O amor tem a ver com dar, com oferecer. E naturalmente também com receber. Mas o amor é, na sua essência, livre. O amor é uma força completamente livre que não se deixa prender atrás de muros. Nós vimos de uma cultura onde a sexualidade só é permitida no casamento. E muita da violência vem do Eros aprisionado. Fomos obrigados a colocar este tema no centro porque, quando se vive em comunidade é claro que o tema do Eros está muito presente. Parceria e amor livre não se excluem, pelo contrário, condicionam-se.Se eu realmente aprendo a dizer sim à sexualidade, se o meu parceiro chega a casa e conta-me que se encontrou com uma mulher, que ela era linda e foi para a cama com ela, se então a namorada (neste caso eu), não reajo com pancada, mas pergunto "O que foi que viveste? Como foi? Conta-me..." Então surge uma base de confiança totalmente diferente entre homem e mulher. Podemos ser verdadeiros." "O amor numa família convencional não funciona duradouramente. Podemos ver isto empiricamente. Uma família convencional é um espaço demasiado pequeno, para aquilo que se liberta no amor. E isto também tem efeito na educação das crianças, que sofrem porque não encontram confiança nos pais, no mundo dos adultos. Portanto a comunidade é uma resposta, talvez a resposta mais importante.""Se as crianças realmente crescerem em comunidade, não dependendo apenas do pai e da mãe, mas se elas tiverem, desde o princípio, um campo de maior confiança, podem desenvolver-se muito mais rapidamente e não têm de entrar em todos os conflitos psicológicos que mais tarde dificilmente curamos com terapia."

1.06.2007

co-adopção a três


Os dois textos foram tirados sem edicao do portal Portugal Gay.


http://www.portugalgay.pt/news/index.asp?uid=040107A

Notícias CANADÁ: Um pai e duas mães
Quinta-feira, 4 Janeiro 2007 Tribunal canadiano reconhece direitos de filiação de criança de cinco anos a três pessoas

Pela primeira vez, um tribunal canadiano reconheceu oficialmente que um rapaz de cinco anos pode ter um pai e duas mães - um casal de lésbicas - suscitando inquietação por parte das organizações de defesa da família dita tradicional.

Num acórdão proferido terça-feira ao final do dia, o Tribunal de Recurso da Província do Ontário decidiu que uma canadiana que vivia maritalmente com a mãe da criança devia também ser reconhecida como sua mãe e, portanto, como o terceiro elemento parental da criança. Uma instância inferior recusara-lhe esse estatuto, por considerar que a legislação da província relativa à família reconhece apenas uma só mãe, não cabendo ao tribunal modificá-la. A mulher, originária do Ontário, explicara o seu pedido fazendo valer que o nascimento tinha sido planeado com a sua parceira homossexual que carregou no ventre a criança depois de uma inseminação artificial e que esta a considera também como mãe.

As duas mulheres, cuja identidade não foi divulgada, decidiram que o pai biológico devia permanecer na vida da criança e levaram-no a reconhecer a sua paternidade, o que impedia que a mãe não-biológica pudesse adoptar o bebé. A queixosa requereu o usufruto dos mesmos direitos que os outros pais e os seus advogados sustentaram a sua defesa na lei canadiana que autorizou em 2005 os casamentos entre cônjuges do mesmo sexo. Nos seus considerandos, os juízes do Tribunal de Recurso notam que as duas mulheres "viviam juntas numa união estável desde 1990 e que em 1999 tinham decidido fundar uma família com a ajuda do seu amigo X" que foi o dador de esperma. Defenderam que a legislação local sobre a filiação e que tem 30 anos estava agora ultrapassada e ia, neste caso preciso, contra "o melhor interesse da criança". "Não há dúvida de que a legislação não prevê a possibilidade de declarações de filiação de duas mulheres. Mas é o produto das condições sociais e dos conhecimentos médicos da época", escreveram os juízes.

Os argumentos contra e a favor
Várias organizações de defesa dos direitos da família tradicional denunciaram este acórdão. "Os ataques contra a célula familiar vão acabar por destruir a nossa sociedade", declarou Mary Ellen Douglas da Campanha pela Vida, perguntando- se onde se vai fixar o limite "sobre as declarações de parentesco múltiplas". Por seu lado, Joseph Bem-Ami do Instituto para os valores canadianos denunciou "um activismo judicial", lembrando que dezenas de decisões sobre crianças são adoptadas diariamente no Canadá, "sem que seja necessário mudar a definição da família". Uma organização de defesa dos direitos dos homossexuais, Egale Canada, saudou a decisão do tribunal, afirmando que ela reconhece a realidade da existência de casais lésbicos. Para Nicole LaViolette, professora de Direito na Universidade de Otava, a decisão do Tribunal de Recurso constitui um precedente porque é a primeira vez que um tribunal de Ontário "reconhece direitos de filiação a três pessoas: duas declarações de maternidade e uma de paternidade" . Todavia, é um precedente limitado na medida em que o tribunal teve o cuidado de precisar que se pronunciava sobre um caso particular, declarou. "As decisões relativas a uma criança fazem-se caso a caso e não é algo que se vá aplicar a muitas pessoas", sublinha. Para LaViolette, pode-se imaginar a mesma decisão no caso de um casal heterossexual que, por não poder ter filhos, recorresse a uma mãe de aluguer.


E a reaccao (reaccionaria) portuguesa:


http://www.portugalgay.pt/news/index.asp?uid=050107A

PORTUGAL: Director do Centro de Direito de Família afirma-se contra co-adopção por 3 pessoas


Sexta-feira, 5 Janeiro 2007



Segundo a agência Lusa, o Director do Centro de Direito de Família Guilherme de Oliveira, classificou a recente decisão de um tribunal Canadiano de determinar a co-adopção por 3 pessoas de "estranha" face à legislação portuguesa, e mesmo europeia, que, segundo ele, aponta como "os pais e mães jurídicos" de uma criança "os pais e mães biológicos".

"Seria um passo difícil a dar se, além de uma mãe e um pai biológicos, uma criança tivesse uma mãe ou pai afectivos", frisou, ressalvando que "não haveria unanimidade" numa alteração do direito de filiação português com essa finalidade.

O especialista, que coordena o Observatório Permanente da Adopção, sustentou que, mesmo que, afectivamente, "possa ser bom" uma criança ter duas mães ou pais, "não seria desejável, por princípio de precaução".

"É capaz de existir o risco de discriminação da criança que é pioneira, de a expor ao sofrimento", nomeadamente entre colegas da escola, apontou.

Felizmente para a criança canadiana, os juristas do canadá com muito mais experiência de facto nestas situações num país onde a co-adopção por pessoas do mesmo sexo é uma realidade há anos são de opinião contrária ao jurista português.

PortugalGay. PT (Portugal)


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12.22.2006

Sugestao de Natal: Else-Marie and her seven daddies


Para quem acha que um estilo de vida poliamoroso é algo que se deve levar ás escondidas e de preferencia que as criancas nao fiquem a saber, é melhor parar de ler AQUI e JÁ.

Para os outros, fica esta sugestao deliciosa de um livro para criancas com temática poliamorosa: Else-Marie and her seven daddies. Aproveitem o natal para oferecer alguma coisa finalmente inteligente a alguém. Este livro por exemplo.

Else Marie tem sete pais em vez de um. E quando descobre que eles a vao buscar á escola, apercebe se de repente de que a sua vida, que até entao lhe parecia tao normal, nao é como a dos outros meninos.

Lindo. Era isto que eu estava a precisar de ter (empowerment) antes de enfrentar o Natal.

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12.19.2006

Quotideano Delirante II


Mais quotideano delirante.

Se é para continuar a continuar a contar a história da minha vida, ou pelo menos a polihistória da minha vida, talvez seja precisa uma pequena introducao.

Nao esperem encontrar aqui descricoes de grandes borgas e sexo escaldante. Isto é um blog sobre poliamor e nem sempre isto tem implicacoes a nivel de libertinagem ou sexo. Por isso, quem quer ler tais descricoes é melhor ir para outra freguesia. Nao quer dizer que nunca me tenha acontecido alguma história bastante rocambolesca, daquelas em que uma pessoa se esconde dentro do armário ou no parapeito da janela. Mas nao é essa a ideia deste blog. A ideia é desdramatisar o conceito de poliamor. Somos normais, sabiam? Ou tao normais ou anormais como os nao poliamorosos.

Sou uma mulher. Identifco me como uma lésbica - bi. Quem me quiser chatear acerca desta aparente contradicao, pode escrever directamente para dev/null, essa grande caixa postal. Idem para todas as tentativas de categorisacao e maintreamisacao, principalmente em questoes de género. Bi e hetero definem uma prefêrencia sexual. Lésbica define um perfil social e político. Sou adulta. Maior. Vivo uma relacao em V. Um V fechado, que nao está aberto a novas pessoas. Um homem, uma mulher. Já vivi um triângulo. Nao resultou. Foi uma história que durou 3 anos e que evoluiu para uma situacao diferente por razoes "naturais", ou seja, por razoes alheias a ser uma relacao "nao convencional", nao monogâmica.

Todas as historias de "quotideano delirante" que eu escrever aqui serao garantidamente verdadeiras, nao imaginadas e especificas á minha vida numa relacao nao monogâmica.

Espero que essas histórias tenham interesse para outras pessoas, quer sejam poliamorosos ou nao. E obrigada por lerem.


(curtam uma personagem poly: Amelia Earhart
http://news.nationalgeographic.com/news/2001/05/images/0828_wireamelia1.jpg)

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12.08.2006

Quotideano delirante, I


Ando sem assunto, e sem tempo para desenvolver as ideias que tenho no meu bloco de rascunhos para este blog.
Mas seguindo a sugestão da L (http://fishspeaker.blogspot.com), vou deixar cair algumas historias de faca e alguidar do meu quotidiano como pessoa poliamorosa, como pessoa que é poliamorosa de uma maneira relativamente assumida para o mundo exterior (e histerior).


Já todos nós fomos ao hospital, uma vez ou outra. E já todos nós tivemos que deixar acompanhantes á porta, ou só levar uma pessoa, o tal quase ignominioso "familiar próximo", parábola para maridos e mulheres..

Tive recentemente um grande susto (uma visita aconchegante da Cordylobia anthropophaga), e tive a sorte de ser duplamente acompanhada. Tive o privilégio de ter duplo acompanhamento, de saber que quando estive a ser operada que ninguém estava só, a sofrer por minha causa, na sala de espera. Tive o privilégio de os médicos não levantarem muitas ondas quando os consultórios ficaram mais cheios do que o habitual (grandes risotas naqueles consultórios, quando a dita Cordylobia anthropophaga se deixava ver). Após 5 médicos (um dos quais fugiu do consultório aos berros quando percebeu o que tinha em mãos) e uma pequena cirurgia, a recordação que tenho deste dia é uma jantarada bem disposta e bem regada ao fim do dia, e momentos de apreensão mas tranquilos e cheios de amor.

Gosto muito da minha vida a três.

(Daqui a uns tempos recontarei esta historia na sua enorme vertente cómica. Referencia: Cordylobia anthropophaga)

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9.03.2006

Aline



(tip da A.L.)

Aline não é exactamente uma personagem de romance, mas é uma personagem de banda desenhada, o que vai dar ao mesmo. Ou melhor ainda, dependendo dos gostos.

Esta série, Aline, do autor Adão Iturrusgarai, é publicada pela Devir.

Press release da Devir: http://www.devir.com.br/hqs/aline_era.php
Site Oficial de Iturrusgarai: http://www2.uol.com.br/adaoonline/novosite/aline/personagens/aline.htm

Aline tem dois namorados. Partilha apartamento, cama e mesa com ambos. Os pequenos percalços do quotidiano são nos mostrado com ligeireza mas não sem ironia, e para aqueles que vivem uma relação não monogâmica (não necessariamente no modelo de Aline), está sempre presente a cada página o sentimento de que o autor acerta mesmo na "mouche"... Aline é incrivelmente normal. Nao é uma heroína corajosa que enfrenta aventuras estranhas em que os seus dotes disto ou de aquilo se tenham de evidenciar. é uma mulher jovem igual a tantas outras. Com confiança q.b., com insegurança humana, com um quotidiano normalíssimo que partilha não com um mas com dois namorados. Nao filosofa sobre o seu modo de vida nem questiona o seu desejo em termos morais. Nada nos indica que seja uma pessoa amoral ou o contrario. É simplesmente irrelevante para a historia ser interessante ou para a personagem ser consistente. Quero conhecer mais gente assim, principalmente mulheres, gente que viva bem com o seu desejo e sem problemas morais herdados de outrem.

Uma boa colecção de links sobre Aline (entrevistas ao Autor, criticas..):

8.08.2006

III days



Three Days
(Jane´s Addiction, taken from Ritual de lo Habitual)

Three days was the morning.
My focus three days old.
My head, it landed to the sounds of cricket bows...
I am proud man anyway...
Covered now by three days...

Three ways was the morning.
Three lovers, in three ways.
We knew when she landed, three days she'd stay.
I am a proud man anyway...
Covered now by three days...

We saw shadows of the morning light the shadows of the evening sun till the shadows and the light were one. Shadows of the morning light the shadows of the evening sun till the shadows and the light were one...
True hunting is over.
No herds to follow.
Without game, men prey on each other.
The family weakens by the bite we swallow...
True leaders gone, of land and people.
We choose no kin but adopted strangers.
The family weakens by the length we travel...

All of us with wings...
All of us with wings...
All of us with wings!
All of us with wings!
All of us with wings!
All of us with wings!

Erotic Jesus lays with his Marys.
Loves his Marys.
Bits of puzzle, hitting each other.
All now with wings!
"Oh my Marys! Never wonder... Night is shelter for nudity's shiver..."
All now with wings…

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7.27.2006

Artigo da NewScientist: the polyamourists


(tip do Vasco)

Na New Scientist de Julho (NS, 7/Jul/06, #2559 pp.44) saiu um artigo sobre o assunto que nos faz estar aqui todos caidínhos a ler (não é jardinagem). É um artigo de divulgação, ligeirinho, daqueles que podemos deixar à beira de uns amigos ao café, assim como quem não quer a coisa, para lhes sondar a opinião sem nos comprometermos.

Este artigo não fala do poliamor duma maneira extensiva ou detalhada, mas parte da vivência duma "família", e das suas regras como ponto de partida para explicar os princípios gerais do poliamor. nao aprofunda, é um artigo exploratório, penso eu, que sonda as reacções de quem o lê. Curiosamente, por ser um artigo um pouco mais ligeiro, certas ideias ganham realce quando noutro tipo de artigos têm tendência para se perder. Gostei de ver, escrito preto no branco, que as relações poli são simplesmente realistas (em oposição à tendência de as criticar como utópicas), pois retiram a pressão (que as relações monogâmicas necessariamente têm) que há em encontrar alguém que nos preencha em todos ou quase todos os aspectos, e que nas relações poliamorosas cada pessoa pode explorar (para não dizer descobrir) diferentes aspectos de si própria realçados ou catalisados por diferentes pessoas. A segunda ideia que acaba por ficar retida, é a de que a constelação em que esta "família" vive é apenas uma de muitas. Mostram nos o seu esquema de Langdon, mostram nos um pouco do seu código de conduta, Mas é realçado que é importantíssimo criar regras consensuais. Existem modelos, certo, para quem já leu sobre as experiências de outras "constelações". Mas cada um sabe o que é bom para si e qual o grau de segurança e de experimentação que está disposto a levar a cabo.

O link para a versão (incompleta) on-line:

http://www.newscientist.com/channel/sex/love/mg19125591.800-love-unlimited-the-polyamorists.html

Quem quiser ler este artigo na totalidade, pode, alem da versão para assinantes da NS, encontra-lo na zona de ficheiros do grupo PolyPortugal.

Obrigada por lerem.

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7.25.2006

Stereo Total: "Amour à 3"

Dizem que um movimento precisa de canções. Nós ainda não somos um movimento, mas somos já sem dúvida uma contra cultura.

Dos StereoTotal:

L'AMOUR À 3(F. Cactus/v. Finsterwalde)

moi ce que j'aime c'est faire l'amour
spécialement à 3
je sais c'est démodé
ça fait hippie complet
mais je le crie sur les toîts
j'aime l'amour à 3
moi ce que j'adore
c'est les petites caresses à 4 mains
si l'1 des 2 s'endort, l'autre s'occupe de moi
ouh! voilà l'amour à 3ouuuuuh ...
j'aime l'amour à 3 ...
moi ce que j'aime ...
c'est sexy, extatique
crazy, excentrique
animal, romantique
c'est communiste
ouuuuuh ...
j'aime l'amour à 3
...vive l'amour à 3!

em inglês, alemão e francês aqui. Divirtam se a cantar :-)
http://www.stereototal.de/music/lyrics_lz.html#liebe

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6.15.2006

Várias Comunidades

Para quem aprecia o conceito de comunidades na direcção do ZEGG ou do Tamera, aqui vai uma colecção delas. tirados da poly-ch. A maior parte delas são na Alemanha.

(não é o tipo de coisa em que eu embarcaria, mas são formas de relacionamento alternativas válidas).

E aqui a referência para o livro Ecovillages


www.Lebensgarten.de (140 Pessoas)
www.Lakatien.de (110 Pessoas)
www.ZEGG.de (80 Pessoas)
www.Tamera.de (50 Pessoas in Portugal)
www.Pankgraefin.de (80 Pessoas)
www.Oekodorf7linden.de (80 Pessoas)
www.kommune-niederkaufungen.de (70 Pessoas)
luebnitz.lebensgut.org (35 Pessoas)
www.lebensgut.dewww.oekolea.de (??)

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5.24.2006

A perfect day

Escrevi este texto em Janeiro de 2005, no mesmo dia deste acontecimentos aqui descritos. Recentemente a vossa já conhecida Gwendo resolveu compilar uma zine poly em Munique, a Krake, e pediu me alguns textos. Desenterrei este que traduzi e adaptei para inglês. Quem tiver interesse em receber a Krake, que é escrita em alemão com excepção dos meus textos e se dirige a um público feminino (queer) deve contactar-me ou á Gwendo.


6/Jan/2004 - "A perfect day", or, "on the nature of Present and Future in relationships".

We had a beatiful day today, cold and bright, planted in the middle of a grey and condescending January. We decided to jump in the car, throw some wine and cheese inside a picnic basket and just drive to that medieval village we contemplated visiting for so long. In pure honesty, what was really important was not quite the village itself, but driving there, and images like that of a k7 box tapping lazily against a thermobotle filled with tea on the bottom of the car.

The day was so bright that we drove with an open car, heater constantly busy. Nothing between us and the blue sky except icy wind. Buried in berets, caps and coats, we insisted in the decadent poetry of the open car. We crossed the kms of suburbia where nobody who wants to be taken seriously really wants to live. We suffered with a smile and dreamy eyes all the fatal colds and lung infections that the bypassers would predict (or even wish) us.
The rolling hills immediately afterwards were crossed at antisocial cruising speed, more adequate for contemplative beings than for drivers in a competitive world, "Durutti Column"´s gentle music as soundtrack. All other cars on the road got, thankfully, impatient and eventually overtook us, finally leaving us alone on the asfalt, mountains looming proud on the horizon as sentinels. Being January, the shadows were dark and long against that impossibly bright green. We were very happy, happy inside, and happy with us. All of us. Very likely we were asking ourselves in silence (well, I was, at least, definetely) if we shouldn't be together again, specially after we recreated such a beautiful moment without any effort. But nobody voiced it loud. Maybe because all of us knew that this thought was not only in one´s head. Maybe because we were in a way together again.

We got to our destination, and unanimously decided to skip the cultural visit, expontaneous empty heads we all are, and just indulge into walking along the river where so many before us strided through the centuries. Let's assume it, is has been a quite "bourjoise" saturday, and not even shopping was overlooked, in an improvised antique shop contiguous to the city walls, smelling of mold and "saudade". This shop we left with the already usual amount of odd music reliqs and unlikely objects which will end up some day in another antique shop after we become dust, without lips to kiss and love anymore.

But, allas! Suddenly the fight erupted, violent, unsummoned, redundant and ridiculous like always. It is the end of the state of grace, the World becomes ugly in a second, and each of us only wants to go back home, to familiar territory, where one can be alone and not face this another defeat. We know then, that this fighting is an old story and that rivers don't run backwards.

Now it is clear why we are not together anymore. Because of never being able to handle such fights. But at the same time, we are silently certain that such moments tell us clearly how precious the Present is, and that they remove all fear from the Future. If this is our beautiful and bitter Present and we have no expectations from the Future, then we are free because we have nothing to loose. Ours is the complete beauty of a moment because we don't try to confine it.

We flee to the car, because only a trip back home can give us the isolation needed. After such bitter discussion none of us can endure to sit together. But suddenly we hear music, and we follow it, like children. There is a party going on. We are explained that is a very seldom heppening, takes place only every seven years for centuries and that people drive specially for the occasion (and we land on it unknowing.. so typical) We drink some with the crowd, and let the party creep inside us. We are still bleeding inside, but now we are somehow in peace. We go to the car. We lay a table cloth over the motor cover, blue and white squares over metal, and make our picnic there, in the cold air. The crowd and the dance are a distant rumour now.

Now we are home. I am writting this. We pacified our feelings over a spartan but correct table. The same blue and white table cloth, some beans, bread, wine, some manioc as dessert. Coffee, "medronho" and a hand rolled cigarrette to close it. I spent the whole trip home cunning ways to ensure I could be alone, not see these two lovely but so irritating darlings for some time. Too painful to see them. But as soon as we arrived, it was just automatic to sit at the table and eat together, like we did for years, like a family that we never stopped being, even after we are not together anymore. I watch them talking on the sofa as I writte this. They know what I am writting about.
I am almost finished with the writting. I think I will publish it online, and then go over there, to the sofa, rejoin those two, rejoin our bliss. I don't know what the evening is reserving me, but I am sure it will be wonderful, after a wonderful day. Maybe this evening has no Present and no Future, or maybe it has. But this is not important. Love doesn't care about the potential of a nice and confortable Future. Love is something that just happens and knows no boundaries.

4.29.2006

International Conference on Polyamory and Mono-Normativity, Memorandum Gwendolin Altenhöfer for SERGEJ


Este é o segundo artigo sobre o mesmo tema em poucas semanas. Na verdade será uma tradução de um artigo, com alguns comentários.

A autora, G. Altenhoefer, visitou a 1st International Conference on Polyamory and Mono-Normativity, Hamburg e escreveu três artigos diferentes em publicações distintas sobre o que viu, ouviu e sentiu. Há três semanas publiquei o primeiro, mais resumido, dessa série:

http://laundrylst.blogspot.com/2006/03/lesppress-report-on-1st-international.html

Hoje deixo-vos com uma tradução do artigo mais longo, originalmente publicado na revista SERGEJ (publicação mensal da comunidade GLBT em Munique) acompanhada por uma introdução minha (que modifiquei um pouco, devido à sua especificidade original, para poder publicar aqui), que foi publicada recentemente em Portugal numa publicação específica para mulheres da comunidade GLBT.

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Nestas últimas semanas muit@s de nós têm assistido com preocupação, esperança e solidariedade à história de Teresa e Helena. Sem dúvida muit@s apoiam a sua causa que acaba por ser uma causa pela igualdade, e uma causa de todos nós.

Mas, mesmo assim, alguns de nós não se revêm no modelo de relação constituído por um par monogâmico. Alguns de nós, quer por crítica feminista aos modelos patriarcais, quer por inclinação romântica ou pelos mais variados outros motivos, rejeitam o modelo monogâmico.

O movimento Polyamory (ou Poliamor) tem crescido lentamente mas de modo constante nas ultimas décadas nos EUA. Têm aparecido termos como Não Monogamia Responsável, Polifidelidade, entre tantos outros. Na Europa, movimentos começaram a surgir mais timidamente no Reino Unido, Suíça e Alemanha. Na Alemanha eu e outras temos acompanhado a sua versão lésbica e feminista, a Schlampagne.

Um dia uma de nós resolveu entrar num comboio com outras para ir a Hamburgo ao que foi a primeira conferência internacional que discutiu abertamente este tipo de relações não convencionais, e escreveu um resumo do que viu na SERGEJ, uma das publicações mensais GLBT na cidade de Munique. É este artigo que vos deixo aqui, traduzido para o português, e que espero sinceramente que vos interesse. Gostaria muito de ouvir as vossas opiniões.

Nota: deixei alguns termos em inglês por ainda não existirem traduções precisas em português. Gostaria de ler e ouvir os vossos comentários. antidote@imensis.net


SERGEJ (publicação mensal para a comunidade GLBT em Munique, RFA).

International Conference on Polyamory and Mono-Normativity, Hamburg, 4.-6.11.2005
Memorandum de Gwendolin Altenhöfer (polylogo@gmx.de)


No auditório da Universidade de Hamburgo estiveram presentes mais de uma centena de pessoas que ouviram atentamente as apresentações sobre o tema da conferência: "Polyamory (em português Poliamor [1]) e Relações Múltiplas".

"Eu vim cá para ver e conhecer pessoas que amam mais do que uma pessoa", assim se exprimiu uma participante

suíça: "Onde vivo, conheço muito pouca gente que compreenda realmente o meu modo de vida. Mas aqui não sou a única e tenho a oportunidade de aprender muito de outras pessoas que seguem o mesmo modelo polifidelidade de vida que eu!"

A primeira conferência internacional sobre este tema, que se realizou em Hamburgo, no princípio de Novembro de 2005, lançou pontes entre a comunidade científica e pessoas com essa experiência de vida, e também entre investigadores e activistas. A participação de lésbicas, gays, bis e transgenders foi alta, tanto entre o público como atrás dos microfones. O papel desempenhado pela comunidade LGBT é sem dúvida muito determinante na comunidade Polyamory, ao explorar, descobrir e testar constantemente modelos de relação que transcendem o par tradicional.

As questões apresentadas foram bastante diversas, por ex. "Que tipo de regras se devem estabelecer em relações múltiplas para que a/os participantes se sintam confortáveis mesmo quando alguém muito querido se encontra num dado momento nos braços amorosos de outrem?", ou "Será que o desenvolvimento recente do movimento Poliamor está de algum modo relacionado com a flexibilidade que a economia neo-liberal nos tem habituado a ver requisitada à massa trabalhadora?", ou ainda, "Que significa a palavra 'responsabilidade' para pessoas que querem manter vários parceiros sexuais?", ou ainda finalmente, "Como lidar com o ciúme?".

Quer nas apresentações quer na assistência estavam representadas todas as formas possíveis de Poliamor, e a visitante pode fazer um retrato vivo de como vários tipos de pessoas interpretam o Poliamor de modo pessoal e diferente e conseguem ser felizes: Seja em casamentos de grupo com regras rígidas, como swingers, em amor livre, ou como parceiros de jogo na comunidade SM, ou ainda em redes de relações alternativas por motivação feminista crítica ao casamento, seja ainda no deleite da constituição de ninhos românticos entrelaçados com esta ou aquela nova paixão.

Novas palavras têm sido desenvolvidas (por ex. em comunidades online) para evitar mal entendidos catastróficos. A palavra "frubble" descreve a excitação alegre ao se ver o nosso amor feliz na companhia (ou mesmo nos braços..) de outra.. Já a palavra "wibble" descreve a insegurança quando o nosso amor encontrou uma nova pessoa. "Metamor" é a alternativa positiva a "rival", e assim por diante.

Para estimular a conversa e o estabelecimento de contactos a associação "bildwechsel[2]" (Associação de Mulheres para os 'Media' e Cultura, Hamburgo) proporcionou na noite de Sábado um Videolounge. Para exercícios práticos pertinentes para a vida quotidiana numa relação múltipla, houve uma workshop com Dossie Easton, autora de "The Ethical Slut" (tentativa de tradução "a Vadia Responsável"). Easton assegurou que, apesar de décadas de vida "boémia", ainda por vezes sente ciúme: "É preferível adquirir estratégias para antecipar e lidar com o ciúme do que tentar a todo custo evitá-lo, pois assim ele aparece mais cedo ou mais tarde. E mais vale uma pessoa conhecer-se bem a si própria e aos seus sentimentos do que deixar a raiva tomar o freio nos dentes, que é sempre algo de que nos arrependemos mais tarde".

Há diferenças entre pessoas polifieis e monogâmicas?

Esta pergunta responde Daniela Dana (Itália) - pelo menos para a comunidade lésbica italiana na sua amostra - da maneira seguinte: Não há de todo! Dados como a a idade, a profissão, a região de domicilio, coincidiam completamente quando comparados entre as senhoras pertencentes à amostra em relações monogâmicas ou às em situações não "regulamentares" poliamorosas. Talvez este inquérito devesse ter procurado uma relação com o signo astrológico: Celeste West descobriu na sua investigação de 1995 um contingente significativo de Gémeos... Mais interessante ainda, 85% das lésbicas inquiridas por C.West descreveram-se a si próprias como feministas, o que é uma percentagem muito maior do que a média habitual na comunidade lésbica...

Uma conclusão tanto de Daniela Dana como de toda a conferência: Há ainda todo um novo mundo de investigação neste campo a descobrir, e há que saber fazer as perguntas certas!

Para todas as que não tiveram oportunidade de participar nesta conferência e que querem aprender

mais: Marianne Piper e Robin Bauer, organizadoras da conferência, do Centro de Investigação de Estudos Feministas de Género e Queer da Universidade de Hamburgo planeiam publicar em hardcopy os proceedings com todas as apresentações desta conferência.

Proceedings of conference here:
http://www.polyamory.ch/docs/abstracts_polyamory.pdf
as well as the comments from members of poly-ch list:
http://www.polyamory.ch/content.php?page=hamburg0511 (german only)



bibliografia:

[1] http://pt.wikipedia.org/wiki/Poliamor
[2] http://www.bildwechsel.org/
[3] Dossie Easton, Catherine Liszt "The Ethical Slut" Greenery Press
[4] Laura Merrit, Traude Bührmann and Nadja Boris Schefzig "Mehr als eine liebe", Orlanda
[5] http://www.sergej-magazin.de/

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4.01.2006

A série Big Love



A série "HBO Big Love" tem estado a ser exibida desde algumas semanas nos Estados Unidos. Tem desencadeado alguma polémica, que começa a chegar ás nossas bandas devagar mas consistentemente.

A trama desenreda-se (ou enreda-se, dependendo do ponto de vista) á volta de uma família polígama que vive nos subúrbios. Bill Henrickson (BillPaxton) vive com as suas três mulheres, que se degladiam em intrigas domésticas, recorre á utilisação de Viagra, e ainda tem de lidar com a afirmação do seu modo de vida no mundo extra doméstico.

As discussões têem sido variadas e muitas, como outra coisa não seria de esperar.

http://www.nytimes.com/2006/03/28/arts/television/28poly.html

http://www.heraldtribune.com/apps/pbcs.dll/article?AID=/20060320/COLUMNIST75/603200543/1263/OPINION01


Confesso que fiquei com alguns pruridos quando li sobre esta série pela primeira vez no "Publico". Por muito poliamorosa que eu seja, e por muito tolerante que tente ser, também tenho dentro da minha cabeça o meu pidezinho de lápis azul á procura de tudo o que não lhe cai no goto ou que não encaixa no seu sistema do mundo: Afinal, é uma familia centrada num patriarca que nao tem nada de particularmente atractivo ou qualquer profundidade emocional. O protagonista vive rodeado pelas suas parceiras que se degladiam em intrigas palacianas e puxam o tapete umas ás outras para cairem nas graças do senhor. É mostrado como este tem de recorrer ao uso de Viagra (como se a sáude de uma relação se medisse pela existencia/quantidade/qualidade do sexo praticado).

Resumindo e concluindo, gostava que ao trazer o tema do poliamor para a ribalta através de uma série popular, que fosse com personagens com quem eu me identificasse um pouco mais.

Nao é o meu modelo preferido de relação dentro de vinte mil outros possiveis. Preferia ver retratadas mulheres mais independentes ou mais criativas, menos tricas, etc. Mas é uma relação poliamorosa e é valida, por isso terei de filtrar as oportunidades que o aparecimento desta série apresenta através do ruído dos meus pruridos.

Vejamos quais são entao as oportunidades que esta série nos tráz:

Por muito pouca identificação que eu tenha com os personagens nao se pode negar que se vai poder observar o tratamento dos problemas que em essência sao comuns a todos os modos de vida poliamorosos. Há que coar as tais especificidades que podem aumentar ou diminuir a empatia (e proporcionalmente a capacidade de absorçao e reflexão) com as personagens. Mas de facto, os tópicos hão-de estar lá todos.

Adicionalmente, e esta é a parte que me atrai mais, é a possibilidade de medir o pulso ás opiniões sobre o tema que teem as pessoas á minha volta. Não estando eu ainda completamente "out" como poliamorosa, vai ser interessante, graças á série, tomar o pulso ás opiniões de amigos, familares, colegas. Vejo nisto um futuro cheio de aprendizagem e oportunidades :-))


Até á próxima!


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3.04.2006

LespPress report on 1st International Conference on Polyamory and Mono-Normativity, Hamburg

cheers,


For all of you abroad that have been following what I´ve been up, in respect to poly-activism, this is a translation to portuguese of a report, written by friend Gwendo, who has been in the 1st International Conference on Polyamory and Mono-Normativity, Hamburg and was so nice as to share what she saw there.

Gwendo wrote actually 3 articles. One, very complete, which was originally published last February in Sergej (one of the major magazines for the GLBT comunity in Munich, Germany), I translated already to portuguese and will be published on paper, in aprox. one month in a GLBT magazine in Portugal (if you want details on this, contact me privately). Until it is published, for ethical reasons, I will not repoduce it here. For the moment, as an apetizer, here is for your eyes delight, the translation of the article she wrote for LesPress. The remaining article was written for lesben-ring info.

I would be delighted on comments and suggestions.

Proceedings of conference here:
http://www.polyamory.ch/docs/abstracts_polyamory.pdf
as well as the comments from members of poly-ch list:
http://www.polyamory.ch/content.php?page=hamburg0511
(german only)


Lespress:
1st Conference on Polyamory and Mono-Normativity, Hamburg
4.-6.11. 2005 por Gwendolin Altenhöfer (polylogo@gmx.de)


Em princípios de Novembro tomou lugar em Hamburgo, Alemanha, a primeira conferência internacional sobre relações múltiplas. Participantes de países como Alemanha, Grã-Bretanha, Índia, Itália e EUA, falaram de temas tão diferentes como o lidar com amor, sexo e pertença no contexto de relações múltiplas, ou o papel do capitalismo pós-fordiano no amor livre, assim como técnicas para fintar o ciúme ou até mesmo a luta entre várias facções dentro do movimento Poliamor, como por ex. os que se concentram mais no amor e os que se concentram principalmente no sexo.


Barker e Ani Ritchie (UK) fizeram uma análise da descoberta e estabelecimento de uma nova língua alternativa por vários membros da comunidade Poliamor/Polyfidelity na Internet. Esta apresentação teve grande atenção por parte dos "media", pois a mesma apresentação tinha sido feita um ano atrás no Reino Unido. Com o aparecimento de vários artigos sobre poly nos jornais um pouco por todo o mundo, Barker e Ritchie têm se tornado os rostos do movimento poly. Têm recebido muito feedback positivo, principalmente de pessoas que pela primeira vez ouvem dizer por outras fontes que eles não são os únicos não-monogâmicos assumidos à superfície da Terra.

Daniela Dana (It) mostrou os resultados a vários inquéritos realizados entre lésbicas imersas na cultura católica. Não conseguiu encontrar um critério que permitisse distinguir as monogâmicas das polyfieis. Factores como idade, origem social ou regional, profissão, tinham aproximadamente a mesma distribuição em ambos os grupos. Talvez o inquérito pudesse cobrir o signo solar, pois Celeste West descobriu na sua investigação de 1995 uma enorme representação de Geminianos entre os Polifieis. Adicionalmente, o mesmo estudo de West, mostrou que 85% das lésbicas inquiridas se descrevem como feministas, o que é uma percentagem muito maior do que a média normal. Facto apontado quer por Dana quer por outras é que há sem dúvida ainda muito material para investigação cientifica/académica neste campo. Há também que fazer as perguntas certas!

Dossie Easton (EUA), autora de "the Ethical Slut" (tentativa de tradução, "a vadia responsável") conduziu uma "workshop" de encerramento sobre um estilo de vida boémio e/mas responsável, assegurando contudo que mesmo após varias décadas de tal percurso, continua a conhecer o ciúme. Nesse enquadramento, ela apresentou nessa workshop diversas estratégias que podem ajudar em crises agudas de ciúme, de modo por exemplo a que ninguém faça coisas de que se arrependa mais tarde. Esta workshop proporcionou também a oportunidade a/os participantes de falarem entre si e estabelecer contactos.

Para todos os que não tiveram oportunidade de assistir a esta conferência, as organizadoras (Marianne Pieper e Robin Bauer, Centro de Investigação para Estudos de Género, Feministas e Queer da Universidade de Hamburgo, RFA) têm em vista a publicação dos "proceedings" contendo as apresentações. Para todos aqueles que não queiram esperar tanto tempo e que dominem o alemão há a colectânea "Mehr als eine Liebe. Polyamouröse Beziehungen" (Laura Méritt, Traude Bührmann e Nadja Boris Schefzig), pela Orlanda. Neste livro estão já incluídas duas das apresentações da conferência, assim como um espectro larguíssimo de artigos de mais de 30 autoras.

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